Em 25 de abril de
1920, em Falticeni, Romênia, nascia Sofia Ionescu Ogrezeanu. Ela foi a primeira
mulher neurocirurgiã da mundo e uma referência histórica na neurocirurgia. Era
filha de Constantin Ogrezeanu, um caixa de banco e Maria Ogrezeanu. Era amiga
de Aurélia Dumitru, filha de um médico e por meio desses contatos Sofia mostrou
interesse pela medicina. Também a influenciou a morte de um colega por causa de
complicações após uma cirurgia cerebral. Assim, Sofia, apoiada por sua mãe,
entrou na Faculdade de Medicina de Bucareste, em 1939.
No início de seus estudos de medicina
Sofia começou no campo da oftalmologia. Em 1940 ela começou a estagiar em
uma clínica muito mal equipada e estava acontecendo uma
epidemia de tifo. No tempo dos combates da Segunda Guerra Mundial, ela se apresentou como
voluntária para tratar prisioneiros soviéticos no Hospital Stamate, em
Falticeni. Foi lá que realizou suas primeiras cirurgias, sendo a maioria delas
casos de amputações. Em 1943 iniciou um estágio no Hospital Número em Bucareste.
Mas em 1944 ela realizou uma cirurgia cerebral de emergência em um menino
ferido após um bombardeio. Não existiam no momento cirurgiões especializados.
Em 1945 tornou-se cirurgiã.
Por 47 anos Sofia trabalhou no mesmo
hospital, junto ao seu marido, Ionel Ionescu, que também era médico, em um
grupo de cirurgiões (a primeira equipe de
neurocirurgiões da Romênia, depois apelidada de "equipe de ouro”), que
ajudou a desenvolver e modernizar a cirurgia na Romênia e tendo ela
passado por preconceitos de outros médicos da Europa. Em 1970, Sofia cuidou por
uma semana da primeira esposa do xeque de Abu Dhabi, que não podia, conforme
costumes do país, ser atendida por um homem dentro do harém. Ela salvou
centenas de vidas e teve de se aposentar em 1990 por problema de saúde que a
impossibilitava de participar de cirurgias. Ela não parou seu trabalho
científico, escrevia artigos e continuava contribuindo para a neurociência.
Em 1957, Sofia recebeu a insígnia da
Cruz Vermelha por seu esforços como médica. Em 1964, ela foi homenageada com
a Medalha do 20º XX Aniversário da Libertação da
Pátria, em 1964, e em em 1972 a medalha do 25º aniversário da Proclamação da
República. Em 1996, tornou-se membro da Sociedade Romena de História da
Medicina. Passou a fazer parte da Sociedade Romena de História da Medicina em
1996. Tornou-se membro emérito da Academia de Ciências Médicas em 29 de março
de 1997. Ao longo de sua vida como cirurgiã ela realizou mais de 11 mil
cirurgias, tendo sido pioneira em técnicas cirúrgicas que salvaram muita gente.
Ela foi a primeira mulher na Romênia a realizar uma cirurgia abdominal.
Em 2001 Sofia recebeu a honraria
Ordem Nacional “Serviço Médico”. Em 2005 foi oficialmente
certificada como a primeira mulher neurocirurgiã do mundo na ocasião do
Congresso Mundial de Neurocirurgia no Marrocos e em 2008 recebeu a
Estrela da República Romena. Ela é lembrada como um símbolo de pioneirismo
feminino na medicina.
Faleceu aos 87 anos em Bucareste,
Romênia, em 21 de março de 2008

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