terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Trump e a postura atual dos Estados Unidos na política internacional

 





A postura atual dos Estados Unidos no mundo tem sido de tendência bastante intervencionista e ao mesmo tempo protecionista sob o comando do presidente Donald Trump.

Esta posição tem relação com outras posições políticas de épocas passadas influenciam o presidente atual. Também a postura do governo atual tem muito a ver com a própria personalidade dele.

A seguir uma parte do artigo da Agência Hora de 04/04/2025:  Por que Trump tem comportamento tão radical? Veja a explicação científica.

“(...) Entre declarações polêmicas e decisões contestáveis, Donald Trump desperta curiosidade e apreensão em todo o mundo. Sua personalidade forte se traduz em atitudes que podem ser consideradas impulsivas e intolerantes. Diante disso, muitos se questionam: o que se passa em sua mente?

O psicólogo Dan McAdams, especialista em personalidade e professor da Universidade Northwestern, buscou compreender os traços mais marcantes de Trump. Em sua análise, concluiu que ele apresenta um perfil extremamente narcisista.

Em sua mente, ele é mais como uma persona do que uma pessoa, mais como uma força primordial ou super-herói, do que um ser humano totalmente realizado”, afirma McAdams em seu livro The Strange Case of Donald J. Trump: A Psychological Reckoning.

A performance constante e o instinto primitivo

Trump se esforça para atuar como Donald Trump. Ele faz isso de forma consciente. “Ele se move pela vida como um homem que sabe que está sempre sendo observado”, explica McAdams.

 Teatralidade é essencial para sua “liderança orientada para a dominância”. Para o psicólogo, o modelo de liderança se baseia no medo e no poder, lembrando estruturas primitivas da evolução humana.

Para muitos americanos, sua postura exagerada e suas declarações polêmicas têm um “apelo primitivo”. McAdams compara seu comportamento à forma como chimpanzés intimidam adversários.

 

Energia incontrolável e temperamento explosivo

Ainda segundo o psicólogo, a extroversão é marcada pelo entusiasmo e pela busca por experiências. Esse traço está fortemente presente em Trump. Pessoas extrovertidas estão sempre em busca de recompensas.

“Incitados pela atividade dos circuitos de dopamina no cérebro, atores altamente extrovertidos são levados a buscar experiências emocionais positivas, sejam elas na forma de aprovação social, fama ou riqueza”, diz McAdams.

“É a busca em si, mais até do que a obtenção real do objetivo, que os extrovertidos acham tão gratificante.” Esse comportamento explica muitas de suas atitudes arrogantes. Seu ego extrovertido se alimenta da necessidade de dominar.

Para McAdams, apesar do teatro, sua raiva é autêntica. Isso torna a convivência difícil, mas também fortalece sua imagem. A agressividade é vista por seus eleitores como sinal de firmeza.

Trump não demonstra preocupação com valores tradicionais americanos. “Ao contrário de qualquer presidente dos EUA nos últimos 100 anos, Trump nem sequer finge interesse em defender valores americanos tão sagrados como o respeito pelos direitos humanos ou a oposição à tirania”, aponta McAdams.

 

O narcisismo como marca registrada

Amor-próprio excessivo e exibicionismo são marcas do narcisismo. Trump personifica essas características. Seu nome está em tudo que toca, garantindo que seja sempre lembrado.

Ele também provoca polêmicas e usa sua teatralidade para chamar atenção. Para McAdams, isso vem da infância. Trump sempre foi competitivo, envolvido em esportes e treinado em uma academia militar.

“Pessoas com fortes necessidades narcisistas querem amar a si mesmas, e querem desesperadamente que os outros as amem também — ou pelo menos as admirem, as vejam como brilhantes, poderosas e bonitas, até mesmo apenas as vejam, ponto final (...)”.

