segunda-feira, 20 de abril de 2026

O poeta Brasileiro Vicente de Carvalho

 



Em 5 de abril de 1866 nasceu Vicente Augusto de Carvalho, em Santos (SP), Brasil. Ele foi um fazendeiro, poeta , contista, jornalista, advogado e magistrado  que também participou da política brasileira e um abolicionista. Seus poemas abordam temas como o amor, a morte, a natureza e especialmente o mar. Foi chamado de "poeta do mar". É considerado um dos principais escritores do parnasianismo no Brasil, tendo ocupado a cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras e se destacou durante o período da República Velha. Também foi membro da Academia Paulista de Letras. Seu pai era o major Higino José Botelho de Carvalho, dono de uma loja de ferragens e sua mãe era Augusta Carolina Bueno, descendente do aristocrata rural Amador Bueno dos tempos coloniais. 

Vicente de Carvalho estudou no Seminário Episcopal de São Paulo depois no colégio Norton e colégio Mamede. Escreveu seus primeiros versos aos 8 anos. Estudou na Faculdade de Direito de São Paulo e formou-se em 8 de novembro de 1886 com 20 anos de idade no curso de ciências jurídicas e sociais. Tornando-se membro do movimento abolicionista, juntou-se ao grupo caifases de Antônio Bento que ajudava escravos fugidos para irem ao quilombo do Jabaquara. Em 1888 casou-se com Ermelinda Ferreira de Mesquita, irmã do jornalista Júlio de Mesquita, do jornal Província de São Paulo, que na República passou a ser o jornal Estado de São Paulo. O casal teve 16 filhos, entre os quais a poetisa Vicentina de Carvalho. Em 1891 Vicente foi eleito deputado estadual e participou da comissão da Constituição do Estado de São Paulo.

Na administração do governador Cerqueira César, Vicente de Carvalho foi nomeado em fevereiro de 1892 como Secretário de Interior do Estado de São Paulo. Nessa posição ele autorizou a criação da Escola Superior de Agricultura, futura ESALQ, e a Escola Superior de Engenharia, futura Poli. Tentou trazer Louis Pasteur ao Brasil, mas esse cientista  enviou seu aluno Felix Le Dantec. Outras realizações da adminsitração de Vicente foram o Hospital de Isolamento do Instituto Bacteriológico e o Instituto Vacinogênico além do Laboratório de Análise e de Bromatologia e o serviço sanitário do Estado.

Em setembro de 1892 saiu da carreira politica. Antes disso houve um conflito com Alfredo Maia que o acusou de envolvimento em corrupção em uma operação imobiliária.  Tempo depois comprou a fazenda Frutal, em Franca, SP, para plantar café, porém os preços caíram e o negócio não deu certo. Publicou em Santos o livro Solução para a Crise do Café. Nessa obra, constituída de artigos publicados em jornal, ele argumentava que existia excesso de produção em frente à demanda. A proposta dele era destruir uma parte da produção de café para melhorar os preços. Fundou em 1902 junto com João da Silva Martins a Empresa de Navegação Fluvial Sul Paulista para explorar o transporte no Iguape.

Tendo ido para São Paulo, em 1907, Vicente foi nomenado juiz de direito e em 1914 foi nomeado ministro do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Vicente, na ocasião que o presidente Epitácio Pessoa estava visitando Santos, escreveu uma carta pública para ele argumentando contra a privatização da orla e defendendo a sua preservação.

Foi em 1885 que Vicente publicou seu primeiro livro de poesias: Ardentias. Em 1888 o segundo livro foi Relicário . Em 1902 foi Rosa, rosa de amor. A sua obra poética marcante foi Poemas e Canções, publicada em 1908, com prefácio de Euclides da Cunha, com dezessete edições. O poeta também colaborava escrevendo para a revista Branco e Negro (1896-1898).

Como jornalista colaborou com os jornais O Estado de São Paulo e A Tribuna. Fundou os jornais Diário da Manhã, em Santos, em 1889 e O Jornal, em 1905. Foi redator das revistas Ideia e República. Entrou em uma polêmica com o poeta Dias da Rocha. Foi considerado por uma grande figura do início do século XX, Roquete Pinto, como um "grande cidadão”:  “[...] sempre interessado nas questões difíceis da república, juiz de peregrinas virtudes, exemplar representante dos melhores aspectos da sociedade que se formou”.

Estudiosos apontaram as principais características do estilo literário de Vicente de Carvalho : Simplicidade de expressão; presença marcada de sentimentos humanos (raiva, revolta, amor, ternura, etc.); presença de clareza e sinceridade em suas obras no geral.

Faleceu em 22 de abril de 1924, em Santos (SP), aos 58 anos. Uma das principais avenidas de Santos tem seu nome, assim como um distrito de Guarujá, também no Estado de São Paulo e um bairro na cidade do Rio de Janeiro. Há uma estátua do poeta no bairro do Boqueirão, em Santos. Guilherme de Almeida que discursou na inauguração desse monumento disse sobre o homenageado: "poeta épico, e clássico, e lírico, e satírico, e popular, e parnasiano, e simbolista, e naturalista”.

