quarta-feira, 11 de agosto de 2021

O filósofo grego Epicuro

 


                                                   



                                       

                                           


Epicuro foi um filósofo grego do período helenístico, que nasceu na Ilha de Samos em 341 a. C e morreu por volta de 271 ou 270 a. C em Atenas. O pensamento desse filósofo foi disseminado por vários lugares do mundo antigo como a Jônia, o Egito e em Roma a partir do século I, sendo Lucrécio o principal divulgador. Foi chamado de "Profeta do Prazer" e o "Apóstolo da Amizade”, apresentou um esboço da evolução 2.300 anos antes da teoria darwiniana.

Estudou em sua infância com Pânfilo, um estudioso platonista. Quando jovem Epicuro foi para Teos, na costa da Ásia Menor. Nesse local ele possivelmente estudou com Nausífanes, um discípulo de Demócrito de Abdera. Nessa época Epicuro pode ter estudado a teoria atomista e fez mudanças nessa teoria.  Aos 18 anos Epicuro cumpriu dois anos de serviço militar em Atenas. Buscava ter ideias próprias e não se dedicava com exclusividade a algum filósofo e não pretendia encontrar a suprema verdade em nenhum escrito de qualquer filósofo.

Ensinou gramática e filosofia em Lâmpsaco, Mitilene e Cólofon.Voltou para Samos em 323 a. C. Em 306 a. C tinha fundado a escola filosófica O Jardim e passou a residir em Atenas com alguns amigos. Teve problemas de saúde por causa de um cálculo renal e isso lhe proporcionou momentos de dor durante sua vida. Lecionou até sua morte em 270 a. C e quando morreu estava rodeado de amigos e discípulos.

Contexto histórico do Epicurismo:

Na época que se desenvolveu o epicurismo, havia já acontecido as conquistas macedônicas sobre territórios gregos e sobre o império persa. Após a morte do imperador Alexandre, seus generais dividiram o seu império. Uma forma de dominação de Alexandre foi manter aspectos culturais dos povos vencidos e houve uma fusão cultural envolvendo os gregos e povos orientais. Surgiu assim o helenismo. Nesse contexto foram criadas correntes filosóficas como o epicurismo. As ideias de Epicuro permaneceram mesmo com a dominação romana que se iniciou em 146 a .C. 

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A filosofia de Epicuro fez oposição à metafísica de Aristóteles e às ideias de Platão. Dizia Epicuro que nada está além de nossos sentidos e que não há outra realidade que possa existir sem o auxílio dos cinco sentidos.  Ele dizia que devemos dar prazer para receber prazer, não se deve causar injúria, deve-se viver e deixar viver, ser para si o melhor amigo ao mesmo tempo que se é um bom amigo para os outros. Para Epicuro há três tomadas de consciência do indivíduo: compreensão dos deuses, compreensão da morte e compreensão dos desejos. A sua filosofia buscava atingir a felicidade, buscando a aponia (ausência de dor física) e ataraxia (imperturbabilidade da alma). Para ele o homem segue o exemplo dos animais, procurando evitar a dor e buscando o prazer.

Para explicar a existência das coisas Epicuro baseou-se na teoria atômica de Demócrito. Dizia ele que tudo é formado de átomos, mas com diferentes naturezas, sendo os átomos com qualidades finitas, quantidades infinitas e com infinitas combinações. O corpo para ele seria uma soma de carne e alma e a morte física seria o fim do corpo e do indivíduo. Mas os átomos passariam a constituir outros corpos, pois para ele os átomos seriam eternos e indestrutíveis. A filosofia de Epicuro pretendia explicar todos os fenômenos naturais e eliminando os maiores medos humanos: o medo da morte e o medo dos deuses.

Para Epicuro os deuses viviam em perfeita harmonia e em um estado de felicidade divina. Os deuses não teriam a intenção de causar sofrimento aos seres humanos. Os deuses teriam de ser considerados como exemplos de bem-aventurança, servindo de modelos para os homens, sem instabilidade e sem serem dotados de paixões humanas.  Não deveriam ser temidos durante a vida das pessoas e nem depois da morte delas. Epicuro defendia a ideia de que não se deve temer a morte. Para ele depois de mortas as pessoas não poderão sentir algo porque estarão desprovidas de seus sentidos.

Na filosofia epicurista as dores e os prazeres estarão nesse caminho que busca a felicidade e ainda que nem sempre se possa evitar as dores físicas, elas não são duradouras, podendo ser suportadas usando-se as lembranças de momentos prazerosos que se tenha tido. Mas piores são as dores que atormentam a alma, muitas vezes relacionadas às frustrações, por causa de desejos que não foram satisfeitos. Para combater este tipo de dor, Epicuro indicava a reflexão. Os seguidores e discípulos de Epicuro encaravam a sua doutrina como uma boa nova, um meio de equilibrar dores e prazeres.

Epicuro escreveu cerca de 300 obras, porém sobraram somente três cartas que tratam a respeito da natureza, meteoros e sobre a moral. Também restaram uma coleção de pensamentos e partes fragmentadas de obras da filosofia epicurista perdidas. As cartas e os fragmentos foram reunidos por Herman Useneer, que em 1887 deu a todo este conjunto o título de Epicurea. O autor Hermann Diels veio a descobrir mais tarde que os fragmentos não eram de Epicuro e sim de Leucipo.

