A postura atual
dos Estados Unidos no mundo tem sido de tendência bastante intervencionista e
ao mesmo tempo protecionista sob o comando do presidente Donald Trump.
Esta posição tem relação com
outras posições políticas de épocas passadas influenciam o presidente atual.
Também a postura do governo atual tem muito a ver com a própria personalidade
dele.
A seguir uma parte do artigo
da Agência Hora de 04/04/2025: Por que Trump tem comportamento tão radical? Veja a
explicação científica.
“(...) Entre declarações
polêmicas e decisões contestáveis, Donald Trump desperta curiosidade e
apreensão em todo o mundo. Sua personalidade forte se traduz em atitudes que
podem ser consideradas impulsivas e intolerantes. Diante disso, muitos se
questionam: o que se passa em sua mente?
O psicólogo Dan McAdams, especialista em
personalidade e professor da Universidade Northwestern, buscou compreender os
traços mais marcantes de Trump. Em sua análise, concluiu que ele apresenta um
perfil extremamente narcisista.
Em sua mente, ele é mais como uma persona do
que uma pessoa, mais como uma força primordial ou super-herói, do que um ser
humano totalmente realizado”, afirma McAdams em seu livro The Strange Case of
Donald J. Trump: A Psychological Reckoning.
A
performance constante e o instinto primitivo
Trump se esforça para
atuar como Donald Trump. Ele faz isso de forma consciente. “Ele se move pela
vida como um homem que sabe que está sempre sendo observado”, explica McAdams.
Teatralidade é
essencial para sua “liderança orientada para a dominância”. Para o psicólogo, o
modelo de liderança se baseia no medo e no poder, lembrando estruturas
primitivas da evolução humana.
Para muitos americanos, sua postura exagerada e suas
declarações polêmicas têm um “apelo primitivo”. McAdams compara seu
comportamento à forma como chimpanzés intimidam adversários.
Energia
incontrolável e temperamento explosivo
Ainda segundo o
psicólogo, a extroversão é marcada pelo entusiasmo e pela busca por
experiências. Esse traço está fortemente presente em Trump. Pessoas
extrovertidas estão sempre em busca de recompensas.
“Incitados pela
atividade dos circuitos de dopamina no cérebro, atores altamente extrovertidos
são levados a buscar experiências emocionais positivas, sejam elas na forma de
aprovação social, fama ou riqueza”, diz McAdams.
“É a busca em si, mais
até do que a obtenção real do objetivo, que os extrovertidos acham tão
gratificante.” Esse comportamento explica muitas de suas atitudes arrogantes.
Seu ego extrovertido se alimenta da necessidade de dominar.
Para McAdams, apesar do
teatro, sua raiva é autêntica. Isso torna a convivência difícil, mas também
fortalece sua imagem. A agressividade é vista por seus eleitores como sinal de
firmeza.
Trump não demonstra preocupação com valores tradicionais
americanos. “Ao contrário de qualquer presidente dos EUA nos
últimos 100 anos, Trump nem sequer finge interesse em defender valores
americanos tão sagrados como o respeito pelos direitos humanos ou a oposição à
tirania”, aponta McAdams.
O narcisismo
como marca registrada
Amor-próprio excessivo e
exibicionismo são marcas do narcisismo. Trump personifica essas
características. Seu nome está em tudo que toca, garantindo que seja sempre
lembrado.
Ele também provoca
polêmicas e usa sua teatralidade para chamar atenção. Para McAdams, isso vem da
infância. Trump sempre foi competitivo, envolvido em esportes e treinado em uma
academia militar.
“Pessoas com fortes
necessidades narcisistas querem amar a si mesmas, e querem desesperadamente que
os outros as amem também — ou pelo menos as admirem, as vejam como brilhantes,
poderosas e bonitas, até mesmo apenas as vejam, ponto final (...)”.
Também sobre a personalidade de
Trump destaco o artigo de Luís Caeiro, Professor de Liderança na
Catolica Lisbon School of Business and Economics. Abaixo uma parte deste
artigo:
AS FALSAS CRENÇAS SOBRE A
LIDERANÇA. Donald Trump: uma liderança carismática personalizada
Ainda durante a campanha
eleitoral de 2016, um grupo de 3 000 psicoterapeutas sob a designação de Citizen Therapists for Democracy publicaram
um manifesto (Citizen Therapists Against Trumpism) alertando para o surgimento
de uma ideologia “trumpista” que ameaçava o bem-estar e a democracia. O criador
do manifesto, William Doherty, professor de psicologia da Universidade do Minnesota, justificou
a sua posição dizendo que “temos que nos preocupar com a saúde mental pública e
as condições sociais que promovem o florescimento ou a disfunção humana, o que
significa termos um envolvimento público…”. Pouco depois, um grupo de 35
especialistas de saúde mental enviou uma carta ao The New York Times declarando
que os sinais de grave instabilidade emocional de Trump o tornavam incapaz de
desempenhar as funções de presidente.