 Principais obras: Ardentias (1885); Relicário (1888); Rosa, rosa de amor (1902); Poemas e canções (1908); Versos da mocidade (1909); Verso e prosa, incluindo o conto "Selvagem" (1909); Páginas coladas (1911); A voz dos sinos (1916); Lucinha, contos (1924).

 

Alguns poemas de Vicente de Carvalho:

Felicidade

Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada:
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa, que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim : mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.

 

Pequenino Morto

Tange o sino, tange, numa voz de choro,
Numa voz de choro... tão desconsolado...
No caixão dourado, como em berço de ouro,
Pequenino, levam-te dormindo... Acorda!
Olha que te levam para o mesmo lado
De onde o sino tange numa voz de choro...
Pequenino, acorda!

Como o sono apaga o teu olhar inerte
Sob a luz da tarde tão macia e grata!
Pequenino, é pena que não possas ver-te...
Como vais bonito, de vestido novo
Todo azul celeste com debruns de prata!
Pequenino, acorda! E gostarás de ver-te
De vestido novo.

(...)

Que caminho triste, e que viagem! Alas
De ciprestes negros a gemer no vento;
Tanta boca aberta de famintas valas
A pedir que as fartem, a esperar que as encham...
Pequenino, acorda! Recupera o alento,
Foge da cobiça dessas fundas valas
A pedir que as encham.

Vai chegando a hora, vai chegando a hora
Em que a mãe ao seio chama o filho... A espaços,
Badalando, o sino diz adeus, e chora
Na melancolia do cair da noute;
Por aqui, só cruzes com seus magros braços
Que jamais se fecham, hirtos sempre... É a hora
Do cair da noute...

(...)

Por que estacam todos dessa cova à beira?
Que é que diz o padre numa língua estranha?
Por que assim te entregam a essa mão grosseira
Que te agarra e leva para a cova funda?
Por que assim cada homem um punhado apanha
De caliça, e espalha-a, debruçado à beira
Dessa cova funda?

Vais ficar sozinho no caixão fechado...
Não será bastante para que te guarde?
Para que essa terra que jazia ao lado
Pouco a pouco rola, vai desmoronando?
Pequenino, acorda! — Pequenino!... É tarde...
Sobre ti cai todo esse montão que ao lado
Vai desmoronando...

Eis fechada a cova. Lá ficaste... A enorme
Noute sem aurora todo amortalhou-te.
Nem caminho deixam para quem lá dorme,
Para quem lá fica e que não volta nunca...
Tão sozinho sempre por tamanha noute!...
Pequenino, dorme! Pequenino, dorme...
Nem acordes nunca!


Sonho Póstumo

Poupem-me, quando morto, à sepultura: odeio
A cova, escura e fria.
Ah! deixem-me acabar alegremente, em meio
Da luz, em pleno dia.

O meu último sono eu quero assim dormi-lo:
— Num largo descampado,
Tendo em cima o esplendor do vasto céu tranquilo
E a primavera ao lado.

Bailem sobre o meu corpo asas trêmulas, asas
Palpitando de leve,
De insetos de ouro e azul, ou rubros como brasas,
Ou claros como neve.

De entre moutas em flor, oscilantes na aragem,
Úmidas e cheirosas,
Espalhando em redor frescuras de folhagem,
E perfumes de rosas,

Subam, jovializando o ar, canções suaves
— A música sonora
Em que parece rir a alegria das aves,
Encantadas da aurora.

E cada flor que um galho acaso dependura
À beira dos caminhos
Entreabra o seio ao sol, às brisas, à doçura
De todos os carinhos.

Passe em redor de mim um frêmito de gozo
E um calor de desejo,
E soe o farfalhar das árvores, moroso
Como o rumor de um beijo.

Palpite a natureza inteira, bela e amante,
Volutuosa e festiva.
E tudo vibre e esplenda, e tudo fulja e cante,
E tudo sonhe e viva.

A sepultura é noute onde rasteja o verme...
Ó luz que eu tanto adoro,
Amortalha-me tu! E possa eu desfazer-me
No ar claro e sonoro!


 Cantigas Praianas

Ouves acaso quando entardece
Vago murmúrio que vem do mar,
Vago murmúrio que mais parece
Voz de uma prece
Morrendo no ar?

Beijando a areia, batendo as fráguas,
Choram as ondas, choram em vão:
O inútil choro das tristes águas
Enche de mágoas
A solidão…

Duvidas que haja clamor no mundo
Mais vão, mais triste que esse clamor?
Ouve que vozes de moribundo
Sobem do fundo
Do meu amor.