Epicuro dizia que o medo em relação aos deuses fazia que se cometessem maus atos, sendo empecilho à serenidade. Defendia que teria de haver a liberdade humana e a tranquilidade do espírito. Para se conseguir a liberdade e a tranquilidade seria preciso o atomismo. Na teoria epicurista há um encontro fortuito dos átomos devido a uma pequena inclinação em sua trajetória e com o choque deles se constitui a matéria. O átomo, para Epicuro, se desvia, por causa da inclinação e essa poderia ser por um desejo, uma vontade ou afinidade com outro átomo. O encontro fortuito dos átomos para ele é que asseguraria a liberdade. O Homem teria que compreender como funciona a natureza e essa compreensão o levaria a libertar-se do medo e das superstições que fazem o espírito sofrer. Epicuro em uma de suas cartas teria dito que há um número infinito de mundos no cosmos, sendo alguns habitados e outros não.

É importante destacar que o epicurismo, embora diga que o bem está no prazer, não é a mesma coisa que o hedonismo, que considera os prazeres sexuais e incentiva que haja prazer de forma intensa. No epicurismo o prazer é passivo, com ausência de paixões e com o fim de fatores que possam causar o sofrimento ou o temor, por exemplo, a morte. Segundo João Quartim de Moraes, professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas: “Para Epicuro, a vida prazerosa exige paz de espírito, não sendo somente a totalidade dos prazeres da vida. A principal diferença, portanto, do epicurismo e do hedonismo é que o primeiro considera o prazer do repouso, a experiência psíquica da lembrança também é um prazer; enquanto a segunda considera apenas a experiência prazerosa no momento de sua fruição.”

O prazer para Epicuro é o do sábio, é a quietude da mente, domínio das emoções e de si próprio. A justa medida e não os excessos. Um prazer que satisfaz uma necessidade e acalma a dor. Para ele deve-se ter uma vida simples conduzida pela Natureza. O prazer que existe, segundo essa teoria, é o prazer corpóreo, o prazer do espírito seria lembrança dos prazeres do corpo. A saúde seria o máximo prazer. A amizade seria um desses prazeres. Na academia de Epicuro, O Jardim, os amigos se dedicavam à filosofia e essa teria como característica maior a libertação do Homem e uma vida feliz.

A classificação dos desejos para Epicuro seriam: 1- Necessários: para a felicidade, para a tranquilidade do corpo, para a vida (nutrição, sono); 2-Simplesmente naturais: variação de prazeres, busca do que é agradável; 3-Artificiais (como a riqueza e a glória); 4-Irrealizáveis (como a imortalidade). Para Epicuro, os desejos não naturais e não necessários surgem de uma opinião falsa sobre o mundo, estimulados por sentimentos de vaidade, orgulho ou inveja. Epicuro considerava que os seres humanos tinham o dever de tornar a vida presente a melhor possível e a vida teria de ter prazer, um prazer refinado, não turbulento, com uma vida simples e evitando os excitamentos de querer sempre mais. Ele dizia que a filosofia é dividida em: Uma parte lógica para diferenciar as formas de conhecimento verdadeiro; uma parte física para mostrar a estrutura verdadeira da realidade; uma parte que se constituiria na chave para abrir as portas da felicidade.

Pode-se dizer que o epicurismo é um sistema filosófico que diz que deve-se buscar prazeres moderados de modo a se atingir uma condição de tranquilidade e de libertação do medo, evitando-se o sofrimento do corpo a partir do conhecimento de como o mundo funciona e da limitação dos desejos. Os desejos exagerados podem assim gerar perturbações frequentes e causando dificuldades para se obter a felicidade,  estando essa relacionada à saúde do corpo e à serenidade do espírito. Para essa teoria, é preciso controlar medos e desejos e assim ser feliz, o estado de prazer tem que ser estável e equilibrado, havendo a tranquilidade e evitando-se a existência de perturbações.

A filosofia epicurista teve muitos seguidores no mundo antigo mediterrânico. A sua influência ainda perdurou por cerca de sete séculos após a morte do seu criador. Três elementos eram fundamentais para Epicuro para se atingir a felicidade: liberdade, amizade e tempo para filosofar. Na teoria do conhecimento epicurista há a valorização da experiência imediata. Para Epicuro o conhecimento tem origem nas sensações e impressões dos sentidos e as sensações são sempre verdadeiras. Deve-se aproximar da realidade por meio de sensação, antecipação e afecção. As afecções ocorrem de dois modos:o prazer, que é segundo a natureza, e a dor que é oposta à natureza. Faz-se necessário, segundo Epicuro, deixar os prazeres que possam causar aflição e aceitar a dor quando ela traz em si um bem futuro. Ele valorizava a contemplação intelectual e a amizade como os mais elevados prazeres e ensinou que o ser humano se livra da dor por intermédio de suas recordações e esperanças.

Para Epicuro há uma forma de pensar, o logismós, envolvendo raciocínio, cálculo e pensamento discursivo. Assim, pelo logismós pode-se fazer a alma não cair no erro em seus julgamentos e em suas opiniões, fazendo-a ser capaz de perceber os limites do prazer e saber quais prazeres causam uma vida que seja agradável e sem perturbações, havendo uma capacidade de medir e ponderar.

Epicuro teve discípulos de vários tipos, alguns ricos e outros não, até mesmo mulheres e escravos. Ele não entendia o conhecimento como algo a ser direcionado a um só tipo de pessoa, acreditando que todos tinham direito a conhecer, defendendo que a sabedoria pode conduzir à felicidade.

Em pensadores estoicos, como Cícero, Sêneca e até mesmo Marco Aurélio pode-se perceber uma influência de Epicuro, embora existam diferenças entre estoicos e epicuristas. Para os estoicos a perfeição humana estava relacionada ao fundamento de que os seres humanos estão ligados à natureza e precisam negar seus desejos e voltarem-se à realização de uma vontade direcionada pela razão, que tem que estar em equilíbrio com a natureza. A felicidade para os estoicos baseia-se numa ética rigorosa e para eles o universo é governado por uma razão universal divina e que os homens devem dominar suas paixões. Para os estóicos deve haver também a indiferença em relação ao que é externo ao ser. O epicurismo está relacionado aos prazeres terrenos. Os epicuristas dizem que os homens são inclinados aos seus interesses individuais e cada um deve buscar nos prazeres a felicidade. Para os estoicos o que deve ser procurado não é o prazer e sim a virtude.

