As Guerras do Ópio se caracterizaram
por intervenções militares imperialistas e neocolonialistas por
parte do governo britânico e depois também pelo Império da França em relação à
China, abrindo caminho para a expansão imperialista de outros países em
territórios que foram tomados do Império Chinês. Além de serem atos do
imperialismo inglês e francês, também resultaram em uma violência contra o povo
chinês, impondo o comércio do ópio, uma droga que causava dependência química e
psicológica , deixando milhões de jovens chineses prejudicados pelo uso
constante desta droga e interferindo no bem estar da sociedade
chinesa. Nas duas guerras, as forças armadas francesas e
britânicas saíram vitoriosas e conseguiram privilégios
comerciais no território chinês, pois por meio dos Tratados Desiguais o
governo da China foi obrigado a liberar o comércio do ópio, teve de abrir
portos a comerciantes estrangeiros e ceder áreas do território chinês. Esses
conflitos enfraqueceram a dinastia chinesa Qing que veio a cair no início do
século XX.
Primeira Guerra do
Ópio (1839 a 1842):
O governo chinês quis acabar com o
comércio do ópio em seu território. Essa proibição afetou os comerciantes
ingleses que vendiam ópio, uma droga, para os chineses desde o século
XVIII. O governo da China considerou os malefícios que a droga,
vendida amplamente pelos ingleses, estava causando para a sua juventude,
afetando gravemente a economia e a sociedade do país.
O comércio do ópio era muito desejado
para os ingleses, pois outros produtos europeus não despertavam muito interesse
em consumo na China e a balança comercial sem o ópio ficava a favor desta que
vendia chá, seda e porcelanas.
O governo chinês tentou acabar com o
comércio de ópio e em março de 1839 apreendeu e mandou destruir 20 mil caixas
desta droga que pertenciam a comerciantes da Grã-Bretanha da Companhia das
Índias Orientais. Tais medidas do governo chinês irritaram o governo
britânico porque o comércio do ópio estava sendo proibido e as caixas dos
comerciantes foram destruídas. Outro fato que contribuiu para acirrar a tensão
foi o envolvimento de marinheiros ingleses numa briga que levou à morte um
cidadão chinês. Os ingleses não quiseram se submeter a um tribunal chinês e o
governo da China resolveu então proibir o comércio e o abastecimento de navios
britânicos.
A resposta inglesa aos atos de
proibição do comércio britânico na China foi o envio de uma força
expedicionária em 1840. As forças britânicas fizeram ataques a barcos e portos
chineses na área da foz do Rio das Pérolas e objetivavam a conquista da cidade
chinesa de Cantão.
Os britânicos tinham vantagens
tecnológicas em relação aos armamentos usados e tinham táticas superiores. As
perdas britânicas não eram altas. Após várias vitórias militares em agosto de
1842 as forças do Império Britânico chegaram perto da cidade de Nanquim. Nessa
ocasião foram recebidos por representantes do governo chinês que dizia aceitar
as exigências britânicas para finalizar a guerra.
Em 29 de agosto de 1842 foi assinado o
Tratado de Nanquim, obrigando a China a pagar uma grande indenização ao Reino
Britânico e também a ceder Hong Kong, assim como aumentar o número de portos
abertos ao livre comércio com os estrangeiros. Esse Tratado foi o primeiro dos
“Tratados Desiguais”, impostos à China devido às Guerras do Ópio. E em 1843 os
chineses tiveram de aceitar o Tratado de Humen que dizia que
os ingleses somente poderiam ser julgados nos tribunais
da Grã-Bretanha. Após esses tratados foram feitos acordos também com
França e Estados Unidos que também queriam comercializar ópio.
Segunda Guerra do Ópio (1856-1860)
Os britânicos faziam pressão sobre a
China em relação ao tratado comercial. E o império chinês continuavam a querer
dificultar o tráfico de ópio que atingia sua juventude. Houve em 1856 um navio
inglês capturado por autoridades chinesas sob acisação de estar exercendo
atividades de pirataria. Doze tripulantes foram presos. Após reclamações dos
britânicos foram soltos nove marinheiros. Diante dessa situação, houve um
bombardeio por parte dos ingleses na cidade de Cantão e os chineses reagiram
queimando fábricas e armazéns comerciais europeus. Nessa época a França entrou
na guerra. Após a morte de um missionário francês em 1856 foi
então enviada uma força armada francesa para a China. Começava a Segunda Guerra
do Ópio.
Inglaterra e França tinham superioridade na
tecnologia militar e a China estava convulsionada por um conflito interno:
a Revolta dos Taipings (1850-1864).
Tropas britânicas e
francesas após chegar até Tianjin, forçaram os chineses a assinar o Tratado
de Tianjin, que estipulava mais indenizações, a abertura de mais
portos ao comércio internacional e o estabelecimento de embaixadas da França,
Rússia, EUA e Grã-Bretanha em Pequim. Mesmo com esse acordo a China resistia a
cumprir certas exigências e a guerra continuou até a conquista de Pequim pelas
forças britânicas e francesas. A conquista de Pequim levou o governo chinês a
aceitar a Convenção de Pequim (1860), que estabeleceu que a China
deveria pagar nova indenização, não haveria limitações à expansão do
cristianismo e o ópio seria legalizado.
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Sobre o ópio diz o site Brasil Escola:
O ópio é um suco espesso extraído dos frutos imaturos de várias espécies
de papoulas soníferas, utilizado como narcótico. Planta essa que cresce
naturalmente na Ásia, sendo originária do Mediterrâneo e Oriente Médio.
O ópio tem um cheiro característico, que é desagradável, sabor amargo e
cor castanha. É utilizado pela medicina como analgésico.
Os principais alcalóides do ópio são: a morfina, a codeína, a tebaína, a
papaverina, a narcotina e a narceína.
O cultivo da planta é legal, serve de fonte de matéria-prima em
laboratórios farmacêuticos. Porém, grande parte das plantações é ilegal, sua
produção é destinada ao comércio clandestino de ópio e heroína. No mercado
ilegal o ópio é vendido em barras ou reduzido a pó e embalado em cápsulas ou
comprimidos.
O uso do ópio foi espalhado no Oriente, mascado ou fumado. Esse provoca
euforia, dependência física, seguida de decadência física e intelectual. Os
efeitos físicos decorrentes da utilização do ópio são: náuseas, vômitos, ansiedade,
tonturas e falta de ar. O efeito dura de três a quatro horas.
O ópio provoca dependência no organismo. O dependente fica magro, com a
cor amarela e tem sua resistência às infecções diminuída.
Devido a grave dependência que o ópio causa, o usuário pode morrer em
razão da síndrome de abstinência. A crise de abstinência inicia-se dentro de
doze horas, aproximadamente, apresenta-se de várias formas, ocorrendo desde
bocejos até diarreias, passando por rinorréia, lacrimação, suores, falta de
apetite, pele com arrepios, tremores, câimbras abdominais, insônia, inquietação
e vômitos.
Por Patrícia Lopes
Equipe Brasil Escola
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Márcio José Matos Rodrigues- Professor de História

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