quarta-feira, 5 de março de 2025

O escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna

 




No dia 4 de março de 2025 faleceu na cidade do Rio de Janeiro, o escritor e poeta brasileiro Affonso Romano de Sant'Anna . Além de se destacar pelas suas obras e ensinamentos em diversos lugares, destacou-se também pelo seu empenho em popularizar a leitura no Brasil e por seu trabalho de modernização da Biblioteca Nacional.  Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais em 27 de março de 1937. Aos 16 anos de idade, ele publicou seus primeiros textos —críticas de cinema e teatro —, na imprensa de Juiz de Fora, cidade onde vivia. Na sua adolescência ele trabalhou como carregador de marmitas e de trouxas de roupas para lavadeiras. Seus pais queriam que ele fosse pastor evangélico.

Afonso Romano participou nas décadas de 1950 e 1960 de movimento de vanguarda poética. Formou-se em 1961 em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UMG, que atualmente é a Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. Em 1962 publicou o ensaio O Desemprego da Poesia e em 1965 lançou seu primeiro livro de poesias, Canto e Palavra. Lecionou em 1965 na Universidade da Califórnia em Los Angeles, Estados Unidos, tendo participado do Programa Internacional de Escritores da Universidade de Iowa, envolvendo 40 escritores de vários países.

Afonso concluiu seu doutorado na UFMG em 1969 e em 1970 organizou um curso de pós-graduação em literatura brasileira na PUC do Rio de Janeiro. De 1973 a 1976 foi diretor do Departamento de Letras e Artes da PUC-Rio, destacando-se por ter realizado a “Expoesia”, que era uma série de série de encontros nacionais de literatura. Ministrou cursos na Europa (Universidade de Colônia, Alemanha; Universidade de Aarhus, na Dinamarca; Universidade de Aix-em-Provence, na França; Universidade Nova, em Portugal) e nos Estados Unidos (Universidade do Texas e UCLA). De 1990 a 1996 foi presidente da Fundação Biblioteca Nacional e promoveu campanhas de incentivo à leitura, como por exemplos, o Sistema Nacional de Bibliotecas e o Programa de Promoção da Leitura (PROLER), de incentivo à leitura que mobilizou milhares de voluntários em todo o Brasil

A tese de doutorado de Afonso foi sobre a poética de Carlos Drummond de Andrade. O título da tese foi Drummond, um gauche no tempo. Ele foi cronista, tendo trabalhado nos jornais Jornal do Brasil de 1984 a 1988 e O Globo, até o ano de 2005. Escreveu também para os jornais Estado de Minas e Correio Braziliense. Foi casado desde 1971 com a escritora e poeta Marina Colasanti, falecida em janeiro de 2025. Ele estava há alguns anos com o Mal de Alzheimer e faleceu aos 87 anos de idade. Ganhou os seguintes prêmios: Prêmio Pen-Club; Prêmio União Brasileira de Escritores; Prêmio Estado da Guanabara; Prêmio Mário de Andrade do Instituto Nacional do Livro; Prêmio do Governo do Distrito Federal; Prêmio Jabuti. Presidiu o Conselho do Centro Regional para o Fomento do Livro na América-Latina e no Caribe (CERLALC). Ele publicou mais de 60 livros.

Algumas Obras de Affonso Romano de Sant'anna:

“Canto e Palavra” (1965); "Que país é este?" (1980), "O canibalismo amoroso" (1984), "A mulher madura" (1986, primeiro livro de crônicas), "O imaginário a dois" (1987, em parceria com Marina Colasanti), "Mistérios gozosos" (1994); "Vestígios" (2006) e "Sísifo desce a montanha" (2012).

Segundo o jornalista Afonso Borges sobre Affonso Romano de Sant'anna:

"Fez tudo na vida para tornar a poesia popular e social. Era uma determinação na vida dele. Todos os livros tinham uma força ligada à sociedade brasileira; era um poeta da realidade brasileira”.

Também disse Afonso Borges:

"Foi uma das pessoas nessa geração que mais conseguiu popularizar a poesia, escrevendo em jornais por mais de trinta anos, assim como [Carlos] Drummond [de Andrade]. Fizeram o poema popular por ser popular, já que também eram sociais".

Em 2012 Affonso Romano de Sant'anna fez o seguinte comentário ao jornal "Tribuna de Minas" : "Aconteceu um fato muito curioso comigo no Facebook. Publiquei um poema pequeno, e os internautas começaram a ter várias reações positivas e bonitas sobre ele. Muitos dizendo que vão reproduzi-lo, e, de repente, é como se a moeda entrasse em circulação. As pessoas se apoderaram dele. Sou totalmente a favor da poesia na web, e, se Homero e Shakespeare fossem vivos, teriam a mesma opinião."

Sobre o seu poema "A implosão da mentira”, que Affonso Romano publicou nas redes da Internet, ele comentou sobre a popularização do mesmo de tal forma que não se dizia mais quem era o autor:  "Quando ninguém sabe qual é o autor e começa a reproduzir o texto é sinal de que a obra atingiu o seu objetivo, misturou-se com a cultura popular. Alguns poemas como este já foram usados por várias pessoas, vários partidos e, volta e meia, aparecem na internet. Um outro poema meu chamado "Que país é este" já foi utilizado em música, teatro e várias outras situações. Há algum tempo, ele apareceu na rede como autor desconhecido. De uma certa maneira, isso me deixa feliz, porque o autor quer é ser lido, quer passar o recado. Eu não vou ganhar dinheiro com poesia."