Epicuro era conhecido por estar sempre sereno, calmo e benevolente ele, antes de morrer disse: “lembrem de meus ensinamentos

Sobre Epicuro disse Diógenes Laércio em sua obra sobre o filósofo:

“Há testemunhas suficientes para provar a índole insuperavelmente nobre deste homem para com todos os homens: a sua cidade natal, que o honrou com estátuas de bronze; seus amigos, tão numerosos que nem podem ser contados; seus partidários que ficaram cativados pelos seus ensinamentos atraentes, com exceção de Metrodoro de Estratoniceia, que passou para Carnéades, ficando, porém, profundamente humilhado pela bondade sem limites de Epicuro; pela sequência da escola, que, enquanto todas as outras, praticamente, se perderam, continuou a florescer sob a direção de diversos discípulos epicureus; pela sua gratidão para com seus pais; pela caridade para com seus irmãos; pela sua brandura para com seus escravos e, em geral, pelo seu proceder cheio de afeto para com todos os homens. O seu respeito piedoso para com a divindade e o seu amor à pátria são indizíveis: pois num excesso de equidade, ele nem quis ocupar-se com política. E, apesar de, naquele tempo, a sua pátria natal helênica haver padecido nas piores circunstâncias, lá passou ele a sua vida, viajando apenas por duas ou três vezes na região jônica da Ásia Menor para visitar seus amigos, que acorriam de todos os pontos cardeais para com ele viverem no Jardim, da maneira mais moderada e simples... Assim era o homem que pregava o “gozo” como finalidade da vida”.

Segundo Johannes Mewaldt na introdução de Pensamentos. Epicuro. Textos Selecionados:

“De pura origem ática, como nos relatam com ênfase, de velha linhagem nobre, Epicuro nasceu em janeiro do ano 341 a. C, filho de Néocles e de Queréstrata, não em Atenas, mas na ilha jônica de Samos, onde seu pai, que emigrara dez anos antes para lá, tomava conta de uma propriedade rural. Era uma época difícil, também do ponto de vista econômico, na qual a luta entre Atenas, dirigida por Demóstenes, e o rei da Macedônia, Filipe, se tornava séria; três anos depois do nascimento de Epicuro, ano de 338 a. C, a coalizão dos helenos foi aniquilada em Queroneia. Epicuro cresceu num meio campestre simples, sob a guarda de seus pais, aos quais demonstrou, por toda a sua vida, um profundo reconhecimento, e juntamente com três irmãos que mais tarde se tornaram seus discípulos (...)”

 


Pensamentos de Epicuro:

 

“É impossível viver prazerosamente sem viver prudente, bela e justamente, nem viver prudente, bela e justamente sem viver prazerosamente. Aquele que está privado daquilo que permite viver prudente, bela e justamente, não pode viver feliz, mesmo se for correto e justo.“

 

“Nenhum prazer é em si mesmo um mal, mas aquilo que produz certos prazeres acarreta sofrimentos bem maiores do que os prazeres.”

“Aqueles desejos naturais que quando permanecem insatisfeitos não provocam padecimento, mas suscitam forte tensão, são produto de uma vã opinião, e quando não se dissipam não é por causa de sua natureza própria, mas da futilidade humana.”


“Aquele que melhor goza a riqueza é aquele que menos necessidade dela tem.”

“O prazer de fazer o bem, é maior do que recebê-lo.”

“Se queres a verdadeira liberdade, deves fazer-te servo da filosofia.”

    “Nada é bastante ao homem para quem tudo é demasiado pouco.”

O prazer não é um mal em si; mas certos prazeres trazem mais dor do que felicidade.

  “Só há um caminho para a felicidade. Não nos preocuparmos com coisas  que ultrapassam o poder da nossa vontade.”

     “O homem sereno procura serenidade para si e para os outros.”

      “Queres ser rico? Pois não te preocupes em aumentar os teus bens, mas   sim em diminuir a tua cobiça.”

      “As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo.”

       “O justo é tranquilíssimo, o injusto é sempre muito solícito.”

“A amizade e a lealdade residem numa identidade de almas raramente encontrada.”

“É estupidez pedir aos deuses aquilo que se pode conseguir sozinho.”

      “A liberdade é o maior fruto da autossuficiência.”

“Não se pode não ter medo quando se inspira o medo.”

“Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades.”

       “Todo o desejo incômodo e inquieto se dissolve no amor da verdadeira filosofia.”

“Nunca se protele o filosofar quando se é jovem, nem canse o fazê-lo quando se é velho, pois que ninguém é jamais pouco maduro nem demasiado maduro para conquistar a saúde da alma.”

      “E quem diz que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou, assemelha-se ao que diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz.”

“Se queres enriquecer Pítocles, não lhe acrescentes riquezas: diminui-lhe os desejos.”

"Qualquer argumentação filosófica que não tenha como preocupação principal abordar terapeuticamente o sofrimento humano é inútil"

“Somente o justo desfruta de paz de espírito.”

     “Faz tudo como se alguém te contemplasse.”

“Caráter é aquilo que você é quando ninguém está te olhando.”

“Na discussão, o vencido obtém maior proveito, pois aprende aquilo que ainda não sabia.”

“Lembre-se de que aquilo que você tem hoje, um dia esteve entre as coisas que desejava."

“Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta.”

“Das coisas que a sabedoria proporciona para tornar a vida inteiramente feliz, a maior de todas é uma amizade”.


