segunda-feira, 27 de julho de 2026

O X Fórum Goiano de Mobilidade Urbana e Trânsito e o trabalho apresentado pelo representante da SEGBEL de Belém do Pará: Projeto Artístico, Cultural e Educativo para Empresas e Terminais de Ônibus no Município de Belém do Pará

 

                                         Abertura do Fórum

Ação educativa no terminal

Ação educativa no terminal

Ação educativa em empresa

 

Estive no dia 30 de junho de 2026 participando do X Fórum Goiano de Mobilidade Urbana e Trânsito e X Seminário de Trânsito e Saúde Pública em Goiânia, Goiás. Durante o evento houve a Abertura Oficial, o Painel 1: ‘Experiências Inovadoras em mobilidade urbana: integrando intervenções”; o Painel 2: “Tarifa 0 e Direito à Cidade: caminhando para reduzir desigualdades”; a palestra ‘Cidades saudáveis: como a mobilidade pode ser espelho do bem estar ou da desigualdade; o Painel 3: “A nova formação de condutores no Brasil: Análise interdisciplinar”.

Também houve a apresentação dos grupos de trabalho Educação, Saúde, Cidade, Infraestrutura e Trânsito.

Eu apresentei meu trabalho no Grupo de Trabalho Educação, com o título:  Projeto Artístico, Cultural e Educativo para Empresas e Terminais de Ônibus no Município de Belém do Pará

 Farei aqui um resumo do mesmo:

Iniciei falando da importância do transporte coletivo no Brasil, destacando que o transporte coletivo é vital no Brasil para a mobilidade urbana o desenvolvimento econômico, a inclusão social e a sustentabilidade ambiental. É essencial para que as pessoas se desloquem para o trabalho, estudo e serviços, garantindo acesso às necessidades básicas e contribuindo para o funcionamento da cidade. Mencionei as vantagens em termos ambientais e para a redução do tráfego em comparação com o transporte individual. E, considerando a importância do transporte coletivo, expliquei como surgiu a idéia do projeto educativo, considerando que é preciso valorizar mais o transporte coletivo e, no caso de Belém do Pará, o transporte por meio dos ônibus urbanos.

O projeto em questão está relacionado às atividades educativas, artísticas e culturais em empresas de ônibus promovidas pela SEGBEL por meio das diretorias de Trânsito e de Transporte Público, atividades que contribuem para o bem-estar e engajamento dos colaboradores,  promovendo um ambiente de trabalho mais leve e tranquilo, reduzindo o estresse e aumentando a satisfação no trabalho. Além disso, as atividades culturais incentivam a criatividade, fortalecem o trabalho em equipe e melhoram a comunicação entre os profissionais. Além das atividades nas empresas,  há as ações educativas para orientação de passageiros nos terminais de integração municipais.

Metodologia:

•   Distribuição de material educativo em terminais de ônibus e nos coletivos para passageiros.

•  Orientação para os passageiros sobre:  direitos de idosos e PCDs; a importância da conservação de ônibus, terminais e abrigos; os bons comportamentos no transporte coletivo e no trânsito.

•   Apresentação de arte-educadores destacando as boas ações no trânsito e no transporte coletivo.

•   Apresentação de um cantor nos terminais cantando músicas populares e regionais

•  Palestras sobre trânsito e bons comportamentos no transporte coletivo e ações arte educativas para operadores e outros funcionários de empresas de ônibus

•  Apresentação de artistas das empresas de ônibus proporcionando momentos de bem estar e redução de estresse com valorização de talentos das próprias empresas. 

Resultados:

De novembro/2025 a junho/2026: 03 ações em terminais de integração do Município de Belém (Maracacoera, São Brás e Tapanã)  e em 03 empresas de ônibus (Belém-Rio, Nova Marambaia e Transurb).

  Participantes nas empresas: 23 motoristas de ônibus, 3 cobradores, 3 controladores operacionais, 3 auxiliares de tráfego, 3 manobristas e 31 outros funcionários de diversos setores das empresas, em um total de 66 participantes.

Os participantes nas empresas, em sua maioria, consideraram ótimo o desempenho dos palestrantes, do cantores e músicos, assim como dos arte-educadores da SEGBEL e também elogiaram os assuntos sobre segurança no trânsito, conservação dos coletivos e terminais e os direitos dos idosos e PCDs no transporte público. Também deram sugestões no sentido de se ampliar as ações e que se tornem constantes em empresas e nos terminais.

O Fórum foi um evento que possibilitou aos participantes se informarem, adquirirem novos conhecimentos e para haver o debate sobre questões importantes como os aspectos sobre Mobilidade (incluindo a discussão sobre Tarifa 0 ) e sobre o Código de Trânsito Brasileiro. Também houve a oportunidade para autores de várias partes do Brasil explicarem seus projetos desenvolvidos em órgãos e instituições educacionais em relação ao trânsito e à mobilidade. Para mim foi muito gratificante poder explicar o projeto que estamos desenvolvendo em Belém e desejando que outras cidades possam seguir nosso exemplo e também venham a desenvolver atividades que envolvam arte, cultura e educação para usuários do transporte e para o pessoal de operação.