Sugestões do Crepúsculo

Estranha voz, estranha prece
Aquela prece e aquela voz,
Cuja humildade nem parece
Provir do mar bruto e feroz;

Do mar, pagão criado às soltas
Na solidão, e cuja vida
Corre, agitada e desabrida,
Em turbilhões de ondas revoltas;

Cuja ternura assustadora
Agride a tudo que ama e quer,
E vai, nas praias onde estoura,
Tanto beijar como morder...

Torvo gigante repelido
Numa paixão lasciva e louca,
É todo fúria: em sua boca
Blasfema a dor, mora o rugido.

Sonha a nudez: brutal e impuro,
Branco de espuma, ébrio de amor,
Tenta despir o seio duro
E virginal da terra em flor.

Debalde a terra em flor, com o fito
De lhe escapar, se esconde — e anseia
Atrás de cômoros de areia
E de penhascos de granito:

No encalço dessa esquiva amante
Que se lhe furta, segue o mar;
Segue, e as maretas solta adiante
Como matilha, a farejar.

E, achado o rastro, vai com as suas
Ondas, e a sua espumarada
Lamber, na terra devastada,
Barrancos nus e rochas nuas...


 

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Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História


terça-feira, 31 de março de 2026

A médica romena Sofia Ionescu

 



Em 25 de abril de 1920, em Falticeni, Romênia, nascia Sofia Ionescu Ogrezeanu. Ela foi a primeira mulher neurocirurgiã da mundo e uma referência histórica na neurocirurgia. Era filha de Constantin Ogrezeanu, um caixa de banco e Maria Ogrezeanu. Era amiga de Aurélia Dumitru, filha de um médico e por meio desses contatos Sofia mostrou interesse pela medicina. Também a influenciou a morte de um colega por causa de complicações após uma cirurgia cerebral. Assim, Sofia, apoiada por sua mãe, entrou na Faculdade de Medicina de Bucareste, em 1939.

No início de seus estudos de medicina Sofia começou no campo da oftalmologia. Em 1940 ela começou a estagiar em uma clínica muito mal equipada e estava acontecendo uma epidemia de tifo. No tempo dos combates da Segunda Guerra Mundial, ela se apresentou como voluntária para tratar prisioneiros soviéticos no Hospital Stamate, em Falticeni. Foi lá que realizou suas primeiras cirurgias, sendo a maioria delas casos de amputações. Em 1943 iniciou um estágio no Hospital Número em Bucareste. Mas em 1944 ela realizou uma cirurgia cerebral de emergência em um menino ferido após um bombardeio. Não existiam no momento cirurgiões especializados. Em 1945 tornou-se cirurgiã.

Por 47 anos Sofia trabalhou no mesmo hospital, junto ao seu marido, Ionel Ionescu, que também era médico, em um grupo de cirurgiões (a primeira equipe de neurocirurgiões da Romênia, depois apelidada de "equipe de ouro”), que ajudou a desenvolver e modernizar a cirurgia na Romênia e tendo ela passado por preconceitos de outros médicos da Europa. Em 1970, Sofia cuidou por uma semana da primeira esposa do xeque de Abu Dhabi, que não podia, conforme costumes do país, ser atendida por um homem dentro do harém. Ela salvou centenas de vidas e teve de se aposentar em 1990 por problema de saúde que a impossibilitava de participar de cirurgias. Ela não parou seu trabalho científico, escrevia artigos e continuava contribuindo para a neurociência.

Em 1957, Sofia recebeu a insígnia da Cruz Vermelha por seu esforços como médica. Em 1964, ela foi homenageada com a Medalha do 20º XX Aniversário da Libertação da Pátria, em 1964, e em em 1972 a medalha do 25º aniversário da Proclamação da República. Em 1996, tornou-se membro da Sociedade Romena de História da Medicina. Passou a fazer parte da Sociedade Romena de História da Medicina em 1996. Tornou-se membro emérito da Academia de Ciências Médicas em 29 de março de 1997. Ao longo de sua vida como cirurgiã ela realizou mais de 11 mil cirurgias, tendo sido pioneira em técnicas cirúrgicas que salvaram muita gente. Ela foi a primeira mulher na Romênia a realizar uma cirurgia abdominal.

Em 2001 Sofia recebeu a honraria Ordem Nacional “Serviço Médico”. Em 2005  foi oficialmente certificada como a primeira mulher neurocirurgiã do mundo na ocasião do Congresso Mundial de Neurocirurgia no Marrocos e em 2008  recebeu a Estrela da República Romena. Ela é lembrada como um símbolo de pioneirismo feminino na medicina.

Faleceu aos 87 anos em Bucareste, Romênia, em 21 de março de 2008


quinta-feira, 26 de março de 2026

A escritora brasileira Nísia Floresta

 



Em 12 de outubro de 1810 nasceu em uma fazenda no município de Papari (hoje em dia chamado de Nísia Floresta), na então Capitania da Paraíba, no atual Rio Grande do Norte, a escritora, educadora e poetisa brasileira Dionisia Gonçalvez Pinto, que ficou conhecida como Nísia Floresta Brasileira Augusta. Era filha do do  advogado português Dionísio Gonçalves Pinto e da brasileira Antônia Clara Freire, herdeira de umas das principais famílias da região. Tinha três irmãos: Clara, Joaquim e uma terceira irmã do casamento anterior de sua mãe viúva.