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) lamentou o falecimento do escritor, poeta, cronista e ensaísta: "Affonso Romano destacou-se pela sensibilidade e profundidade com que abordava temas sociais, culturais e políticos. Como presidente da Fundação Biblioteca Nacional (1990-1996), foi um grande incentivador da leitura e da valorização do livro, contribuindo significativamente para o fortalecimento do setor editorial no Brasil."

 

Alguns poemas de Affonso Romano de Sant’Anna :

 

 O Amor e o Outro

Não amo
melhor
nem pior
do que ninguém.

Do meu jeito amo.
Ora esquisito, ora fogoso,
às vezes aflito
ou ensandecido de gozo.
Já amei
até com nojo.

Coisas fabulosas
acontecem-me no leito. Nem sempre
de mim dependem, confesso.
O corpo do outro
é que é sempre surpreendente.

Sou um dos 999.999 Poetas do País

Fragmento 1

INTRODUÇÃO SÓCIO-INDIVIDUAL DO TEMA

Sou um dos 999.999 poetas do país
que escrevem enquanto caminhões descem pesados de cereais
e celulose
ministros acertam o frete dos pinheiros
carreados em navios alimentados com o óleo
que o mais pobre pagará.

(- Estes são dados sociais
de que não quero falar, embora
tenha aprendido em manuais
que o escritor deve tomar o seu lugar na História
e o seu cotidiano alterar.)

Sou um dos 999.999 poetas do país
com mãe de olhos verdes e pai amulatado
ela – a força de áries na azáfama da casa
a decisão do imigrante que veio se plantar
ele – capitão de milícias tocando flauta em meio
às balas
lendo salmos em Esperanto sobre a mesa
domingueira.

(- Estes são sinais particulares
que não quero remarcar, embora
tenha aprendido em manuais
que o que distingüe a escrita do homem
são seus traços pessoais que ninguém pode
imitar.)

Fragmento 2

DESENVOLVIMENTO HÁBIL E CONTÁBIL DO (P)R(O)BL(EMA)

Sendo um dos 999.999 poetas do país
desses sou um dos 888.888
que tiveram Mário, Bandeira, Drummond,
Murilo, Cecília, Jorge e Vinícius como mestres
e pelas noites interioranas abriam suas obras
lendo e reescrevendo os versos deles nos meus versos
com deslumbrada afeição.

Desses sou um dos 777.777 poetas
que se ampliaram ao descobrir Neruda, Pessoa,
Petrarca, Eliot, Rilke, Whitman, Ronsard e Villon
em tradução ou não
e sem qualquer orientação iam curtindo
um bando de poetas menores/piores
que para mim foram maiores
pois me alimentavam com a in-possível poesia
e a derramada emoção.

Desses sou um dos 666.666 poetas
que fundando revistinhas e grupelhos aspiravam
(miudamente)
à glória erótica & literária
e misturando madrugadas, festas, citações, sonhos
de escritor maldito e o mito das gerações
depois da espreita aos suplementos
batem à porta do poeta nacional para entregar
poemas
(com a alma na mão)
esperando louvor e afeição.

Desses sou um dos 555.555
que um dia foram o melhor poeta de sua cidade
o melhor poeta de seu estado
dos melhores poetas jovens do país
e quando já se iam laureando aqui e ali em plena arcádia surpreenderam-se nauseados
e cobrindo-se de cinza retiraram-se para o deserto
a refazer a letra do silêncio
e o som da solidão.

Desses sou um dos 444.444 poetas
que depois da torrente de versos adolescentes e noturnos
se estuporaram per/vertidos nas vanguardas
e por mais de 20 anos não falamos de outra coisa
senão da morte do verso e da palavra e da vida do sinal
acreditando que a poesia tendia para o visual
e que no séc. XXI etc. e etc. e tal.

Desses sou um dos 333.333 poetas
que depois de tanto rigor, ardor, odor, horror
partiram para a impureza (consciente) das formas
podendo ou não rimar em ar e ão
procurando o avesso do aprendido
o contrário do ensinado
interessado não apenas em calar, mas em falar
não apenas em pensar, mas em sentir
não apenas em ver, mas contemplar
fugindo do falso novo como o diabo da cruz
porque nada há de mais pobre que o novo ovo de ouro
gerado por falsas galinhas prata.

Desses sou um dos 222.222 poetas
que penosamente descobriram que uma coisa
é fazer um verso, um poema ou mais
e receber os elogios médio-medianos dos amigos
e outra, bem outra, é ser poeta
e construir o projeto de uma obra
em que vida & texto se articulem
letra & sangue se misturem
espaço & tempo se revelem
e que nesta matéria revém o dito bíblico
– muitos os chamados, poucos os escolhidos.

Desses sou um dos 111.111 professores
universitários ou não
que antes de tudo eram poetas-patetas-estetas-profetas
e que depois de ver e viver da obra alheia
estupefatos
descobrem que só poderiam/deveriam
sobreviver com a própria
que escondem e renegam
por pudor
recalque
e medo.