Também sobre a personalidade de Trump destaco o artigo de Luís Caeiro, Professor de Liderança na Catolica Lisbon School of Business and Economics. Abaixo uma parte deste artigo:

 

 AS FALSAS CRENÇAS SOBRE A LIDERANÇA. Donald Trump: uma liderança carismática personalizada

 

Ainda durante a campanha eleitoral de 2016, um grupo de 3 000 psicoterapeutas sob a designação de  Citizen Therapists for Democracy publicaram um manifesto (Citizen Therapists Against Trumpism) alertando para o surgimento de uma ideologia “trumpista” que ameaçava o bem-estar e a democracia. O criador do manifesto, William Doherty, professor de psicologia da Universidade do Minnesota, justificou a sua posição dizendo que “temos que nos preocupar com a saúde mental pública e as condições sociais que promovem o florescimento ou a disfunção humana, o que significa termos um envolvimento público…”. Pouco depois, um grupo de 35 especialistas de saúde mental enviou uma carta ao The New York Times declarando que os sinais de grave instabilidade emocional de Trump o tornavam incapaz de desempenhar as funções de presidente.

 

Em 2017, o grupo Duty to Warn, criado por John Gartner, um psicoterapeuta professor da Escola Médica da Universidade Johns Hopkins, recolheu mais de 60 000 assinaturas de profissionais de saúde mental e enviou para Washington uma petição (Mental Health Professionals Declare Trump is Mentally Ill And Must Be Removed) onde se afirmava que Donald Trump tinha “problemas mentais graves que o tornavam psicologicamente incapaz de desempenhar de forma competente os deveres de presidente dos Estados Unidos”.

Numa conferência na Universidade de Yale Gartner disse que “temos a responsabilidade ética de alertar o público sobre a perigosa doença mental de Donald Trump”. Em resposta a estas declarações, Allen Frances, da Universidade de Duke, escreveu uma carta à Times denunciando que não havia bases para se considerar Trump um doente mental, mas afirmou que, no entanto, “pode e deve ser denunciado pela sua ignorância, incompetência, impulsividade e busca de poderes ditatoriais”.

Vinicius Carvalho publicou no dia 12 de janeiro de 2026 em Àrea VIP 25 anos:

PhD em psicologia e neurociência do Centro para o Bem-Estar Cognitivo e Comportamental da Universidade de Boulder, no Colorado, Frank George, disse que o americano está com “Demência Frontotemporal” em estágio inicial.

Ele veio à público para rebater comentários que Donald estaria com Alzheimer, e acabou revelando que na verdade é outra enfermidade. Em artigo divulgado no Substack e no LinkedIn, George disse que o público merece “fatos, e não conjecturas”, declarando que “o Alzheimer debilita uma pessoa. Trump não está debilitando, está piorando, e você precisa saber o motivo assustador disso.”

 Especialista faz análise de Donald Trump

 O especialista comentou que os sintomas do Republicano são condizentes com Demência Frontotemporal, devido a mudanças de comportamento, personalidade, linguagem e funções motoras. George explica que “isso não é um palpite tirado do nada”, porém a conclusão de uma análise de centenas de especialistas.

 O doutor explicou que a doença é gerada pela perda progressiva de células nervosas nos lobos frontais e temporais. Dessa forma, um dos sintomas é a confabulação, criação de falsas memórias. Ele citou exemplo de o americano acreditar que encerrou oito guerras desde 2025 (...)

(...) Outros sintomas são o andar desajeitado, postura irregular, perda de decoro, impulsividade e ações desmedidas, e a troca de palavras em discursos recentes como “United States” por “United Shersh”, “mísseis” por “mishes” e “Christmas” por “cricious” (...)

Considerando as análises expostas, percebe-se uma liderança autoritária, narcisista, populista,  instável emocionalmente e que pode estar desenvolvendo um tipo de demência. Estes aspectos emocionais do presidente somam-se a uma história de imperialismo dos Estados Unidos como potência militar e econômica.

Farei um retrospecto de modelos e doutrinas de política externa dos Estados Unidos no passado para se entender melhor como este país desde o século XIX tem realizado sua expansão e também destacando o atual Corolário Trump:

 

Doutrina Monroe:

Foi criada em dezembro de 1823 pelo presidente James Monroe contra interferências européias no continente americano e para fortalecer a influência dos Estados Unidos no continente. Na época países independentes estavam surgindo na América Latina e os países colonizadores entravam na Santa Aliança que defendia o absolutismo e com a existência de interesses recolonizadores.