Em 2017, o grupo Duty to Warn, criado por John Gartner, um
psicoterapeuta professor da Escola
Médica da Universidade Johns Hopkins, recolheu mais de 60 000 assinaturas de profissionais de saúde
mental e enviou para Washington uma petição (Mental Health Professionals
Declare Trump is Mentally Ill And Must Be Removed) onde se afirmava que Donald
Trump tinha “problemas mentais graves que o tornavam psicologicamente incapaz
de desempenhar de forma competente os deveres de presidente dos Estados
Unidos”.
Numa conferência na Universidade
de Yale Gartner disse que “temos a responsabilidade ética
de alertar o público sobre a perigosa doença mental de Donald Trump”. Em
resposta a estas declarações, Allen Frances, da Universidade de Duke, escreveu
uma carta à Times denunciando
que não havia bases para se considerar Trump um doente mental, mas afirmou que,
no entanto, “pode e deve ser denunciado pela sua ignorância, incompetência,
impulsividade e busca de poderes ditatoriais”.
Vinicius Carvalho
publicou no dia 12 de janeiro de 2026 em Àrea
VIP 25 anos:
O PhD em
psicologia e neurociência do Centro para o Bem-Estar Cognitivo e
Comportamental da Universidade de Boulder, no Colorado, Frank George,
disse que o americano está com “Demência
Frontotemporal” em estágio inicial.
Ele veio à público para rebater comentários que Donald estaria com
Alzheimer, e acabou revelando que na verdade é outra enfermidade. Em artigo
divulgado no Substack e no LinkedIn, George disse que o público merece “fatos, e não conjecturas”, declarando
que “o Alzheimer debilita uma pessoa.
Trump não está debilitando, está piorando, e você precisa saber o motivo
assustador disso.”
(...) Outros sintomas são o andar
desajeitado, postura irregular, perda de decoro, impulsividade e ações
desmedidas, e a troca de palavras em discursos recentes como “United States”
por “United Shersh”, “mísseis” por “mishes” e “Christmas” por “cricious” (...)
Considerando as análises expostas, percebe-se uma liderança autoritária,
narcisista, populista, instável
emocionalmente e que pode estar desenvolvendo um tipo de demência. Estes
aspectos emocionais do presidente somam-se a uma história de imperialismo dos
Estados Unidos como potência militar e econômica.
Farei
um retrospecto de modelos e doutrinas de política externa dos Estados Unidos no
passado para se entender melhor como este país desde o século XIX tem realizado
sua expansão e também destacando o atual Corolário
Trump:
Doutrina
Monroe:
Foi criada em dezembro de 1823 pelo
presidente James Monroe contra interferências européias no continente americano
e para fortalecer a influência dos Estados Unidos no continente. Na época
países independentes estavam surgindo na América Latina e os países
colonizadores entravam na Santa Aliança que defendia o absolutismo e com a
existência de interesses recolonizadores.
Os objetivos da Doutrina eram a não recolonização, impedir que potências européias fizessem intervenções nas questões internas de nações latino americanas e a manutenção dos Estados Unidos fora de conflitos europeus. Mas além de pregar a defesa da independência de países latino americanos, houve posteriormente, perto do fim do século XIX, a justificativa de intervenções dos Estados Unidos em países da América Latina. A frase que resume a Doutrina Monroe é : “América para os americanos”. Na época que Monroe criou essa doutrina os Estados Unidos ainda não eram nem mesmo uma potência regional. Mas de 1891 a 1912 os EUA realizaram uma série de intervenções militares para aumentar a influência militar, econômica e política na região do Caribe.
Destino Manifesto
Doutrina do Destino Manifesto surgiu a partir do termo criado pelo jornalista John Louis O'Sullivan na década de 1840. Segundo essa doutrina os Estados Unidos tinham uma missão divina de se expandir e impor seus valores culturais. A expansão seria não só desejável, como também um direito divino. As crenças neste sentido motivaram a anexação de terras indígenas no Oeste e a conquista de territórios que eram do México por meio de uma guerra. Havia uma relação entre a Doutrina Monroe e a do Destino Manifesto, pois ambas foram utilizadas para justificar as pretensões expansionistas dos EUA.
Big
Stick (“O grande porrete”)
Essa
política aconteceu no início do século XX. Por essa política os Estados Unidos
ampliavam a sua idéia de que tinham direito de se expandirem em outros países
para garantir objetivos econômicos, utilizando diplomacia e força militar. O
termo foi criado pelo presidente Theodore Roosevelt em 1901 quando citou um
provérbio africano que dizia: "com fala macia e um grande porrete, você
vai longe".