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Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História


Figura: https://www.google.com/search?q=imagem+de+epicuro&sxsrf=ALeKk01nz9xTJwGUVywyfGKBN5FeJEolmw:1628728527602&tbm=isch&source

 

terça-feira, 3 de agosto de 2021

O fabulista grego Esopo

 





Esopo foi possivelmente um fabulista que pode ter nascido em 620  a. C e que morreu em 564 a. C, na cidade grega de Delfos. Suas obras principais foram suas fábulas. A ele é atribuída a criação desse gênero literário. As fábulas de Esopo inspiraram escritores ocidentais posteriores como Fedro e La Fontaine. Não se tem certeza sobre a real existência de Esopo, mas as fábulas tidas como obras dele foram se espalhando em muitas línguas por meio de tradição oral. As fábulas se caracterizam, por exemplo, por animais com características humanas e que podem falar.

Não se sabe sobre qual seria o local exato de nascimento de Esopo, podendo ser na Frígia, Egito, Etiópia, Samos, Atenas, Sardes e Amório. A hipótese sobre a origem africana de Esopo é forte, considerando-se que alguns animais de suas fábulas seriam muito comuns neste continente. Uma outra questão levantada por estudiosos em relação à origem de Esopo é que em locais de tradição oral de povos africanos e do Oriente Próximo, como também da Pérsia, havia contos em que animais tinham qualidades humanas, como nas fábulas. Escritos egípcios diziam que Esopo nasceu na Trácia, aproximadamente em 550 a. C. O escritor antigo Plutarco afirmou que Esopo pode ter sido conselheiro do rei Creso, da Lídia. Esopo teria viajado muito, com passagens pelo Egito, Babilônia e outros lugares, incluindo influências culturais dessas regiões nas suas fábulas.

Um relato do historiador grego Heródoto diz que Esopo foi executado injustamente em Delfos. Segundo esse historiador, Esopo teria sido escravo do filósofo Janto, de Samos, que pode ter dado a liberdade a Esopo. Quem reuniu as fábulas que Esopo teria escrito foi Demétrio de Faleros, no século III a. C. Na sua obra Retórica, Aristóteles afirmou que Esopo uma vez fez um discurso na Assembleia de Samos defendendo um demagogo. Também Platão no diálogo Fédon mencionou Esopo. As fábulas, nas quais os animais eram os personagens, tinham um sentido moral e simbólico. Em Atenas, no século V a. C, havia gosto em apreciar as fábulas. Além dos animais podia haver a presença de homens, deuses e objetos inanimados. Baseando-se na cultura popular Esopo criava as fábulas que apontavam normas que deveriam ser seguidas pelas pessoas. Os animais se comportavam como os homens. Para a atualidade chegaram 40 fábulas atribuídas a Esopo. No século I   d. C Fedro, um escravo liberto, escreveu em latim livros de fábulas parecidas em estilo com as de Esopo.


Os fabulistas medievais fizeram uso das fábulas de Esopo. O monge bizantino e humanista, do século XIV, Maximus Planudes, revisou as fábulas, que eram comparadas aos ensinamentos morais dos evangelhos cristãos. Poetas medievais também se inspiraram em Esopo. O escritor francês La Fontaine também foi influenciado pelas fábulas de Esopo. Sobre Esopo o filósofo Apolônio de Tiana, no século III d. C disse: “Como aqueles que jantam bem nos pratos mais  planos, ele fez uso de humildes incidentes para ensinar grandes verdades, e após servir uma história ele adiciona a ela o aviso para fazer uma coisa ou não fazê-la. Então, também, ele foi realmente mais atacado por causa da verdade do que os poetas são.”

 


Frases atribuídas a  Esopo:
 

“Unidos venceremos. Divididos, cairemos.”

“Um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade.”

“Nenhum gesto de amizade, por muito insignificante que seja, é desperdiçado.”

“O amor constrói, a violência arruína.”

“Quem tudo quer, tudo perde.”

“Não se deve contar com o ovo quando ele está dentro da galinha.”

“Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar.”

“As desventuras servem de lição aos homens.”

“Os hábeis oradores, com astúcia e prudência, sabem converter em elogios os insultos recebidos dos amigos.”

“Não conte os seus pintos antes de saírem da casca.”

“Até mesmo os poderosos podem precisar dos fracos.”

“O intenso desejo de honras perturba a mente humana e obscurece a visão dos perigos.”

“A gratidão é a virtude das almas nobres.”

 

Algumas fábulas que podem ter sido criadas por Esopo:

 

 

“A Raposa e a Cegonha

A raposa e a cegonha mantinham boas relações e pareciam ser amigas sinceras. Certo dia, a raposa convidou a cegonha para jantar e, por brincadeira, botou na mesa apenas um prato raso contendo um pouco de sopa. Para ela, foi tudo muito fácil, mas a cegonha pode apenas molhar a ponta do bico e saiu dali com muita fome.

- Sinto muito, disse a raposa, parece que você não gostou da sopa.
- Não pense nisso, respondeu a cegonha. Espero que, em retribuição a esta visita, você venha em breve jantar comigo.

No dia seguinte, a raposa foi pagar a visita. Quando sentaram à mesa, o que havia para o jantar estava contido num jarro alto, de pescoço comprido e boca estreita, no qual a raposa não podia introduzir o focinho. Tudo o que ela conseguiu foi lamber a parte externa do jarro.

- Não pedirei desculpas pelo jantar, disse a cegonha, assim você sente no próprio estomago o que senti ontem.