Ela foi a primeira a se importar com uma educação com foco nas mulheres no Brasil, com destaque nas letras, jornalismo e nos movimentos sociais. Defendia ideais abolicionistas, republicanos e feministas. Ela influenciou na prática educacional brasileira, ultrapassando limites do que a sociedade da época impunha à mulher. Denunciou injustiças contra escravos e indígenas brasileiros. Numa sociedade onde havia a cultura de submissão da mulher, ela foi a primeira figura feminina a publicar textos em jornais, em um tempo que a imprensa brasileira estava ainda em seu começo. Foi diretora de um colégio para meninas na cidade do Rio de Janeiro. Escreveu obras defendendo os direitos das mulheres.

Nísia passou em sua infância e adolescência por períodos de acentuada convulsão social que tiveram influências em sua formação. Devido aos movimentos sociais que atingiam o Nordeste, a família Gonçalves Pinto estava constantemente de mudança, considerando a profissão do pai (que por vezes assumia causas que atingiam interesses de grandes proprietários de terras) e a sua nacionalidade portuguesa, pois houve perseguições antilusitanas de grupos revolucionários. As mudanças de locais permitiram um contato de Nísia com diversas culturas e realidades ao longo da vida.

Durante a Insurreição Pernambucana a família de Nísia sai de Papari para Goiana, um  município, mais desenvolvido econômica e intelectualmente. Lá Nísia começou seus estudos no convento das carmelitas.  Graças à influência de seu pai ela inicia um um primeiro contato de Dionísia Pinto com a cultura europeia e com o liberalismo. Com 13 anos de idade, seguindo a tradição, é obrigada a se casar com Manuel Alexandre Seabra de Melo, proprietário de terras, um casamento que dura alguns meses. Ela se separa do marido e volta para a casa dos pais, que a receberam, mas ela enfrentou o preconceito da época por ter deixado seu casamento. Em 1828 seu pai foi assassinado quando estava atuando em um caso contra a poderosa família Cavalcanti. Nísia disse sobre isso: : "Esse advogado, que fizera triunfar o direito de seu pobre cliente, alvo da injustiça atroz de um tal tirano, caiu de improviso sob os golpes de assassinos pagos por ele."  

Nísia começou em 1828 a namorar Manuel Augusto de Faria Rocha, acadêmico da Faculdade de Direito de Olinda e com ela teve uma filha, nascida em 1830. Teve ainda outro filho em 1831, que viveu pouco tempo. Nesse ano ela teve suas primeiras publicações escritas. Em um jornal pernambucano, chamado Espelho das Brasileiras, ela publica uma série de artigos sobre a condição feminina. O seu primeiro livro surge em 1832: Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens , começando a assinar como Nísia Floresta Brasileira Augusta. Ela escolheu Floresta em homenagem à fazenda onde nasceu, Brasileira para realçar o orgulho de ser brasileira e Augusta como uma homenagem  ao seu segundo companheiro a quem amava.

Segundo estudos dos  especialistas Pallares-Burke (1995) e Oliveira & Martins (2012)  essa primeira obra publicada de Nísia é uma tradução integral do livro La femme n'est pas inferieure a l'homme, publicado em 1750, por sua vez uma tradução de Woman Not Inferior to Men, de uma autora que só assina como Sophia.

Nísia, em um contexto influenciado por movimentos externos ao país, tem papel importante por sua capacidade de traduzir não apenas linguisticamente, como também culturalmente a obra estrangeira, construindo adaptações do discurso à realidade nacional. Nísia passa assim a ter o título incontestável de pioneira no movimento feminista brasileiro. Ela fazia denúncias sobre  o estado de inferioridade no qual viviam as mulheres de sua época e procurando combater os preconceitos que as cercavam. Em jornais de Recife, a partir de 1830 ela publicou contos, poesias, novelas e ensaios, que também foram publicados depois em jornais da cidade do Rio de Janeiro.

Em 1841 Nísia publicou seu segundo livro: Conselhos à Minha Filha. O livro foi um presente para a filha no seu aniversário de 12 anos. De 1847 em diante as obras dela foram direcionadas mais à educação, sem deixar de atentar para a questão de igualdade de gênero. Nesse ano de 1847 estavam as seguintes publicações: Daciz ou  A Jovem Completa,  Fany ou O Modelo das Donzelas e Discurso Que às Suas Educandas Dirigiu Nísia Floresta Brasileira Augusta.