Os objetivos da Doutrina eram a não recolonização, impedir que potências européias fizessem intervenções nas questões internas de nações latino americanas e a manutenção dos Estados Unidos fora de conflitos europeus. Mas além de pregar a defesa da independência de países latino americanos, houve posteriormente, perto do fim do século XIX,  a justificativa de intervenções dos Estados Unidos em países da América Latina. A frase que resume a Doutrina Monroe é : “América para os americanos”. Na época que Monroe criou essa doutrina os Estados Unidos ainda não eram nem mesmo uma potência regional. Mas de 1891 a 1912 os EUA realizaram uma série de intervenções militares para aumentar a influência militar, econômica e política na região do Caribe.

 

Destino Manifesto

Doutrina do Destino Manifesto surgiu a partir do termo criado pelo jornalista John Louis O'Sullivan na década de 1840. Segundo essa doutrina os Estados Unidos tinham uma missão divina de se expandir e impor seus valores culturais. A expansão seria não só desejável, como também um direito divino. As crenças neste sentido motivaram a anexação de terras indígenas no Oeste e a conquista de territórios que eram do México por meio de uma guerra. Havia uma relação entre a Doutrina Monroe e a do Destino Manifesto, pois ambas foram utilizadas para justificar as pretensões expansionistas dos EUA.

 

Big Stick (“O grande porrete”)

Essa política aconteceu no início do século XX. Por essa política os Estados Unidos ampliavam a sua idéia de que tinham direito de se expandirem em outros países para garantir objetivos econômicos, utilizando diplomacia e força militar. O termo foi criado pelo presidente Theodore Roosevelt em 1901 quando citou um provérbio africano que dizia: "com fala macia e um grande porrete, você vai longe".

Um acontecimento envolvendo esse princípio de intervenção ocorreu durante a intervenção da marinha alemã em portos da Venezuela em 1902 para cobrança de dívidas. Essa intervenção contrariava a Doutrina Monroe e os Estados Unidos resolveram intervir mandando navios, obrigando a uma negociação entre Venezuela e Alemanha para pagamento de dívidas. O presidente dos EUA fez uma modificação em 1904 da Doutrina Monroe. Segundo essa alteração, poderia haver intervenção dos EUA em caso de nações americanas não terem capacidade de reagir diante de ações de outros países.

A política do Big Stick foi defendida por T.Roosevelt, pois os EUA teriam, segundo ele, o direito de agirem como uma polícia mundial para garantir a ordem. Também foi usada em casos como do Canal do Panamá. Diante de resistências da Colômbia em aceitar termos do governo dos EUA, foi favorecida uma parte da Colômbia se separar formando o Panamá, que aceitou as determinações dos EUA sobre o canal.

 

Diplomacia do dólar

Por meio dessa política instituída pelo presidente William Howard Taft, que governou após o mandato de Teodhore Roosevelt, os Estados Unidos realizaram intervenções financeiras que levaram ao estabelecimento de controles sobre as finanças de Estados da América Central e Caribe.

Na atualidade, considerando pressupostos políticos e ideológicos citados (Doutrina Monroe, Doutrina do Destino Manifesto, Big Stick, Diplomacia do Dólar) e considerando também a própria personalidade do presidente Trump, surgiram uma série de condutas do governo deste presidente.

Corolário Trump:

Trump citou em documento a "migração ilegal e desestabilizadora" como um dos principais problemas originados na América Latina. Outra questão que Trump destaca em sua política é a necessidade de combater cartéis de drogas da América Latina que enviam principalmente cocaína para os EUA .

Há a crença da parte dos que planejam a segurança nacional atualmente dos EUA de que a América Latina é  "parte da sua fronteira de segurança interna”. O autor Bernabé Malacalza em seu livro del Siglo XXI ("As cruzadas do século 21", em tradução livre) disse: "A América Latina passou a ser prioridade para os Estados Unidos".

Em suas ações de política externa passou a haver o slogan de Trump: America First (Os Estados Unidos em primeiro lugar). Assim é defendida a ideia do uso de"alíquotas e acordos comerciais recíprocos como ferramentas poderosas”.