Um acontecimento envolvendo esse princípio de intervenção ocorreu durante a intervenção da marinha alemã em portos da Venezuela em 1902 para cobrança de dívidas. Essa intervenção contrariava a Doutrina Monroe e os Estados Unidos resolveram intervir mandando navios, obrigando a uma negociação entre Venezuela e Alemanha para pagamento de dívidas. O presidente dos EUA fez uma modificação em 1904 da Doutrina Monroe. Segundo essa alteração, poderia haver intervenção dos EUA em caso de nações americanas não terem capacidade de reagir diante de ações de outros países.
A política do Big Stick foi defendida por T.Roosevelt, pois os EUA teriam, segundo ele, o direito de agirem como uma polícia mundial para garantir a ordem. Também foi usada em casos como do Canal do Panamá. Diante de resistências da Colômbia em aceitar termos do governo dos EUA, foi favorecida uma parte da Colômbia se separar formando o Panamá, que aceitou as determinações dos EUA sobre o canal.
Diplomacia
do dólar
Por
meio dessa política instituída pelo presidente William Howard Taft, que
governou após o mandato de Teodhore Roosevelt, os Estados Unidos realizaram
intervenções financeiras que levaram ao estabelecimento de controles sobre as
finanças de Estados da América Central e Caribe.
Na atualidade, considerando pressupostos políticos e ideológicos citados (Doutrina Monroe, Doutrina do Destino Manifesto, Big Stick, Diplomacia do Dólar) e considerando também a própria personalidade do presidente Trump, surgiram uma série de condutas do governo deste presidente.
Corolário
Trump:
Trump
citou em documento a "migração ilegal e
desestabilizadora" como um dos principais problemas originados na América
Latina. Outra questão que Trump destaca em sua política é a necessidade de
combater cartéis de drogas da América Latina que enviam principalmente cocaína
para os EUA .
Há a crença da parte dos que planejam a segurança nacional atualmente dos EUA de que a América Latina é "parte da sua fronteira de segurança interna”. O autor Bernabé Malacalza em seu livro del Siglo XXI ("As cruzadas do século 21", em tradução livre) disse: "A América Latina passou a ser prioridade para os Estados Unidos".
Em suas ações de política externa passou a haver o slogan de Trump: America First (Os Estados Unidos em primeiro lugar). Assim é defendida a ideia do uso de"alíquotas e acordos comerciais recíprocos como ferramentas poderosas”.
Também foi feito o alerta de limitar atividades de potências estrangeiras consideradas hostis (referência implícita à China). O interesse de Trump além do fortalecimento das empresas dos EUA é que países tenham economias fortes para aumentar relações comerciais com os EUA. Segundo o objetivo de Trump: “um hemisfério ocidental economicamente mais forte e sofisticado se transforma em um mercado cada vez mais atraente para o comércio e os investimentos dos Estados Unidos". Para conseguir o apoio de nações, é destacado que “a força é o melhor elemento de dissuasão”. Assim, é reforçada a ideia de "paz pela força", que já era defendida pelo presidente norte-americano Ronald Reagan.
Segundo o
professor Malacalza sobre a política de segurança em relação à América Latina:
"não configura uma arquitetura regional ou hemisférica, mas sim procura
fazer com que os países se alinhem aos Estados Unidos e, em última instância, a
Trump". Segundo o pensamento trumpista: "Recompensaremos e
incentivaremos os governos, partidos políticos e movimentos da região que se
alinharem amplamente aos nossos princípios e estratégia”. Neste sentido há a
intenção de apoiar líderes e aliados regionais "capazes de promover uma
estabilidade razoável na região”.
Segundo Carlos Sanchez Berzain em O “Corolário Trump à Doutrina Monroe” define a
geopolítica e a mudança nas Américas (07/12/2025):
O texto da Estratégia de
Segurança Nacional afirma que “os Estados Unidos reafirmarão e implementarão a
Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental
e proteger nossa pátria e o acesso a geografias-chave em toda a região.
Negaremos a concorrentes não hemisféricos a capacidade de posicionar forças ou
outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos
estrategicamente vitais, em nosso Hemisfério. O Corolário Trump à Doutrina
Monroe é uma restauração sensata e enérgica do poder e das prioridades
americanas, consistente com os interesses de segurança dos Estados Unidos.”(...)