(Quem com ferro fere, com ferro será ferido)”

 

“O Leão Apaixonado


Certa vez um leão se apaixonou pela filha de um lenhador e foi pedir a mão dela em casamento. O lenhador não ficou muito animado com a idéia de ver a filha com um marido perigoso daquele e disse ao leão que era uma honra, mas muito obrigado, não queria. O leão se irritou; sentindo o perigo, o homem foi esperto e fingiu que concordava:
- É uma honra, meu senhor. Mas que dentões o senhor tem! Que garras compridas! Qualquer moça ia ficar com medo. Se o senhor quer casar com minha filha, vai ter que arrancar os dentes e cortar as garras.
O leão apaixonado foi correndo fazer o que o outro tinha mandado; depois voltou à casa do pai da moça e repetiu seu pedido de casamento. Mas o lenhador, que já não sentia medo daquele leão manso e desarmado, pegou um pau e tocou o leão para fora de casa.

Moral da história:


Quem perde a cabeça por amor, sempre acaba mal.”

 

“O Rato e a Ratoeira

Numa planície da Ática, perto de Atenas, morava um fazendeiro com sua mulher; ele tinha vários tipos de cultivares, assim como: oliva, grão de bico, lentilha, vinha, cevada e trigo. Ele armazenava tudo num paiol dentro de casa, quando notou que seus cereais e leguminosas, estavam sendo devoradas pelo rato. O velho fazendeiro foi a Atenas vender partes de suas cultivares e aproveitou para comprar uma ratoeira. Quando chegou em casa, adivinha quem estava espreitando?

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.

Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.

Correu para a esplanada da fazenda advertindo a todos:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!

A galinha disse:

- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até o porco e disse:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !

- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.

O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse:

- O que ? Uma ratoeira ? Por acaso estou em perigo? Acho que não !

Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.

A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego.

No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro chamou imediatamente o médico, que avaliou a situação da esposa e disse: sua mulher está com muita febre e corre perigo.

Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.

Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo.

Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

Moral:


Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos.”

 

“A coruja e a águia

A coruja e a águia, depois de muita briga, resolveram fazer as pazes.
– Basta de guerra – disse a coruja. – O mundo é tão grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.
– Perfeitamente – respondeu a águia. – Também eu não quero outra coisa.
– Nesse caso combinemos isto: de agora em diante não comerás nunca os meus filhotes.
– Muito bem. Mas como vou distinguir os teus filhotes?
– Coisa fácil. Sempre que encontrares uns borrachos lindos, bem feitinhos de corpo, alegres, cheio de uma graça especial que não existe em filhote de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.
– Está feito! – concluiu a águia.
Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com três monstrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.
– Horríveis bichos! Vê-se logo que não são os filhos da coruja – disse ela, e comeu-os.
Mas eram os filhos da coruja. Ao regressar à toca a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi ajustar as contas com a rainha das aves.
– Quê? – perguntou esta, admirada. – Eram teus filhos aqueles monstrenguinhos? Pois, olha, não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste...

Moral:


Quem ama o feio, bonito lhe parece.

 

 

“O Camundongo da Cidade e o do Campo


Um camundongo que morava na cidade foi, uma vez, visitar um primo que vivia no campo. Este era um pouco arrogante e espevitado, mas queria muito bem ao primo, de maneira que o recebeu com muita satisfação. Ofereceu-lhe o que tinha de melhor: feijão, toucinho, pão e queijo.

O camundongo da cidade torceu o nariz e disse:
– Não posso entender, primo, como você consegue viver com estes pobres alimentos. Naturalmente, aqui no campo, é difícil obter coisa melhor. Venha comigo e eu lhe mostrarei como se vive na cidade. Depois que passar lá uma semana, você ficará admirado de ter suportado a vida no campo.

Os dois puseram-se, então, a caminho. Tarde da noite, chegaram à casa do camundongo da cidade.
– Certamente você gostará de tomar um refresco, após esta caminhada, disse ele polidamente ao primo.

Conduziu-o à sala de jantar, onde encontraram os restos de uma grande festa. Puseram-se a comer geleias e bolos deliciosos. De repente, ouviram rosnados e latidos.
– O que é isto? – perguntou, assustado, o camundongo do campo.
– São, simplesmente, os cães da casa – respondeu o da cidade.
– Simplesmente? Não gosto desta música durante o meu jantar.

Neste momento, a porta se abriu e apareceram dois enormes cães. Os camundongos tiveram que fugir a toda pressa.

– Adeus, primo – disse o camundongo do campo. – Vou voltar para minha casa no campo.
– Já vai tão cedo? – perguntou o da cidade.
– Sim, já vou e não pretendo voltar – concluiu o primeiro.

Moral:


Mais vale o pouco certo do que o muito duvidoso.”

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Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História

Figura: 

https://www.google.com/search?q=imagem+de+esopo&sxsrf=ALeKk03SA5Kt1hewM7mwTmMnzTYwjYjMiw:1628049480842&tbm=isch&source=iu&ictx

 

 


 


segunda-feira, 26 de julho de 2021

O escritor , poeta e filósofo Thoreau

 









O escritor, poeta, naturalista, agrimensor, professor, historiador e filósofo Henry David Thoreau nasceu em 12 de julho de 1817 em Concord, nos Estados Unidos. Sua família era de origem francesa e protestante.  Sua filosofia teve influência em pensamentos de personalidades históricas como Gandhi, Tolstoy e Martin Luther King. Sua obra mais conhecida é Walden, ou A Vida nos Bosques e também destacou-se por seu ensaio A Desobediência Civil . Estava ligado aos estilos naturalista, simbolista, romântico e defendia ideias abolicionistas.  São mais de 20 volumes os livros, ensaios, artigos e poesias dele. Escreveu sobre história natural e filosofia, sendo um precursor do movimento ambientalista. Ele se interessava por sobrevivência diante de contextos hostis, mudança histórica e decadência natural, buscava descobrir as verdadeiras necessidades essenciais da vida. Atacou as leis contra as fugas de escravos e defendeu o abolicionista John Brown.