Também foi feito o alerta de limitar atividades de potências estrangeiras consideradas hostis (referência implícita à China). O interesse de Trump além do fortalecimento das empresas dos EUA é que países tenham economias fortes para aumentar relações comerciais  com os EUA. Segundo o objetivo de Trump: “um hemisfério ocidental economicamente mais forte e sofisticado se transforma em um mercado cada vez mais atraente para o comércio e os investimentos dos Estados Unidos". Para conseguir o apoio de nações, é destacado que “a força é o melhor elemento de dissuasão”. Assim, é reforçada a ideia de "paz pela força", que já era defendida pelo presidente norte-americano Ronald Reagan.

Segundo o professor Malacalza sobre a política de segurança em relação à América Latina: "não configura uma arquitetura regional ou hemisférica, mas sim procura fazer com que os países se alinhem aos Estados Unidos e, em última instância, a Trump". Segundo o pensamento trumpista: "Recompensaremos e incentivaremos os governos, partidos políticos e movimentos da região que se alinharem amplamente aos nossos princípios e estratégia”. Neste sentido há a intenção de apoiar líderes e aliados regionais "capazes de promover uma estabilidade razoável na região”.

Segundo Carlos Sanchez Berzain em O “Corolário Trump à Doutrina Monroe” define a geopolítica e a mudança nas Américas (07/12/2025):

O texto da Estratégia de Segurança Nacional afirma que “os Estados Unidos reafirmarão e implementarão a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental e proteger nossa pátria e o acesso a geografias-chave em toda a região. Negaremos a concorrentes não hemisféricos a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais, em nosso Hemisfério. O Corolário Trump à Doutrina Monroe é uma restauração sensata e enérgica do poder e das prioridades americanas, consistente com os interesses de segurança dos Estados Unidos.”(...)

Segundo o professor de Relações Internacionais Ricardo Leães em seu artigo no Correio Braziliense:

As cenas da ope­ra­ção mili­tar dos Esta­dos Uni­dos na Vene­zu­ela, na madru­gada do dia 2 para 3 de janeiro, são impac­tan­tes: bom­bar­deios sele­ti­vos e o seques­tro de Nico­lás Maduro — agora ex-pre­si­dente do país — e de sua esposa, Cilia Flo­res. Mais do que uma ação com o obje­tivo de apro­priar-se dos recur­sos petro­lí­fe­ros vene­zu­e­la­nos, a ini­ci­a­tiva revela algo maior: o retorno decla­rado da Dou­trina Mon­roe na Amé­rica Latina.

 

A Dou­trina Mon­roe é um con­junto de prin­cí­pios esta­be­le­ci­dos em 1823 por James Mon­roe, então pre­si­dente dos Esta­dos Uni­dos. À época, os paí­ses latino-ame­ri­ca­nos luta­vam por sua inde­pen­dên­cia, mas enfren­ta­vam a resis­tên­cia dos euro­peus, que bus­ca­vam reto­mar a colo­ni­za­ção da região. Diante disso, Mon­roe bra­dou “Amé­ri­cas para os ame­ri­ca­nos”, rejei­tando o retorno do colo­ni­a­lismo euro­peu e defen­dendo a inde­pen­dên­cia das novas repú­bli­cas.

 

Com o pas­sar do tempo, entre­tanto, os dita­mes da Dou­trina Mon­roe fica­ram cla­ros: em vez de con­fi­gu­rar um fun­da­mento de res­peito à sobe­ra­nia e à liber­dade das nações latino-ame­ri­ca­nas, tra­tava-se de uma estra­té­gia de domi­na­ção esta­du­ni­dense sobre o sub­con­ti­nente. “Ame­ri­ca­nos”, para James Mon­roe, eram os nas­ci­dos nos Esta­dos Uni­dos — e não todos os habi­tan­tes das Amé­ri­cas.

 

A par­tir da virada do século 19 para o século 20, a Dou­trina Mon­roe ganhou uma nova colo­ra­ção, com o sur­gi­mento do Coro­lá­rio Roo­se­velt, que deli­neou a estra­té­gia impe­ri­a­lista dos Esta­dos Uni­dos para o Hemisfé­rio Oci­den­tal. Dora­vante, paí­ses que des­cum­pris­sem nor­mas e regras de Washing­ton pode­riam sofrer inter­ven­ções mili­ta­res, como de fato ocor­reu em inú­me­ras opor­tu­ni­da­des.