Segundo o professor de
Relações Internacionais Ricardo Leães em seu artigo no Correio Braziliense:
As cenas da operação
militar dos Estados Unidos na Venezuela, na madrugada do dia 2 para 3 de
janeiro, são impactantes: bombardeios seletivos e o sequestro de Nicolás
Maduro — agora ex-presidente do país — e de sua esposa, Cilia Flores. Mais
do que uma ação com o objetivo de apropriar-se dos recursos petrolíferos
venezuelanos, a iniciativa revela algo maior: o retorno declarado da
Doutrina Monroe na América Latina.
A Doutrina Monroe é um
conjunto de princípios estabelecidos em 1823 por James Monroe, então
presidente dos Estados Unidos. À época, os países latino-americanos lutavam
por sua independência, mas enfrentavam a resistência dos europeus, que
buscavam retomar a colonização da região. Diante disso, Monroe bradou
“Américas para os americanos”, rejeitando o retorno do colonialismo
europeu e defendendo a independência das novas repúblicas.
Com o passar do tempo,
entretanto, os ditames da Doutrina Monroe ficaram claros: em vez de configurar
um fundamento de respeito à soberania e à liberdade das nações latino-americanas,
tratava-se de uma estratégia de dominação estadunidense sobre o subcontinente.
“Americanos”, para James Monroe, eram os nascidos nos Estados Unidos —
e não todos os habitantes das Américas.
A partir da virada do
século 19 para o século 20, a Doutrina Monroe ganhou uma nova coloração,
com o surgimento do Corolário Roosevelt, que delineou a estratégia
imperialista dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental. Doravante,
países que descumprissem normas e regras de Washington poderiam sofrer
intervenções militares, como de fato ocorreu em inúmeras oportunidades.
Posteriormente, o surgimento
dos movimentos nacionalistas e socialistas na América Latina passou
a ser visto como a maior ameaça ao domínio estadunidense na região, colocando
em risco a Doutrina Monroe. Por conta disso, além de realizar pressão econômica
e militar e financiar golpes de Estado, Washington buscou criar mecanismos
institucionais para afiançar sua hegemonia.
Nesse sentido, sucessivos
presidentes estadunidenses aprenderam que poderiam exercer seu domínio
sobre a América Latina de forma indireta, apenas recorrendo à violência
em situações limite. Nos demais casos, iniciativas de cooptação de elites
locais eram a preferência para assegurar que os latino-americanos não
desafiassem Washington.
O segundo mandato de
Donald Trump, porém, representa um ponto de inflexão nessa história. O republicano
não somente tem defendido o retorno da Doutrina Monroe, como apregoou a criação
de outra estratégia: o Corolário Trump. Com efeito, esse plano está sinalizado
na Estratégia Nacional de Segurança (2025), documento que indica as preferências
de política externa da atual administração.
Ao longo do texto,
afirma-se que a prioridade dos Estados Unidos será o Hemisfério Ocidental,
um eufemismo para referir-se à América Latina. Além disso, anuncia-se que a
região deve ficar livre de influências de potências extrarregionais, uma
clara — mesmo que velada — referência à China e, em menor medida, à Rússia.
Segundo essa perspectiva,
os países latino-americanos não mais deverão apresentar políticas de
cunho autônomo, devendo aceitar a subserviência aos ditames e interesses
de Washington. Desse modo, os chefes de Estado que aceitarem essa imposição
seriam recompensados pelo governo dos Estados Unidos.
Ademais, frisa-se que os
recursos naturais do subcontinente deverão servir para abastecer a economia
e as Forças Armadas estadunidenses, amalgamando conveniências geoeconômicas
e geopolíticas. Por certo, quando Marco Rubio, secretário de Estado de
Trump, afirma que o interesse dos Estados Unidos no petróleo venezuelano
é no sentido de evitar que esses hidrocarbonetos estejam em posse de chineses
e russos, materializam-se os princípios elaborados na Estratégia
Nacional de Segurança (...).
Dentro da estratégia do governo Trump, com sua atual interpretação
da Doutrina Monroe, está se supondo a anexação ou compra da Groenlândia (ligada
atualmente à Dinamarca); e estão sendo especulados ataques à Cuba e Colômbia.
Para quem rezou por paz e menos violência em dezembro de 2025 para
o ano de 2026, o ano novo começou com muitas incertezas sobre a paz mundial.
Trump está afastando tradicionais aliados dos EUA como o Canadá e coloca em
risco até mesmo a unidade da OTAN. Um crítico do governo dele já levantou a
hipótese de que ele será tirado do poder em um processo de impeachment caso
perca a maioria no Congresso. É uma possibilidade que existe sim e, se
acontecer, que o substituto dele possa ser uma pessoa mais racional e menos
belicista.
Márcio José Matos Rodrigues-Psicólogo e Professor de História.
Figura: https://share.america.gov/pt/imagens-da-segunda-posse-de-trump-galeria-de-fotos/

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