Apesar de ter sido considerado por alguns estudiosos como anarquista individualista, o pensamento de Thoreau está relacionado muito mais à busca de melhorias no governo, tendo dito: "Não peço, imediatamente por nenhum governo, mas imediatamente desejo um governo melhor”. Mas também afirmou: 'O melhor governo é o que não governa. Quando os homens estiverem devidamente preparados, terão esse governo”. Thoreau, seu amigo Emerson e os transcendentalistas acreditavam na bondade básica do indivíduo.

Thoreau era filho de um pequeno fabricante de lápis e sua mãe contratava pensionistas. Em 1837 o escritor se formou na Universidade de Harvard, em Literatura Clássica e Línguas, tendo sido amigo do pensador transcendental Ralph Waldo Emerson. O reformismo de Thoreau partia não da coletividade e sim do indivíduo, sendo um defensor de uma vida em sintonia com a natureza. Ficou transtornado com a morte de seu irmão John em 1842. Escreveu o livro de diário A Week on the Concord and Merrimack Rivers e essa era também uma forma de procurar superar a tristeza pela perda do irmão e ao mesmo tempo manter viva a memória sobre ele. Usou o simbolismo do rio como componente de renascimento e continuidade, uma representação existente nas filosofias do Ocidente e do Oriente. Foi professor de Liceu em Concord, fez viagens pelas florestas de Maine e da praia de Cape Co. Como professor não concordava com qualquer tipo de violência, não aceitava o uso de violência nas escolas e defendia um aprendizado com alegria e harmonia. Por ter essas ideias pediu demissão do Liceu de Concord porque se recusava a usar a palmatória e não queria deixar de ter um comportamento liberal como professor. Fundou uma escola particular e com seu irmão John faziam excursões de campo com os alunos para aprenderem sobre ciências naturais. A escola fechou quando o irmão de Thoreau morreu.

Para procurar viver uma vida simples e como desejo de ficar livre das obrigações e constrangimentos que a sociedade causa, em 1845 foi morar em uma pequena cabana feita por ele mesmo nas proximidades do lago Walden em Massachusetts. Assim ele escreveu à vontade e observava a natureza e em 1847 ele deixou essa cabana e foi morar junto com a família de seu amigo Ralph Waldo Emerson em Concord.

Thoreau se colocou contra a guerra contra o México, tendo se recusado em 1846 a pagar um imposto para financiar essa guerra. Ele considerou o imposto injusto e imoral, contrário às ideias de liberdade e igualdade. Disse sobre a questão: “Todos os homens reconhecem o direito de revolução; isto é, o direito de recusar obediência ao governo, e de resistir a ele, quando sua tirania ou sua ineficiência são grandes e intoleráveis”. Por sua recusa ele foi preso por uma noite e solto na manhã seguinte porque uma tia pagou o imposto no lugar dele. Ele afirmou que no caso de um governo que defende o aprisionamento moral,  o lugar de um homem honesto seria a prisão. Sobre a guerra contra o México ele disse: “O governo em si, que é apenas o modo que o povo escolheu para executar sua vontade, está igualmente sujeito ao abuso e à perversão antes que o povo possa agir por meio dele. Prova disso é a atual guerra mexicana, obra de relativamente poucos indivíduos que usam o governo permanente como seu instrumento, pois, desde o princípio, o povo não teria consentido semelhante iniciativa.”

Foi em 1849 que ele publicou Desobediência Civil (contra os maus governos e defendendo uma forma de combate às tiranias) e em 1854 publicou Walden, ou Life in the Woods, a respeito de sua experiência ao viver perto do lago Walden. Ele escrevia a favor das vantagens da vida natural e livre e associava natureza com liberdade, sendo influenciado por Rosseuau e textos orientais. Ele disse: "Quero dizer uma palavra em defesa do ambiente natural e da liberdade absoluta. Uma declaração extrema pois já há muitos defensores da civilização". E sobre os pássaros fez o seguinte comentário: "Tornei-me vizinho dos pássaros, não por ter aprisionado um, mas por ter me engaiolado perto deles". Era um crítico da sociedade de consumo e cético em relação ao progresso tecnológico. Criticava o Estado dizendo que os indivíduos tem de exercer seu próprio julgamento e não servirem como máquinas ou bonecos ao Estado. Thoreau não participou de eleições e nem de partidos políticos ou movimentos organizados. Sua ação contra o Estado era como escritor e recusando a contribuir financeiramente com ele. Ele pregava uma ação necessária perante situações em que não havia alternativa senão resistir, uma ação não violenta, que muitos ano depois Gandhi e Martin Luther King iriam seguir em seus movimentos. Para Thoreau os homens não tem que compactuar com o mal  e tem de criticar as práticas injustas.

Thoreau criticou os privilégios dos mais ricos e suas relações com o Estado e também fez críticas aos que só pensam em bens materiais e se desligam dos valores espirituais e éticos. Disse a respeito: “...Falando em termos gerais, quanto mais dinheiro, menos virtude (...); ao passo que a única nova questão que ele se coloca é a difícil e supérflua de saber como gastar o dinheiro. Assim, seu terreno moral é tirado de sob seus pés.” Ele era a favor de uma vida de abnegação e simplicidade para que se conseguir uma melhor compreensão da existência e do mundo, tendo dito: ''Simplicidade, simplicidade, simplicidade! Digo: Ocupai-vos de dois ou três afazeres, e não de cem ou mil; contai meia dúzia em vez de um milhão e tomai nota das receitas e despesas na ponta do polegar... Simplificar, simplificar. Em vez de três refeições por dia, se preciso for, comer apenas uma; em vez de cem pratos, cinco; e reduzir proporcionalmente as outras coisas...