 

Pos­te­ri­or­mente, o sur­gi­mento dos movi­men­tos naci­o­na­lis­tas e soci­a­lis­tas na Amé­rica Latina pas­sou a ser visto como a maior ame­aça ao domí­nio esta­du­ni­dense na região, colo­cando em risco a Dou­trina Mon­roe. Por conta disso, além de rea­li­zar pres­são eco­nô­mica e mili­tar e finan­ciar gol­pes de Estado, Washing­ton bus­cou criar meca­nis­mos ins­ti­tu­ci­o­nais para afi­an­çar sua hege­mo­nia.

 

Nesse sen­tido, suces­si­vos pre­si­den­tes esta­du­ni­den­ses apren­de­ram que pode­riam exer­cer seu domí­nio sobre a Amé­rica Latina de forma indi­reta, ape­nas recor­rendo à vio­lên­cia em situ­a­ções limite. Nos demais casos, ini­ci­a­ti­vas de coop­ta­ção de eli­tes locais eram a pre­fe­rên­cia para asse­gu­rar que os latino-ame­ri­ca­nos não desa­fi­as­sem Washing­ton.

 

O segundo man­dato de Donald Trump, porém, repre­senta um ponto de infle­xão nessa his­tó­ria. O repu­bli­cano não somente tem defen­dido o retorno da Dou­trina Mon­roe, como apre­goou a cri­a­ção de outra estra­té­gia: o Coro­lá­rio Trump. Com efeito, esse plano está sina­li­zado na Estra­té­gia Naci­o­nal de Segu­rança (2025), docu­mento que indica as pre­fe­rên­cias de polí­tica externa da atual admi­nis­tra­ção.

 

Ao longo do texto, afirma-se que a pri­o­ri­dade dos Esta­dos Uni­dos será o Hemisfé­rio Oci­den­tal, um eufe­mismo para refe­rir-se à Amé­rica Latina. Além disso, anun­cia-se que a região deve ficar livre de influ­ên­cias de potên­cias extrar­re­gi­o­nais, uma clara — mesmo que velada — refe­rên­cia à China e, em menor medida, à Rús­sia.

 

Segundo essa pers­pec­tiva, os paí­ses latino-ame­ri­ca­nos não mais deve­rão apre­sen­tar polí­ti­cas de cunho autô­nomo, devendo acei­tar a sub­ser­vi­ên­cia aos dita­mes e inte­res­ses de Washing­ton. Desse modo, os che­fes de Estado que acei­ta­rem essa impo­si­ção seriam recom­pen­sa­dos pelo governo dos Esta­dos Uni­dos.

 

Ade­mais, frisa-se que os recur­sos natu­rais do sub­con­ti­nente deve­rão ser­vir para abas­te­cer a eco­no­mia e as For­ças Arma­das esta­du­ni­den­ses, amal­ga­mando con­ve­ni­ên­cias geo­e­co­nô­mi­cas e geo­po­lí­ti­cas. Por certo, quando Marco Rubio, secre­tá­rio de Estado de Trump, afirma que o inte­resse dos Esta­dos Uni­dos no petró­leo vene­zu­e­lano é no sen­tido de evi­tar que esses hidro­car­bo­ne­tos este­jam em posse de chi­ne­ses e rus­sos, mate­ri­a­li­zam-se os prin­cí­pios ela­bo­ra­dos na Estra­té­gia Naci­o­nal de Segu­rança (...).

 

Dentro da estratégia do governo Trump, com sua atual interpretação da Doutrina Monroe, está se supondo a anexação ou compra da Groenlândia (ligada atualmente à Dinamarca); e estão sendo especulados ataques à Cuba e Colômbia.

Para quem rezou por paz e menos violência em dezembro de 2025 para o ano de 2026, o ano novo começou com muitas incertezas sobre a paz mundial. Trump está afastando tradicionais aliados dos EUA como o Canadá e coloca em risco até mesmo a unidade da OTAN. Um crítico do governo dele já levantou a hipótese de que ele será tirado do poder em um processo de impeachment caso perca a maioria no Congresso. É uma possibilidade que existe sim e, se acontecer, que o substituto dele possa ser uma pessoa mais racional e menos belicista.

 

Márcio José Matos Rodrigues-Psicólogo e Professor de História.


Figura: https://share.america.gov/pt/imagens-da-segunda-posse-de-trump-galeria-de-fotos/


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