Sou um dos 999 poetas do país
que
sub/traídos dos 999.999
serão sempre 999 (anônimos) poetas
expulsos sistematicamente da República por Platão
que um dia pensaram em mudar a História com
dois versos pena & espada
(o que deu certo ao tempo de Camões)
e que escrevendo páginas e páginas não mudaram nada
senão de tinta e de endereço.
Mas foi dessa inspeção ao nada que aprenderam
que na poesia o nada se perde
o nada se cria
e o nada se transforma.

Assombros

Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.

Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.

Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

Catando os Cacos do Caos

Catar os cacos do caos
como quem cata no deserto
o cacto
como se fosse flor.

Catar os restos e ossos
da utopia
como de porta em porta
o lixeiro apanha
detritos da festa fria
e pobre no crepúsculo
se aquece na fogueira erguida
com os destroços do dia.

Catar a verdade contida
em cada concha de mão,
como o mendigo cata as pulgas
no pêlo
do dia cão.

Recortar o sentido
como o alfaiate-artista,
costurá-lo pelo avesso
com a inconsútil emenda
à vista.

Como o arqueólogo
reunir os fragmentos,
como se ao vento
se pudessem pedir as flores
despetaladas no tempo.

Catar os cacos de Dionisio
e Baco, no mosaico antigo
e no copo seco erguido
beber o vinho
ou sangue vertido.

Catar os cacos de Orfeu partido
pela paixão das bacantes
e com Prometeu refazer
o fígado
– como era antes.

Catar palavras cortantes
no rio do escuro instante
e descobrir nessas pedras
o brilho do diamante.

É um quebra-cabeça?
Então
de cabeça quebrada vamos
sobre a parede do nada
deixar gravada a emoção

Cacos de mim
Cacos do não
Cacos do sim
Cacos do antes
Cacos do fim

Não é dentro
nem fora
embora seja dentro e fora
no nunca e a toda hora
que violento
o sentido nos deflora.

Catar os cacos
do presente e outrora
e enfrentar a noite
com o vitral da aurora


Silêncio Amoroso – 2

Preciso do teu silêncio
cúmplice
sobre minhas falhas.
Não fale.
Um sopro, a menor vogal
pode me desamparar.
E se eu abrir a boca
minha alma vai rachar.
O silêncio, aprendo,
pode construir. É um modo
denso/tenso
– de coexistir.
Calar, às vezes,
é fina forma de amar.

 

Despedidas

Começo a olhar as coisas
como quem, se despedindo, se surpreende
com a singularidade
que cada coisa tem
de ser e estar.
Um beija-flor no entardecer desta montanha
a meio metro de mim, tão íntimo,
essas flores às quatro horas da tarde, tão cúmplices,
a umidade da grama na sola dos pés, as estrelas
daqui a pouco, que intimidade tenho com as estrelas
quanto mais habito a noite!
Nada mais é gratuito, tudo é ritual
Começo a amar as coisas
com o desprendimento que só têm os que amando tudo o que perderam
já não mentem
.

 

Limites do Amor

Condenado estou a te amar
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te despeças de mim, sofrida,
na direção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida.

O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, sem empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
e este o mistério:

– ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta
.

Reflexivo

O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeus-se.

Amor e Medo

Estou te amando e não percebo,
porque, certo, tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo,
mas te amando tanto
que nem a mim mesmo
revelo este segredo.

_______________________________________

Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História

Figura:

https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=imagem+de+afonso+romano


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

O ator Gene Hackman

 




Em 26 de fevereiro de 2025 foi encontrado morto Eugene Allen Hackman. Foi um ator famoso, bem sucedido, que nasceu em São Bernardino, Califórnia, Estados Unidos em 30 de janeiro de 1930. Ele recebeu prêmios como dois Óscares, de melhor ator principal e melhor ator coadjuvante.   Em 2004 ele declarou sua intenção de parar de atuar e em 2008, ao promover um livro que escreveu, ele confirmou que tinha parado com os filmes e estava aposentado. Sua infância foi marcada por fatos tristes. O seu pai, um jornalista, brigava com frequência com sua mãe e batia em Gene, que ia aos cinemas para aliviar seu sofrimento pessoal e teve ídolos como Errol Flynn e James Cagney. Gene tinha um irmão mais novo, Richard Hackman, que se tornou ator.

O pai abandonou a família quando Gene tinha 13 anos e sua mãe alcóolica , morreu quando ele tinha 30 anos, devido a um incêndio que ela provocou por causa de um cigarro aceso. Aos 16 anos foi para o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Depois foi fazer jornalismo na Universidade de Illinois, sem ter concluído o curso. Foi então fazer um curso técnico de rádio e começou a tentar a carreira de ator, tendo se matriculado em Pasadena Playhouse na Califórnia. Quando se matriculou nessa instituição de artes cênicas, ele e o também depois ator premiado de cinema, Dustin Hoffman foram considerados os "menos propensos a ter sucesso".