Thoreau morreu de tuberculose em 6 de maio de 1862, aos 44 anos, em Concord.


Frases de Thoreau

“A bondade é o único investimento que nunca vai à falência.”

“É tão difícil observar-se a si mesmo quanto olhar para trás sem se voltar.”

“Muitos sabem ganhar dinheiro, mas poucos sabem como gastá-lo.”

“Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor.”

“Para cada mil homens dedicados a cortar as folhas do mal, há apenas um atacando as raízes.”

“Quem mata o tempo injuria a eternidade.”

“Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles. Estão onde devem estar. Agora, dê-lhes alicerces.”

“Os homens hão-de aprender que a política não é amoral e que se ocupa apenas do que é oportuno.”

“São precisas duas pessoas para falar a verdade, uma para falar, e outra para ouvir.”

“Uma grande verdade, mesmo mal sugerida, comove-nos mais do que uma verdade medíocre completamente exprimida.”

“Se és escritor, escreve como se tivesses os dias contados, porque, na verdade, eles estão-no quase todos.”

“Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro.”

“Nada é tão útil ao homem como a resolução de não ter pressa.”

“Nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos.”

“Siga confiante na direção dos seus sonhos. Viva a vida que imaginar.”

“É a obra de arte que mais se aproxima da vida.”

“Os livros são o tesouro precioso do mundo e a digna herança das gerações e nações.”

“Os homens, em sua maioria, aprendem a ler para satisfazer uma mesquinha conveniência, assim como aprendem a calcular a fim de organizarem sua contabilidade e não serem enganados no comércio, mas sabem pouco ou nada a respeito da leitura como um nobre exercício intelectual.”

“Nem todos os livros são tão tediosos quanto seus leitores.”

“Não nasci para ser forçado a nada. Respirarei a meu próprio modo.”

“Dá teu voto inteiro, não uma simples tira de papel, mas toda tua influência.”

“Se uma planta não consegue viver de acordo com sua natureza, ela morre, assim também um homem.”

“Fazer todos os dias um bom dia, essa é a mais elevada das artes.”

“Não basta ser ocupado. A pergunta é: estamos ocupados com o quê?”

“Fui para os bosques viver de livre vontade. Para sugar todo o tutano da vida. Para aniquilar tudo o que não era vida e para quando morrer, não descobrir que não vivi.”

“Por que vivemos com tanta pressa, esbanjando a vida? Decidimos morrer de fome antes de sentir fome.”

“Muito melhor seria sentar ao ar livre, pois a poeira não se acumula sobre a grama, a não ser nos trechos em que os homens arrancaram-na do solo.”

“Viva cada estação enquanto elas duram, respire o ar, beba a bebida, saboreie a fruta, e deixe-se levar pelas influências de cada uma.”

A aptidão que leva os homens a construírem casas, é semelhante a que leva os pássaros a construírem seus ninhos. Se os homens construíssem suas residências com as próprias mãos, e arranjassem alimento para si e a família de maneira bastante simples e honesta, quem sabe não desenvolveriam a faculdade poética e épica, cantando como fazem todos os pássaros quando assumem um compromisso dessa natureza? Mas ai de nós! Agimos como Chopins e Cucos, que põe ovos em ninhos feitos por outros pássaros e cujas melodias não alegram o viajante...”

“Um grão de ouro é capaz de dourar uma grande superfície, mas não tão grande como um grão de sabedoria.”

“O dinheiro não é necessário para comprar uma única necessidade da alma.”

 “Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa onde a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas onde faltavam sinceridade e verdade, e com fome me fui embora do inóspito recinto. A hospitalidade era fria como os sorvetes. Pensei que nem havia necessidade de gelo para conservá-los. Gabaram-me a idade do vinho e a fama da safra, mas eu pensava num vinho muito mais velho, mais novo e mais puro, de uma safra mais gloriosa, que eles não tinham e nem sequer podiam comprar."

"O estilo, a casa com o terreno em volta e o «entretenimento» não representam nada para mim. Visitei o rei, mas ele deixou-me à espera no vestíbulo, comportando-se como um homem incapaz de hospitalidade. Na minha vizinhança havia um homem que morava no oco de uma árvore e cujas maneiras eram régias. Teria feito bem melhor visitando-o a ele.
Até quando nos sentaremos nós nos nossos alpendres a praticar virtudes ociosas e bolorentas, que qualquer trabalho tornaria descabidas? É como se alguém começasse o dia com paciência, contratasse alguém para lhe sachar as batatas, e de tarde saísse para praticar a mansidão e a caridade cristãs com bondade premeditada!”

“A opinião pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos.”

“A grande maioria dos homens leva uma vida de calado desespero. O que se chama resignação é desespero confirmado. Da cidade desesperada você vai para o campo desesperado, e tem de se consolar com a coragem das martas e dos ratos almiscarados. Um desespero estereotipado, mas inconsciente, se esconde mesmo sob os chamados jogos e prazeres da humanidade. Não há diversão neles, pois esta vem depois da obrigação. Mas uma característica da sabedoria é não fazer coisas desesperadas.”

 “Desconheço fato mais encorajador que a habilidade inquestionável do homem para melhorar sua vida através do esforço consciente”.

“Um retorno à bondade realizado diariamente ao hálito tranquilo e benéfico da manhã faz com que, em respeito ao amor à vida e o ódio ao vício, a pessoa se aproxime um pouco da natureza primitiva do homem, como os brotos da floresta que foi derrubada. De modo semelhante, o mal que a pessoa faz ao longo de um dia impede que os germes das virtudes que começaram a brotar se desenvolvam e os destrói.”

“Riqueza é a capacidade de experimentar a vida plenamente.”