Quando esteve na Europa, Nísia publicou diversos relatos de suas viagens. Muitas das obras dela se tornaram difíceis de se localizar pelos estudiosos porque se perderam ou devido ela publicar por meio de pseudônimos. Foram encontrados artigos dela assinados como "Quotidiana Fidedigna” nos jornais O Recompilador Federal e  O Campeão da Legalidade. O jornal carioca O Liberal, de maio a junho de 1851 publicou uma série de  artigos de Nísia com título de A Emancipação da Mulher. Nesses artigos ela ressaltava a importância da educação para as mulheres. Focando na questão pedagógica ela publicou em 1853 o seu livro Opúsculo Humanitário, no qual havia uma coleção de artigos sobre emancipação feminina. Tais escritos foram elogiados pelo autor francês Augusto Comte, o “Pai do Positivismo”. Além de sintetizar o pensamento da autora sobre a educação feminina, a autora na obra aborda a pedagogia de forma geral e faz críticas a instituições de ensino da época.

Em textos que Nísia escreveu, ela discorre sobre si mesma, sua infância, seu falecido marido e seus familiares. Ela ao escrever sobre suas viagens está tratando de uma rotina pessoal, como por exemplo o itinerário de uma viagem à Alemanha e três anos na Itália e uma viagem à Grécia.

Nísia passou a morar em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 1832 .Em 1833 Manuel Augusto com quem vivia morre. Ela tinha vinte e três anos e passa a ser a responsável pela sua família composta por ela, sua filha, sua mãe e duas irmãs. De 1834 a 1837 ela administrou e lecionou em uma escola gaúcha. Com a eclosão da Revolução Farroupilha ela se mudou com a sua família para a cidade do Rio de Janeiro em janeiro de 1838. Nesse ano ela funda o Colégio Augusto, onde implanta propostas pedagógicas inovadoras. Ela comunica a inauguração de seu colégio no centro da capital, onde funcionou por dezessete anos. O projeto educativo do Colégio Augusto estava voltado para meninas, misturando o ensino tradicional feminino - totalmente voltado para a criação e preparação da menina para o matrimônio e maternidade como única possibilidade possível - com conhecimentos de ciências, línguas, História, religião, Geografia, Educação Física, Artes e Literaratura. 

A maior inovação do colégio fundado por Nísia era sua proposta de  uma educação às mulheres, equiparada aos melhores colégios masculinos da época. A mentalidade masculina na época gerou preconceitos contra as propostas educacionais de Nísia como a crítica publicada no jornal O Mercantil que dizia: "Trabalhos de língua não faltaram; os de agulha ficaram no escuro. Os maridos precisam de mulher que trabalhe mais e fale menos”. Ela considerava a ausência de uma educação formal feminina a maior causa da discriminação da mulher. A primeira legislação brasileira que abordava o tema, autorizando a abertura de escolas públicas femininas, tinha sido promulgada em 1827.

Nísia considerava importante haver uma educação formal feminina. A ausência dessa educação era para ela a a maior causa da discriminação da mulher. Ela defendia que se as mulheres tivessem acesso à educação elas ficariam conscientes da sua situação. Ela dizia:  "Quanto mais ignorante o povo, tanto mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele o seu ilimitado poder”. Em relação à direção a ser tomada sobre a qualidade de ensino, igualdade de gênero, número de escolas e acesso ao ensino pelas meninas, a importância para ela estava essencialmente ligada ao pensamentos liberal, progressista e positivista. Ela passa a criticar o o sistema vigente, o qual considerava as ciências inúteis às mulheres,nas três obras suas do ano de 1847. Em Opúsculo Humanitário (1853), Nísia comenta o fracasso geral do padrão de ensino e denuncia, sem nomear, escolas da Corte administradas por estrangeiros, que considerava sem preparo para a função de orientadores ou lecionadores em relação à educação.

Em 1849, Nísia deixou a direção do Colégio Augusto e esteve na Europa para tratamento de saúde de sua filha e retornou em 1852, com dedicação à publicar artigos em jornais brasileiros. E em 1855 ela atuou como enfermeira voluntária durante uma pandemia de cólera que atingiu a cidade do Rio de Janeiro. Em 1856 ela foi  de novo para a Europa (onde ficou até 1872) e no mesmo ano o Colégio Augusto é fechado após 17 anos de funcionamento. Visitou cidades da Itália e Grécia. Publicou obras em em francês e escreveu seus relatos de viagens. Ela teve contato com o positivismo de Augusto Comte, em um curso de História Geral da Humanidade realizado pelo referido autor em Paris. Ela então se tornou uma amiga de Comte, e, posteriormente, deu ao filósofo um exemplar de seu livro Opúsculo Humanitário.Augusto Comte disse sobre a citada obra de Nísia para o filósofo positivista francês Pierre Laffitte em 30 de setembro de 1856:

“Desde que fiquei inteiramente livre, fiz as leituras excepcionais que espontaneamente prometera. O opúsculo em português, além de revelar-me que eu sabia indiretamente mais uma língua, inspira-me sólidas razões para esperar se tornar a nobre dama, sua autora, dentro em breve, uma digna positivista, susceptível de alta eficácia para a nossas propaganda feminina e meridional.”