Foi em 1964 que Gene Hackman fez sua estreia na Broadway, na peça Any Wednesday e também nesse ano atuou no filme Lilith, onde trabalhou ao lado de Warren Beatty. Em 1967 recebeu a primeira indicação ao Oscar, como ator coadjuvante, por seu trabalho em Bonnie e Clyde. Foi indicado novamente ao Oscar em 1970 quando atuou no filme Meu Pai, Um Estranho.  Então, em 1971, ele recebeu o Oscar de ator principal pelo papel de Jimmy 'Popeye', policial nova-iorquino que combatia uma quadrilha do narcotráfico no filme Operação França. Ele considerou que o seu melhor trabalho foi no filme A Conversação, de Francis Ford Coppola. Com um problema cardíaco, Gene Hackman não parou de trabalhar na década de 1990 e ganhou mais um Oscar de ator coadjuvante em Os Imperdoáveis e também ganhou um Globo de Ouro.

Na vida pessoal, casou-se duas vezes. A primeira com Faye Maltese (c. 1956; div. 1986), uma caixa de banco e com ela teve três filhos, um filho e duas filhas. Gene disse uma vez que sua obsessão pela fama e por dinheiro acabaram com seu casamento. Depois casou-se de novo com a pianista clássica Betsy Arakawa em 1991, que morreu ao seu lado. Ele e a esposa foram encontrados mortos em casa, em Santa Fé, Novo México, nos Estados UnidosEle tinha 95 anos e ela 64 anos. A polícia revelou que a esposa de Hackman faleceu dias antes dele devido a uma virose contraída por meio de ratos e o ator faleceu sozinho por um ataque cardíaco. Ele não soube que a esposa tinha morrido e não conseguiu se alimentar e tomar seus remédios por causa do estado avançado de Alzheimer em que se encontrava.

Era considerado modesto e fora de moda e era bem considerado em Hollywood, como um tipo de Spencer Tracy, estilo de homem comum, rabugento e celebridade relutante. Não era muito de aparecer socialmente a não ser em aparições obrigatórias em cerimônias de premiação. Não apreciava o lado comercial do show business. Uma vez ele comentou em 1988: “Atores tendem a ser pessoas tímidas. Talvez haja um componente de hostilidade nessa timidez, e para chegar a um ponto em que você não lida com os outros de forma hostil ou raivosa, você escolhe esse meio para si mesmo... Então você pode se expressar e obter esse feedback maravilhoso.”

Sobre a sua questão familiar quando era criança, Gene comentou em tom de ironia durante uma entrevista em 2001 para o The New York Times::"Famílias disfuncionais geraram muitos atores muito bons". Trabalhou com grandes diretores ao longo da carreira, de Francis Ford Coppola a Clint Eastwood. Além dos dois Óscares que ganhou, ele foi indicado para outros três. Fez o papel deLex Luthor nos clássicos "Superman - O Filme", e "Superman II-A Aventura Continua”. Seu último filme não teve boa aceitação da crítica e nem foi um filme com boa bilheteria. Em 2008 comentou sobre sua aposentadoria definitiva: "Não dei uma entrevista coletiva para anunciar minha aposentadoria, mas sim, não vou mais atuar. Nos últimos anos, me disseram para não dizer isso, caso surgisse algum papel realmente maravilhoso, mas eu realmente não quero mais fazer isso”. Em 2009 fez outro comentário sobre sua aposentadoria e disse que um problema cardíaco e o estresse foram a causa para sua decisão de parar de atuar. Ele após de aposentar gostava de pintar, fazer acrobacias aéreas, corridas de stock car e mergulho em alto mar e escreveu romances.

Famosos homenagearam Gene Hackman nas redes sociais:

FRANCIS FORD COPPOLA, CINEASTA

"A perda de um grande artista sempre causa tanto luto, quanto celebração. Gene Hackman foi um grande ator, inspirador e magnífico em seu trabalho e complexidade. Estou em luto por sua perda e celebro sua existência e contribuição."

VIOLA DAVIS, ATRIZ

"Te amei em tudo! 'A Conversação', 'Operação França', 'O Destino do Poseidon', 'Os Imperdoáveis' durão, mas vulnerável. Você foi um dos grandes. Deus abençoe aqueles que te amavam. Descanse em paz, senhor."

GEORGE TAKEI, ATOR

"Nós perdemos um dos verdadeiros gigantes das nossas telas. Gene Hackman podia interpretar qualquer um, e você podia sentir uma vida inteira por trás das performances. Ele podia ser todos e ninguém, uma presença imponente ou um Joe qualquer. Isso mostra o quão poderoso ele era como ator. Sentiremos sua falta, mas seu trabalho viverá para sempre."

JOSH BROLIN, ATOR

"Eu estou arrasado pelas mortes repentinas de Gene Hackman e sua mulher, Betsy Arakawa (e de seu cachorro). Arrasado. Ele sempre foi um dos meus favoritos. Não há muitos que seguem a própria batida como ele. Descanse em paz."

PAUL FEIG, cineasta: “Tão horrível. Gene foi uma inspiração para muitos de nós que amamos filmes. Tantos papéis brilhantes. Sua performance em A Conversação mudou a maneira como eu via a atuação e o que os atores poderiam trazer para um papel. Uma carreira incrível. Descanse em paz, Sr. Hackman”.