“O que consegues quando atinges os teus objetivos não é tão importante como o que te tornas ao atingi-los.”

“Por mais que admiremos as ocasionais explorações de eloquência de um orador, as mais nobres palavras escritas situam-se normalmente tão além ou acima da fugaz língua falada quanto o firmamento com suas estrelas encontra-se além das nuvens. Há estrelas, e aqueles que podem lê-las.”

“Procure saber o que as coisas realmente são, não simplesmente o que parecem ser.”

“A vida que os homens louvam e consideram bem-sucedida é apenas um tipo de vida. Por que havemos de exaltar só um tipo de vida em detrimento dos demais?”

“Quanto à roupa, para chegar logo à parte prática da questão, talvez sejamos movidos, na hora de providenciá-la, mais pelo amor à novidade e pela preocupação com a opinião dos outros do que por uma verdadeira utilidade.”

“Você deve viver no presente, lance-se em cada onda, encontre a sua eternidade em cada momento.”

“Não seja demasiado moralista. Você pode se privar de muita vida assim. Procure mais que a moralidade. Não seja simplesmente bom, seja bom para alguma coisa.”

“O maior elogio que já me foi dado, foi quando alguém me perguntou o que eu pensava e prestou atenção na minha resposta.”

“Nada faz a terra parecer tão espaçosa como ter amigos à distância, eles criam as latitudes e longitudes.”

“Os homens se transformaram nos instrumentos de seus instrumentos.”

“Por fecharem os olhos e dormirem, por consentirem em ser enganados pelas aparências, os homens em toda parte estabelecem e confirmam suas vidas diárias de rotina e hábito em cima de fundações puramente ilusórias.”

“Na maioria das vezes somos mais solitários quando circulamos entre os homens do que quando permanecemos em nosso quarto.”


Poemas de Thoreau:

 

 

Névoa

Nuvem, âncora baixa,
Ar da Terra Nova,
Cabeça da nascente e nascente dos rios,
Pano de orvalho, armarinho de sono,
E guardanapo espalhado pelas Fadas;
Prado à deriva no ar,
Onde linhas de violetas florescem e rejuvenescem,
E em cujo labirinto pantanoso
se ouvem os foles do amargo e a garça caminha;
Espírito do lago e dos mares e rios,
Levando apenas o perfume e a essência
Das ervas curativas apenas para os campos dos homens!

 

Eu sou o sol do outono

Às vezes, um mortal sente a natureza em si
mesmo.Ele não é seu pai, mas sua mãe se move
dentro dele, e ele se torna imperecível com sua
imortalidade. De vez em quando, ela afirma ter
parentesco conosco, e algumas células sanguíneas
em suas veias vão roubar as nossas.

Eu sou o sol outonal,
Com os vendavais de outono minha corrida corre;
Quando a avelã derramará suas flores,
Ou a uva amadurecerá sob meus galhos?
Quando a colheita ou o fim da lua do caçador
Transforme minha meia-noite em meio-dia?
Eu sou tudo que está murcho e amarelo,
E eu adoço meu coração.
O mastro está caindo em minha floresta, O
inverno espreita em meus humores,
E o farfalhar da folha seca
É a canção da minha dor ...

Raleigh

A lua é uma estrela cheia de raios inalterados
Eles se acumulam no céu oriental,
Não destinada a essas noites curtas para sempre,
Mas ela brilha constantemente.

Ela não enfraquece, mas, para minha fortuna, Aquela
cujos raios não abençoam,
Meu caminho rebelde declina rapidamente,
No entanto , ela não brilha menos.

E se ela brilhar fracamente aqui,
e sua luz empalidecer,
No entanto , todos os dias em sua própria esfera
Ela possui a noite.

Todas as coisas estão em andamento

Todas as coisas estão em andamento
No terreno terreno,
Os espíritos e os elementos
Têm suas quedas.

Noite e dia, ano após ano,
Alto e baixo, perto e longe
Esses são nossos próprios aspectos,
Esses são nossos próprios arrependimentos.

Os deuses da terra,
Que permanecem para sempre,
Eu os vejo em promontórios distantes,
Espalhando-se em ambos os lados;

Eu ouço os sons de uma doce noite
De seu terreno indestrutível;
Enganando-me apenas com o tempo,
Leve-me ao seu clima.

O Atraso do poeta

Em vão vejo melhorar a manhã,
Em vão vejo o brilho do oeste,
Que ociosamente olha para outros céus,
Imaginando a vida de outras maneiras.

No meio de tanta riqueza sem limites,
Ainda estou sozinho e pobre por dentro,
Os pássaros cantaram seu verão,
Mas ainda minha primavera não começou.

Devo esperar pelo vento de outono,
Forçado a buscar um dia mais pacífico,
e não deixar ninhos estranhos para trás,
Não há florestas ainda ecoando em meu verso?

Natureza

Oh Nature! Eu não aspiro
Ser o mais alto em seu coro, -
Ser um meteoro no céu,
Ou o cometa que pode vaguear alto;
Apenas um zéfiro que pode atacar
Entre os juncos rio abaixo;
Dê-me seu lugar mais íntimo
Onde minha linha etérea corre.

Em algo para se retirar, em uma campina sem uma audiência
Deixe-me suspirar em um junco,
Ou na floresta, em um burburinho de folhas,
Sussurre na quietude do crepúsculo:
Ainda algum trabalho, eu tenho que fazer, -
Só, vai fique perto de você!

Porque eu preferiria ser seu filho
E discípulo, na floresta selvagem,
Do que ser o rei dos homens em outro lugar,
E o mais cuidadoso e soberano dos escravos
Para ter um momento de sua aurora,
Do que compartilhar, um ano de desespero na cidade.

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Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História

 

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