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Márcio José Matos Rodrigues-Psicólogo e Professor de História



terça-feira, 7 de julho de 2026

O historiador Carlo Ginzburg

 




Em 17 de junho de 2026 faleceu  o historiador italiano-judeu Carlo Ginzburg. Ele nasceu em Turim, Itália, em 15 de abril de 1939. Cresceu em uma família marcada pelo engajamento intelectual e político. Seu pai era o professor e tradutor Leone Ginzburg, opositor do fascismo, torturado e morto em uma prisão italiana no tempo da  Segunda Guerra Mundial. Sua mãe era a romancista Natália Ginzburg.

Carlo Ginzburg se dedicou a temas como bruxaria, heresias, religiosidade popular e formas de circulação do conhecimento na Era Moderna. Ele ficou conhecido por investigar, a partir das trajetórias de indivíduos comuns, grandes processos sociais e culturais. Foi um dos pioneiros da micro-história, que surgiu na Itália nos anos 1970 e que é uma metodologia da ciência histórica que leva em consideração fontes e narrativas alternativas, não considera somente mudanças macroeconômicas e políticas que determinam fatos e épocas, mas também o cotidiano, as subjetividades, representações e linguagens que formaram a realidade. Estudou na Escola Normal Superior de Pisa e no Instituto Warburg em Londres. Foi professor de história moderna na Universidade de Bolonha, nas universidades de Harvard e Princeton e na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, lecionando história do Renascimento italiano. Lecionou história cultural europeia a partir de 2006 na Escola Nornal Superior de Pisa.

Tornou-se especialista nas atitudes e crenças religiosas populares do início da época moderna e publicou em 1966 a obra Os andarilhos do bem , sobre a sociedade camponesa de Friul do século XVI, se baseando em um tipo de documentação relacionada a processos inquisitoriais, com uma interação dialética envolvendo um sistema de crenças amplamente disseminadas no mundo rural, que se originou em uma evolução de um antigo culto agrário, assim como a interpretação pelos inquisidores que buscavam uma equiparação com formas codificadas de bruxaria. A sua obra O queijo e os vermes o tornaram conhecido mundialmente. Essa obra, que abordava a vida de um camponês, tornou-se uma referência internacional da historiografia, relatando a vida e as idéias de Menocchio, um moleiro do século XVI que foi perseguido pela Inquisição por suas crenças religiosas. Outra obra de destaque, História noturna , é sobre a caça às bruxas até toda uma diversidade de práticas que tornam evidentes substratos de cultos na Europa. No livro Olhos de Madeira, de 1998, ele explica as distâncias e os contatos entre diversas civilizações.

Ganhou os prêmios Prix Aby Warburg (1992);Prix Lyssenko (1993);Prêmio Letterario Viareggio-Rèpaci (1998); Prêmio Antonio Feltrinelli (2005), para a ciência histórica; Prêmio Balzan (2010). As obras dele tinham um diálogo com a literatura, a antropologia e a história da arte. Defendeu a importância dos detalhes, vestígios e indícios para a reconstrução do passado em textos como “Mitos, emblemas, sinais”. Foi influenciado pela Escola dos Annales, pela Nova História e pelo estruturalismo de Levi-Strauss.

Até o fim de sua vida esteve ativo, debatendo, publicando livros e participando de discussões sobre memória, verdade e interpretação histórica. O conjunto de suas obras foi traduzida para dezenas de idiomas. Faleceu em Bolonha, aos 87 anos.

 

Livros publicados:

I benandanti. Stregoneria e culti agrari tra ‘500 e ‘600 (1966) / edição em português Os Andarilhos do Bem

Il nicodemismo. Simulazione e dissimulazione religiosa nell’Europa del ‘500 (1970)

Giochi di pazienza. Un seminario sul ‘Beneficio di Cristo’ (1975, publicado em colaboração com Adriano Prosperi)

Il formaggio e i vermi. Il cosmo di un mugnaio del ‘500 (1976) / edição em português O Queijo e os Vermes. 

Indagini su Piero. Il Battesimo, il ciclo di Arezzo, la Flagellazione di Urbino (1981) /  Investigando Piero

Miti emblemi spie (1986) / edição em português Mitos, Emblemas e Sinais

Storia notturna. Una decifrazione del sabba (1989) / edição em português História Noturna

Il giudice e lo storico. Considerazioni in margine al processo Sofri (1991) / edição em inglês Judge And The Historian

Occhiacci di legno. Nove riflessioni sulla distanza (1998) / edição em português Olhos de Madeira

History, Rhetoric, and Proof. The Menachem Stern Jerusalem Lectures (1999) 

Das Schwert und die Glühbirne. Eine neue Lektüre von Picassos Guernica (1999)

No Island is an Island. Four Glances at English Literature in a World Perspective (2000) / edição em português Nenhuma Ilha é Uma Ilha

Tentativas (2003)  

Un dialogo (2003, publicado em colaboração com Vittorio Foa)

Rekishi o Sakanadeni Yomu (2003)

Il filo e le tracce. Vero falso finto (2006) / edição em português O Fio e os Rastros

Paura, reverenza, terrore. Rileggere Hobbes oggi (2008) / edição em português Medo, Reverência, Terror.

Nondimanco. Machiavelli, Pascal (2018)

Morelli, Freud e Sherlock Holmes

Relações de Força

A Historical Approach to Casuistry

Old Thiess, a Livonian Werewolf

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Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História