Comte gostaria que Nísia fundasse o primeiro salão positivista em Paris. Em carta a Gaston d’Audiffret-Pasquier, membro da Academia Francesa,  ele disse: “Durante vossa visita de outono, comunicar-vos-ei especialmente as fundadas esperanças que me inspiram, para o nosso mais decisivo progresso, duas novas discípulas meridionais, uma nobre viúva brasileira, e sobretudo sua digna filha, contando respectivamente 47 e 22 anos. Estão em Paris há sete meses e tenho motivo de esperar que aqui se fixarão, de modo a poderem presidir o verdadeiro salão positivista que nos seria tão precioso. Ambas são eminentes pelo coração e suficientes quanto ao espírito. Acha-se, contudo, a mãe de tal modo imbuída dos hábitos do século dezoito, que pouco devemos esperar da plenitude de sua conversão, embora suas simpatias remontem ao meu curso de 1851, cuja influência ela não pôde, entretanto, receber senão através de uma única das sessões. Sua filha, porém, comporta uma incorporação completa, que a mãe secundará sem rivalidade disfarçada”.

Quando houve o funeral da escritora parisiense Clotilde de Vaux, Nísia discursou elogiando a escritora e esse discurso comoveu Comte. Nísia ao falar fez um paralelo com suas obras de cunho feminista, destacando as ideias de Comte como uma doutrina regeneradora capaz de libertar as mulheres da situação degradante em que se encontravam. Disse Nisia:

“Uma lágrima por prece, sobre o teu túmulo! Uma lágrima que te oferece um coração, tão cedo quanto o teu iniciado nos mistérios da dor!

Recebe este pequenino tributo de uma estrangeira, que o não seria, se lhe tivesse sido dada a ventura de conhecer-te em vida, pois corações como o teu não alimentam preconceitos nacionalistas, que dividem os homens e retardam o verdadeiro progresso da humanidade.

Alma pura e afetuosa, passaste apenas pela terra, como a flor primaveril! - Mais feliz do que ela, todavia, encontraste nos teus últimos dias, um grande guia, que conservou o teu perfume em seu nobre coração, como a vestal zelava pelo fogo sagrado do templo. Esse perfume ele o esparze, agora, pelo mundo inteiro, em incomparáveis trabalhos que te imortalizarão, tanto quanto a ele próprio.

Nova Beatriz, teu nome passará às gerações vindouras com uma glória ainda maior, pois não é a admirável ficção de um grande poeta, mas a doutrina regeneradora de um grande filósofo que tira, por teu influxo, a mulher da degradação em que ainda se encontra.

A ti, Clotilde de Vaux, as homenagens sinceras e o profundo reconhecimento de todas as mulheres de coração. A ti,minha prece de hoje, a ti, um voto de fraternidade: queira o Grã-Ser torná-lo tão eficaz quanto o foram tuas sublimes virtudes!

Dorme, anjo da doçura e de amor, dorme o sono dos justos em tua última jazida

Hei de evocar, doravante, a tua memória, em nome de todas as mulheres, para que realizem a nobre missão que tanto te preocupavas em inspirar-lhes.

Virei associar, à tua imagem, a daqueles a quem choro: Pai, Esposo e Mãe. A rememoração desta querida trindade que me foi, ai de mim!, tão cedo arrebatada, é digna (pelo amor da Humanidade, de que deu tantas provas) de ser incorporada à tua lembrança.”

No período de 1870-1871, devido ao cerco de Paris na ocasião dos combates da guerra entre França e Prússia e depois com os conflitos envolvendo a Comuna de Paris, Nísia saiu de Paris e foi para cidades suiças e espanholas, tendo retornado ao Brasil em 1872, que passava por vigorosa campanha ablolicionista liderada por Joaquim Nabuco. Em 1875 Nísia foi de novo para a Europa e morou em Londres, Berlim, Lisboa e Paris. Depois foi morar no interior da França e lá publicou em 1878 a obra Fragments d’un Ouvrage Inédit: Notes Biographiques.

Em 24 de abril de 1885, Nísia Floresta faleceu devido a uma pneumonia, na cidade francesa de Rouen, com 74 anos de idade. Foi enterrada em Bonsecours, Normandia, França. Em agosto de 1954 seus restos mortais foram levados para a sua terra natal no Brasil.

Segundo a autora Constância Lima Duarte, que escreveu o livro Nísia Floresta: Vida e Obra, Nísia está no que ela define como "bom feminismo". Para esta autora, Nísia não pretendia alterar de forma substancial as relações sociais, mantendo as mulheres nos limites ideológicos do privado:  "Ao evocar uma formação cultural feminina aprimorada, suas sugestões enclausuravam a mulher nas mesmas funções cotidianas, ou seja, o cuidado com a casa e a família”.