Sugestão de vídeos:

Adeus a Gene Hackman, Eterno Lex Luthor e LENDA do Cinema

https://www.youtube.com/watch?v=nwTmeaUzxbM

 

MELHORES FILMES com o Ator GENE HACKMAN | A Lenda de HOLLYWOOD em 10 FILMES

https://www.youtube.com/watch?v=Br_ab3gbD00

___________________________________

Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História

Figura:

https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=gens+de+gene+hackman#vhid=lTnmZLYws-R3iM&vssid=l

 




quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

O ator e comediante Leslie Nielsen

 






Em 11 de fevereiro de 1926 em Regina, Saskatchewan, Canadá, nasceu o ator, produtor e comediante Leslie William Nielsen. Ele iniciu sua carreira como ator em papeis dramáticos e depois se destacou em comédias, o que o projetou em Hollywood. Como ator atuou em mais de 100 filmes e mais de 150 programas de televisão, tendo interpretado cerca de 220 personagens. Ele foi chamado pelo crítico Robert Eber de o “ Laurence Olivier das paródias”.

Os pais de Leslie eram Ingvard Eversen Nielsen (1900-1975), um canadense de origem dinamarquesa, que era da polícia montada canadense e sua mãe era Mabel Elizabeth, que nasceu no País de Gales. Teve dois irmãos, um deles chegou a ser membro do Parlamento Canadense, do gabinete de ministros e vice primeiro-ministro interino do Canadá. A irmã da mãe de Leslie casou com Jean Hersholt, que foi ator e interpretava um médico chamado Dr. Christian, em um programa de rádio e também trabalhou em filmes e séries para  Tv. O tio foi uma inspiração para Leslie.

Leslie morou até a sua adolescência em Fort Norman, Noroeste do Canadá. O pai era agressivo com os filhos e esposa, usando de violência contra eles por anos. Teve problemas de audição desde o nascimento e usou aparelhos auditivos por boa parte da vida.

Após concluir o Ensino Médio, Leslie Nielsenfoi servir na Força Aérea Real Canadense e depois trabalhou como DJ numa rádio. Estudou em uma academia de artes em  Toronto. Nesse período de seus estudos, recebeu uma bolsa para estudar em Neighborhood Playhouse. Mudou-se para Nova Iorque e teve aulas de teatro e música e atuava em festivais de verão.

Leslie ingressou na  Actors Studio e começou a atuar em 1950 na televisão, tendo como seu colega o ator Charlton Heston, na série Studio One. Nesse ano atuou em 46 programas de televisão. Entre seus trabalhos, for narrador de documentários e fez comerciais, tinha uma boa aparência, mas ainda sem destaque como ator. Em 1956 fez sua estreia no cinema em seu primeiro longa-metragem, o musical The Vagabond King, que não deu boas lembranças.

Teve papeis como ator coadjuvante em séries, romances, faroestes e filmes dramáticos entre as décadas de 1950 e 1970. Foi elogiado por sua participação nos filmes Forbiden Planet e The Podeidon Adventure. Atuou em filmes da MGM como Ransom! (1956), The Opposite Sex (1956) e Hot Summer Night (1957). Foi protagonista com Debbie Reynolds na comédia romântica Tammy and the Bachelor, com atuação elogiada pela crítica. Deixou a empresa de cinema MGM e conseguiu papel de protagonista na minisérie The Swamp Fox da Disney. Teve papeis em séries como Voyage to the Bottom of the SeaThe Virginian,The Wild Wils WestHawaii Five-0. Foi o  ator principal na série The Bold Ones: The ProtectorsApós seu papel bem sucedido na comédia Airplane! ele passou a se destacar nas comédias tipo pastelão a partir dos anos 80.

Os personagens de Nielsen nas comédias eram pessoas “sem noção” em ambientes absurdos.  Trabalhou na série de tv  Police Squad como ator de comédia cujo  papel era o do policial Frank Drebin. Com esse papel ele ganhou o prêmio Emmy Award. Com a série de filmes The Naked Gun seu sucesso continuou e ele foi homenageado na Calçada da Fama do Canadá. Teve atuações de sucesso na década de 2000, nas produções da Dimension FilmsScary Movie 2Scary Movie 3 e Superhero Movie. Nesse filme ele fez uma paródia ao personagem Tio Ben do filme do Homem Aranha.  Outras comédias de sucesso dele foram Dracula: Dead and Loving It e Repossessed.

Leslie foi casado quatro vezes. O primeiro casamento foi com Monica Boyar (1950-1956); a segunda esposa foi Alisande Ullman (1958–1973), com quem teve duas filhas; a terceira foi Brooks Oliver (1981–1983) e a quarta foi Barbaree Earl (2001–2010).

Leslie apoiava institutos e obras de caridade para surdos. Teve osteoartrite e participou de campanhas do governo do Canadá em relação a esta doença.

Em novembro de 2010 Leslie Nielsen faleceu no Hospital Holy Cross, em Fort Lauderdale, Flórida, devido a uma pneumonia.  Tinha 84 anos.

Segundo a autora Dilva Frazão:

“Leslie Nielsen (1926-2010) foi um ator e comediante canadense. Durante três década atuou em papéis “sérios”, até descobrir seu talento para a comédia.

