terça-feira, 31 de março de 2026

A médica romena Sofia Ionescu

 



Em 25 de abril de 1920, em Falticeni, Romênia, nascia Sofia Ionescu Ogrezeanu. Ela foi a primeira mulher neurocirurgiã da mundo e uma referência histórica na neurocirurgia. Era filha de Constantin Ogrezeanu, um caixa de banco e Maria Ogrezeanu. Era amiga de Aurélia Dumitru, filha de um médico e por meio desses contatos Sofia mostrou interesse pela medicina. Também a influenciou a morte de um colega por causa de complicações após uma cirurgia cerebral. Assim, Sofia, apoiada por sua mãe, entrou na Faculdade de Medicina de Bucareste, em 1939.

No início de seus estudos de medicina Sofia começou no campo da oftalmologia. Em 1940 ela começou a estagiar em uma clínica muito mal equipada e estava acontecendo uma epidemia de tifo. No tempo dos combates da Segunda Guerra Mundial, ela se apresentou como voluntária para tratar prisioneiros soviéticos no Hospital Stamate, em Falticeni. Foi lá que realizou suas primeiras cirurgias, sendo a maioria delas casos de amputações. Em 1943 iniciou um estágio no Hospital Número em Bucareste. Mas em 1944 ela realizou uma cirurgia cerebral de emergência em um menino ferido após um bombardeio. Não existiam no momento cirurgiões especializados. Em 1945 tornou-se cirurgiã.

Por 47 anos Sofia trabalhou no mesmo hospital, junto ao seu marido, Ionel Ionescu, que também era médico, em um grupo de cirurgiões (a primeira equipe de neurocirurgiões da Romênia, depois apelidada de "equipe de ouro”), que ajudou a desenvolver e modernizar a cirurgia na Romênia e tendo ela passado por preconceitos de outros médicos da Europa. Em 1970, Sofia cuidou por uma semana da primeira esposa do xeque de Abu Dhabi, que não podia, conforme costumes do país, ser atendida por um homem dentro do harém. Ela salvou centenas de vidas e teve de se aposentar em 1990 por problema de saúde que a impossibilitava de participar de cirurgias. Ela não parou seu trabalho científico, escrevia artigos e continuava contribuindo para a neurociência.

Em 1957, Sofia recebeu a insígnia da Cruz Vermelha por seu esforços como médica. Em 1964, ela foi homenageada com a Medalha do 20º XX Aniversário da Libertação da Pátria, em 1964, e em em 1972 a medalha do 25º aniversário da Proclamação da República. Em 1996, tornou-se membro da Sociedade Romena de História da Medicina. Passou a fazer parte da Sociedade Romena de História da Medicina em 1996. Tornou-se membro emérito da Academia de Ciências Médicas em 29 de março de 1997. Ao longo de sua vida como cirurgiã ela realizou mais de 11 mil cirurgias, tendo sido pioneira em técnicas cirúrgicas que salvaram muita gente. Ela foi a primeira mulher na Romênia a realizar uma cirurgia abdominal.

Em 2001 Sofia recebeu a honraria Ordem Nacional “Serviço Médico”. Em 2005  foi oficialmente certificada como a primeira mulher neurocirurgiã do mundo na ocasião do Congresso Mundial de Neurocirurgia no Marrocos e em 2008  recebeu a Estrela da República Romena. Ela é lembrada como um símbolo de pioneirismo feminino na medicina.

Faleceu aos 87 anos em Bucareste, Romênia, em 21 de março de 2008


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