A autora Branca Moreira Alves, disse sobre Nísia que o feminismo de Nísia Floresta se misturava a uma visão romântica da mulher na qual a dedicação à família e ao lar ainda era a direção para a trajetória feminina: "No entanto, como esperar um posicionamento díspar da sua época?”

Ainda que com as limitações devido ao contexto, houve várias críticas de Nísia à forma como as mulheres eram tratadas e à educação da época, o que pode ser visto em dizeres dela em obras que ela escreveu:

“Não poderá haver no Brasil uma boa educação da mocidade, enquanto o sistema de nossa educação, quer doméstica, quer pública, não for radicalmente reformado [...]”

“Flutuando como barco sem rumo ao sabor do vento neste mar borrascoso que se chama mundo, a mulher foi até aqui conduzida segundo o egoísmo, o interesse pessoal, predominante nos homens de todas as nações.”

 “Todos os brasileiros, qualquer que tenha sido o lugar de seu nascimento, têm iguais direitos à fruição dos bens distribuídos pelo seu governo, assim como à consideração e ao interesse de seus concidadãos.”

“Se cada homem (…) fosse obrigado a declarar o que sente a respeito de nosso sexo, encontraríamos todos de acordo em dizer que nós nascemos para seu uso, (…) reger uma casa, servir, obedecer e aprazer aos nossos amos, isto é, a eles homens.”

“Se este sexo altivo quer fazer-nos acreditar que tem sobre nós um direito natural de superioridade, por que não nos prova o privilégio, que para isso recebeu da Natureza, servindo-se de sua razão para se convencerem?”

 “Que personagens singulares! (…) Exigir uma servidão a que eles mesmos não têm coragem de se submeter, (…) e querer que lhe sirvamos de ludibrio, nós, a quem eles são obrigados a fazer a corte e atrair em seus laços com as submissões mais humilhantes.”



Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Pipiras

 




 

Pipiras pousam na sacada,

Elas sacaram

Que se pousarem receberão sua mesada diária.

Não infância não tive mesada

Do meu pai,

Mas já disse muito “ai”,

Em topadas com o dedo mindinho

Na perna da mesa.

Se dói?

Ah! Com certeza,

Era uma experiência pra lá de transcendental!

A cada batida eu via anjos,

Tocando banjos,

No quintal.

Pipira é um passarinho,

É um pássaro bonitinho,

Que come o mamão,

Que eu coloco bem cedinho.

Passarinhos inteligentes,

Gostam dos clássicos imortais,

Enquanto ouvem atentamente,

Fico ali na paz,

À toa,

Vendo curtirem um Mozart ou um Beethoven.

É rapaz,

Gosto quando as pipiras vem,

São todas “gente boa”,

“Gente boa demais!”

 

Márcio José Matos Rodrigues

 


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

As Guerras do Ópio

 





As Guerras do Ópio se caracterizaram por  intervenções militares imperialistas e neocolonialistas por parte do governo britânico e depois também pelo Império da França em relação à China, abrindo caminho para a expansão imperialista de outros países em territórios que foram tomados do Império Chinês. Além de serem atos do imperialismo inglês e francês, também resultaram em uma violência contra o povo chinês, impondo o comércio do ópio, uma droga que causava dependência química e psicológica , deixando milhões de jovens chineses prejudicados pelo uso constante desta droga e interferindo no bem estar da sociedade chinesa. Nas duas guerras, as forças armadas francesas e britânicas saíram vitoriosas e conseguiram privilégios comerciais no território chinês, pois por meio dos Tratados Desiguais o governo da China foi obrigado a liberar o comércio do ópio, teve de abrir portos a comerciantes estrangeiros e ceder áreas do território chinês. Esses conflitos enfraqueceram a dinastia chinesa Qing que veio a cair no início do século XX.

 

Primeira Guerra do Ópio (1839 a 1842):

O governo chinês quis acabar com o comércio do ópio em seu território. Essa proibição afetou os comerciantes ingleses que vendiam ópio, uma droga, para os chineses desde o século XVIII.  O governo da China considerou os malefícios que a droga, vendida amplamente pelos ingleses, estava causando para a sua juventude, afetando gravemente a economia e a sociedade do país.

O comércio do ópio era muito desejado para os ingleses, pois outros produtos europeus não despertavam muito interesse em consumo na China e a balança comercial sem o ópio ficava a favor desta que vendia chá, seda e porcelanas.

O governo chinês tentou acabar com o comércio de ópio e em março de 1839 apreendeu e mandou destruir 20 mil caixas desta droga que pertenciam a comerciantes da Grã-Bretanha da Companhia das Índias Orientais. Tais medidas do governo chinês  irritaram o governo britânico porque o comércio do ópio estava sendo proibido e as caixas dos comerciantes foram destruídas. Outro fato que contribuiu para acirrar a tensão foi o envolvimento de marinheiros ingleses numa briga que levou à morte um cidadão chinês. Os ingleses não quiseram se submeter a um tribunal chinês e o governo da China resolveu então proibir o comércio e o abastecimento de navios britânicos. 

