A Mangueira
Era uma mangueira já centenária,
Não chorava e nem ria,
Mas dava os frutos doces que o menino queria.
O menino colhia,
As mangas que o vento fazia
Caírem na terra.
Não era uma guerra,
Entre vento e ramagens,
Era tão somente a sabedoria da natureza
Que se manifestava.
E tu aí que repousavas em baixo dela,
Notaste como era bela?
Ou apenas usufruías as benesses de mãe tão generosa?
A manga da mangueira era saborosa,
Alimento do menino que tinha fome.
Agora,
O menino é homem.
Contrariamente aos que dizem
Que homem não chora,
Ele fica triste,
Ao lembrar desse tesouro da flora.
Rios correm por seu rosto,
Quando lembra do gosto,
Da manga que preenchia
Um vazio em sua barriga.
Ele recorda aquele dia,
Chovia,
Torrencialmente.
Foi quando a árvore imponente
E sua amiga,
Com suas raízes corroídas,
Caiu fazendo estrondo,
Assustando aquela gente.
Felizmente,
Nenhuma coisa destruída
Pelo impacto.
O menino e a mangueira tinham um pacto,
Um pacto?
Pois então...
Ele agora é agricultor
E planta a semente no chão.
Jambeiros, jaqueiras...
E mangueiras?
Mangueiras sim,
Por que não?
Mangueiras principalmente!
Come ainda muitas mangas,
Até manga verde com sal.
O homem-menino mostrou o que sente:
Amor, sensibilidade e em especial
Gratidão!
Márcio José Matos Rodrigues

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