Leslie William Nielsen (1926-2010) nasceu em Regina, Canadá, no dia 11 de fevereiro de 1926. Filho de um membro da legendária Polícia Montada canadense. Durante a Segunda Guerra, passou por treinamento para ser artilheiro de aviões de combate, mas não chegou a embarcar para a Europa.

Início de carreira

Em 1948, Nielsen ganhou uma bolsa de estudos na Neighbourhood Playhouse, em Toronto, onde começou a estudar artes dramáticas. Em seguida, mudou-se para os Estados Unidos, onde iniciou sua carreira  e atuou em inúmeras séries de televisão em Nova Iorque..

Em meados da década de 50, Leslie Nielsen foi para Hollywood. Começou a atuar como galã em diversos filmes, entre eles. “O Planeta Proibido” (1956) e “A Flor do Pântano” (1957). Leslie acumulou três décadas de carreira como um ator “sério”, contabilizando mais de cinquenta filmes. Entre seus papéis dessa época se destacou como o capitão do navio que dá título ao filme dramático “O Destino do Poseidon” (1972).”

Talento para a comédia

A partir de 1980, Leslie descobriu seu verdadeiro talento, já um senhor, com cabelos brancos, despontou como um grande comediante no papel de um médico meio tonto a bordo de um avião à deriva na comédia “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu” (1980). Criação de Jim Abrahams e dos irmãos Jerry e David Zucker, trata-se de uma paródia dos filmes sobre desastres aéreos que haviam sido populares na década de 70”.

Em 1988, durante o lançamento de “Corra Que a Polícia Vem Aí!”, outra criação do trio, Leslie disse:

“Por anos fui escalado para o papel errado. Agora estou finalmente fazendo o que gosto” (...)”

_______________________________

Sugestão de vídeos:

Os 10 Melhores Filmes de Leslie Nielsen

 

https://www.youtube.com/watch?v=0seK7z4XZ48

 

 LESLIE NIELSEN, A HISTÓRIA DO HOMEM POR TRÁS DAS RISADAS

https://www.youtube.com/watch?v=e6ybSpRp9Gc

______________________________________

Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História

sábado, 22 de fevereiro de 2025

diretor Cacá Diegues

 



Em 14 de fevereiro de 2025 faleceu Carlos José Fontes Diegues, mais conhecido como Cacá Diegues, na cidade do Rio de janeiro. Era um famoso cineasta brasileiro e um dos fundadores do Cinema Novo. 

Nascido em Maceió, em 19 de maio de 1940, em Alagoas. Era filho do antropólogo Manuel Diegues Júnior.Em 1946 a família de Cacá mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro. Na sua infância e adolescência estudou no colégio jesuíta Santo Inácio. Depois ingressou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio de Janeiro) onde cursou Direito. Fundou na Universidade um cineclube. Ele era presidente do Diretório Estudantil. Foi assim que começou suas atividades de cineasta amador junto com David Neves,  Arnaldo Jabor etc. Nesse período estudantil dirigiu o jornal O Metropolitano, ligado à União Metropolitana de Estudantes. Fez parte nessa época do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE). O Cinema Novo teve sua origem relacionada a grupos como o da PUC e o do Metropolitano, no fim da década de 1950. Os líderes desse movimento foram Cacá, Glauber Rocha, Leon Hirszman, Paulo César Saraceni e Joaquim Pedro de Andrade.

Cacá Diegues realizou, junto com David Neves e Affonso Beato, o curta-metragem Domingo, um dos primeiros do Cinema Novo, em 1961. No ano seguinte, no Centro Popular de Cultura, Cacá dirigiu Escola de Samba Alegria de Viver, seu primeiro filme como profissional , em 35mm. Era um episódio do longa-metragem Cinco Vezes Favela (os demais episódios foram dirigidos por Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Marcos Farias e Miguel Borges). Em 1964, 1966 e 1969 dirigiu Ganga ZumbaA Grande Cidade e Os Herdeiros . Continuou trabalhando também como jornalista, com seu jeito de polemista inquieto, tendo escrito críticas, ensaios e manifestos cinematográficos, em diferentes publicações, no Brasil e no exterior.

Teve de deixar o Brasil em 1969 por causa do Ato Adicional Número 5 (AI-5). Foi primeiro para a Itália e depois para a França. Estava casado com sua primeira esposa, a cantora Nara Leão. No seu retorno ao Brasil, realizou em 1972 Quando o Carnaval Chegar e ainda na década de 1970 os filmes Joanna Francesa (1973), Xica da Silva (1976), Chuvas de Verão (1978), Bye Bye Brasil (1979).  Xica da Silva foi o filme que Cacá conseguiu mais sucesso popular.

Cacá Diegues em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, inventou a expressão “patrulhas ideológicas”. Ele estava denunciando críticos que não valorizavam as produções culturais nacionais que não estivessem alinhadas a um modelo de certos setores da esquerda brasileira.  

Cacá participou em 1981 do júri do Festival de Cannes e em 1984 realizou uma produção internacional sob o comando da empresa francesa Gaumont: Quilombo.

Em 1987 e 1989 , quando a indústria de cinema nacional passava por uma fase crítica, Cacá realizou dois filmes de baixo custo: Um Trem para as Estrelas (1987) e Dias Melhores Virão (1989) . No mesmo período realizou Veja esta Canção (1994), com a Tv Cultura.