A resposta inglesa aos atos de proibição do comércio britânico na China foi o envio de uma força expedicionária em 1840. As forças britânicas fizeram ataques a barcos e portos chineses na área da foz do Rio das Pérolas e objetivavam a conquista da cidade chinesa de Cantão.

Os britânicos tinham vantagens tecnológicas em relação aos armamentos usados e tinham táticas superiores. As perdas britânicas não eram altas. Após várias vitórias militares em agosto de 1842 as forças do Império Britânico chegaram perto da cidade de Nanquim. Nessa ocasião foram recebidos por representantes do governo chinês que dizia aceitar as exigências britânicas para finalizar a guerra.

Em 29 de agosto de 1842 foi assinado o Tratado de Nanquim, obrigando a China a pagar uma grande indenização ao Reino Britânico e também a ceder Hong Kong, assim como aumentar o número de portos abertos ao livre comércio com os estrangeiros. Esse Tratado foi o primeiro dos “Tratados Desiguais”, impostos à China devido às Guerras do Ópio. E em 1843 os chineses tiveram de aceitar o Tratado de Humen que dizia que os ingleses somente poderiam ser julgados nos tribunais da Grã-Bretanha. Após esses tratados foram feitos acordos também com França e Estados Unidos que também queriam comercializar ópio.

Segunda Guerra do Ópio (1856-1860)

Os britânicos faziam pressão sobre a China em relação ao tratado comercial. E o império chinês continuavam a querer dificultar o tráfico de ópio que atingia sua juventude. Houve em 1856 um navio inglês capturado por autoridades chinesas sob acisação de estar exercendo atividades de pirataria. Doze tripulantes foram presos. Após reclamações dos britânicos foram soltos nove marinheiros. Diante dessa situação, houve um bombardeio por parte dos ingleses na cidade de Cantão e os chineses reagiram queimando fábricas e armazéns comerciais europeus. Nessa época a França entrou na guerra.  Após a morte de um missionário francês em 1856 foi então enviada uma força armada francesa para a China. Começava a Segunda Guerra do Ópio.

Inglaterra e França tinham superioridade na tecnologia militar e a China estava convulsionada por um conflito interno: a Revolta dos Taipings (1850-1864).

Tropas britânicas  e francesas após chegar até Tianjin, forçaram os chineses a assinar o Tratado de Tianjin, que estipulava mais indenizações, a abertura de mais portos ao comércio internacional e o estabelecimento de embaixadas da França, Rússia, EUA e Grã-Bretanha em Pequim. Mesmo com esse acordo a China resistia a cumprir certas exigências e a guerra continuou até a conquista de Pequim pelas forças britânicas e francesas. A conquista de Pequim levou o governo chinês a aceitar a Convenção de Pequim (1860), que estabeleceu que a China deveria pagar nova indenização, não haveria limitações à expansão do cristianismo e o ópio seria legalizado.

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Sobre o ópio diz o site Brasil Escola:

O ópio é um suco espesso extraído dos frutos imaturos de várias espécies de papoulas soníferas, utilizado como narcótico. Planta essa que cresce naturalmente na Ásia, sendo originária do Mediterrâneo e Oriente Médio.

O ópio tem um cheiro característico, que é desagradável, sabor amargo e cor castanha. É utilizado pela medicina como analgésico.

Os principais alcalóides do ópio são: a morfina, a codeína, a tebaína, a papaverina, a narcotina e a narceína.

O cultivo da planta é legal, serve de fonte de matéria-prima em laboratórios farmacêuticos. Porém, grande parte das plantações é ilegal, sua produção é destinada ao comércio clandestino de ópio e heroína. No mercado ilegal o ópio é vendido em barras ou reduzido a pó e embalado em cápsulas ou comprimidos.

O uso do ópio foi espalhado no Oriente, mascado ou fumado. Esse provoca euforia, dependência física, seguida de decadência física e intelectual. Os efeitos físicos decorrentes da utilização do ópio são: náuseas, vômitos, ansiedade, tonturas e falta de ar. O efeito dura de três a quatro horas.

O ópio provoca dependência no organismo. O dependente fica magro, com a cor amarela e tem sua resistência às infecções diminuída.

Devido a grave dependência que o ópio causa, o usuário pode morrer em razão da síndrome de abstinência. A crise de abstinência inicia-se dentro de doze horas, aproximadamente, apresenta-se de várias formas, ocorrendo desde bocejos até diarreias, passando por rinorréia, lacrimação, suores, falta de apetite, pele com arrepios, tremores, câimbras abdominais, insônia, inquietação e vômitos.

Por Patrícia Lopes


Equipe Brasil Escola

 

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Márcio José Matos Rodrigues- Professor de História