Cacá foi um dos poucos cineastas veteranos trabalhando com comerciais, documentários, videoclipes a partir da nova Lei do Audiovisual. Houve os  filmes Cacá Tieta do Agreste (1996), Orfeu (1999) e Deus é Brasileiro (2003). Em novembro de 2022  Deus Ainda É Brasileiro, começou a ser produzido. Ele teve a maioria dos seus 18 filmes selecionada por grandes festivais internacionais, como Cannes, Veneza, Berlim, Nova Iorque e Toronto. Ele teve filmes exibidos comercialmente na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina.

Cacá fez parte da Ordem das Artes e das Letras da República Francesa e foi participante da Cinemateca Francesa. Recebeu do governo brasileiro o título de Comendador da Ordem de Mérito Cultural e a Medalha da Ordem de Rio Branco, a mais alta do país.

Foi casado com a cantora Nara Leão de 1967 a 1977, com quem teve os filhos Isabel e Francisco. Em 1981 casou-se com a a produtora de cinema Renata Almeida Magalhães, com quem teve a filha Flora.

Foi homenageado pela escola de samba  Inocentes de Belford Roxo, no Rio de Janeiro, em 2016, com o enredo "Cacá Diegues - Retratos de um Brasil em cena!". Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em agosto de 2018. Teve uma parada cardíaca e mrreu aos 84 anos, antes de fazer um procedimento cirúrgico em uma clínica no Rio de Janeiro. Foi um cineasta que recebeu vários prêmios nacionais e internacionais.

Filmografia:1959- Fuga (curta-metragem);1960- Brasília (curta-etragem);1961-Domingo (curta-metragem);1962- Cinco Vezes Favela (Segmento: Escola de Samba Alegria de Viver); 1964 - Ganga Zumba; 1965 - A Oitava Bienal (curta-metragem); 1966 - A Grande Cidade; 1967 - Oito Universitários (curta-metragem); 1969 - Os Herdeiros; 1971 - Receita de Futebol (curta-metragem); 1972 - Quando o Carnaval Chegar; 1973 - Joanna Francesa;1974 - Cinema Íris (curta-metragem); 1975 - Aníbal Machado (curta-metragem);1976 - Xica da Silva;1978 - Chuvas de Verão;1979 - Bye Bye Brasil; 1984 – Quilombo;1985 - Batalha da Alimentação (curta-metragem);1986 - Batalha do Transporte (curta-metragem); 1987 - Um Trem para as Estrelas;1989 - Dias Melhores Virão;1990 - "Exército de Um Homem Só" (videoclipe da banda Engenheiros do Hawaii);1994 - Veja Esta Canção; 1996 - Tieta do agreste; 1997 - For All - O Trampolim da Vitória (como ator); 1999 – Orfeu; 1999 - Reveillon 2000 (curta-metragem); 2000 - Carnaval dos 500 anos (curta-metragem); 2003 - Deus É Brasileiro;2006 - O Maior Amor do Mundo; 2013 - Giovanni Improtta (produtor);2018 - O Grande Circo Místico.

Sugestão de vídeo:

Xica da Silva, dirigido por Cacá Diegues

https://www.youtube.com/watch?v=2YRkI2Yve7o

______________________________________________

Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História

 

Figura: https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=imagem+de+cac%C3%A1+diegues




sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

A escritora ítalo-Brasileira Marina Colasanti

 



                                                       Marina Colasanti


Faleceu em 28 de janeiro de 2025 a escritora, contista, jornalista, tradutora e artista plástica ítalo-brasileira Marina Colasanti. Ela nasceu em 26 de setembro de 1937 em Asmara, na Eritreia, que fazia parte do império colonial italiano. Ela foi autora de mais de 70 obras para crianças e adultos.

Características presentes em obras da autoraintertextualidade; caráter mitológico; protagonismo feminino; questões do universo feminino; fatos do cotidiano; crítica social e de costumes; lirismo; elementos do conto de fadas; realismo fantástico; frases curtas; crítica ao individualismo.

Marina passou parte de sua infância em Trípoli, na Líbia, na época uma colônia italiana e depois na Itália. Seu pai, Manfredo Colasanti, era ator, assim como seu irmão, Arduíno Colasanti. Um de seus avôs era professor de uma escola de artes, crítico de arte e escritor e a tia-avó dela Gabriella Bezanzoni era cantora lírica. Em 1948 Marina e familiares mudaram-se para a cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. Quando ela tinha 16 anos sua mãe morreu.

No período entre 1952 e 1956 Marina estudou pintura com Caterina Baratelli e em 1956 ela entra para a Escola Nacional de Belas Artes como professora de desenho. Essa formação de artista plástica é que deu a ela a possibilidade de ela mesma ilustrar futuras obras suas. Trabalhou como jornalista por 11 anos no Jornal do Brasil a partir de 1962. Foi nessa época redatora, repórter, editora, colunista e cronista. Escreveu para veículos de comunicação como as revistas SenhorFatos e FotosEle e ElaFair-playCláudia Joia. Após esse período ela trabalhou na editora Abril, na Revista Nova, na qual ficou por 18 anos. Também ia publicando livros e apresentou programas televisivos, assim como criou alguns roteiros para filmes e novelas. Foi também editora da seção Segundo Tempo do Jornal dos Sports.

A primeira obra de Marina foi Eu Sozinha, que escreveu em 1968. Depois passou a publicar mais livros, direcionados para o público infantil e também para os adultos. Foi tradutora de obras da língua italiana. Publicou ao todo mais de 70 livros (contos, poesias, prosa, literatura infantil e infanto-juvenil. São obras variadas, que tem atraído leitores de diversas faizas etárias, com temas diversos como histórias de amor, o papel da mulher na sociedade, os relacionamentos interpessoais etc. Muitos livros dela foram traduzidos para outras línguas.

Ela ficou famosa por seus livros infantis e ganhou como escritora diversos prêmiosliterários, como o Jabuti em 1993, 1994, 1997, 2009, 2010, 2011 e, em 2014, venceu o prêmio na categoria Livro do Ano de Ficção.A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil deu a ela o prêmio O Melhor para o Jovem. Seu livro Passageira em trânsito recebeu o Prêmio Jabuti em 2010. Ganhou o 13º Prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil, em 2017 e em 2023 passou a ser a primeira mulher vencedora do Prêmio Machado de Assis, dado pela Academia Brasileira de Letras, devido ao conjunto de suas obras. Foi indicada cinco vezes ao Prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da Literatura Infantil mundial. Foi homenageada como Personalidade Literária de 2024, na última edição do Prêmio Jabuti.

Marina Colasanti se declarou feminista histórica e integrou o primeiro Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Escreveu quatro livros relacionados a temas ligados ao feminino no mundo. Foi casada com o escritor Affonso Romano de Sant’Anna desde 1971, que sofre de mal de Alzheimer. O casal teve duas filhas: Alessandra (atriz, roteirista e diretora) e Fabiana (que morreu em 2021). 

Museu da Pessoa entrevistou Marina em 2008. Uma das perguntas foi sobre suas lembranças a respeito do primeiro livro que havia lido em sua vida. Ela respondeu:

"Não tenho, porque eu não tenho lembrança de ausência de livro. Eu sou de uma cultura leitora. Um país... Mais do que um país, a Europa. A Europa é leitora, a Itália é um país leitor, então uma casa sem livro pra mim é inconcebível. Eu nunca ganhei um primeiro livro, os livros estavam ao meu redor sempre. Quando eu não sabia ler, a minha mãe lia pra mim. Então depois é que eu aprendi a ler. É um contínuo. Não tem um momento que o livro entra, o livro sempre esteve."

Marina faleceu aos 87 anos na cidade do Rio de Janeiro, de pneumonia. O corpo dela foi velado no Parque Lage, que serviu de casa para a sua família, quando chegou da Itália, em 1948. O engenheiro e empresário Henrique Lage ergueu a casa e era casado com a tia de Marina, a cantora lírica Gabriela Bezansoni. A relação de Marina com a casa e seus tios foi descrita na obra de 2021, Vozes de Batalha.

Obras de Marina Colasanti

  • Eu Sozinha (1968)
  • Nada de Manga (1975)
  • Zoológico (1975)
  • A Morada do Ser (1978)
  • Uma Ideia Toda Azul (1978)
  • Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento (1978)
  • A Menina Arco-Íris (1984)
  • O Lobo e o Carneiro no Sonho da Menina (1985)
  • E Por Falar em Amor (1985)
  • O Verde Brilha no Poço (1986)
  • Contos de Amor Rasgado (1986)
  • Um Amigo Para Sempre (1988)
  • Aqui Entre Nós (1988)
  • O Menino Que Achou Uma Estrela (1988)
  • Cada Bicho Seu Capricho (1992)
  • Um Amor Sem Palavras (1995)
  • Longe Como o Meu Querer (1997)
  • Gargantas Abertas (1998)
  • Fragatas Para Terras Distantes (2004)
  • Uma Estrada Junto ao Rio (2005)
  • Acontece na Cidade (2005)
  • Minha Ilha Maravilha (2007)
  • Passageira em Trânsito (2010)
  • Hora de Alimentar Serpentes (2013)
  • Como Uma Carta de Amor (2014)
  • Mais de Cem Histórias Maravilhosas (2015)
  • Melhores Crônicas - Marina Colasanti (2016)
  • Tudo Tem Princípio e Fim (2017).

 

Poemas de Marina Colassanti:

“Lá fora, a noite”

É quando a família dorme
— inertes as mãos nas dobras dos lençóis
pesados os corpos sob a viva mortalha —
que a mulher se exerce.
Na casa quieta
onde ninguém lhe cobra
ninguém lhe exige
ninguém lhe pede
nada
caminha enfim rainha
nos cômodos vazios
demora-se no escuro.
E descalços os pés
aberta a blusa
pode entregar-se
plácida
ao silêncio.

“Frutos e flores”

Meu amado me diz
que sou como maçã
cortada ao meio.
As sementes eu tenho
é bem verdade.
E a simetria das curvas.
Tive um certo rubor
na pele lisa
que não sei
se ainda tenho.
Mas se em abril floresce
a macieira
eu maçã feita
e pra lá de madura
ainda me desdobro
em brancas flores
cada vez que sua faca
me traspassa.

 

Frases de Marina Colassanti:

 

"Todos os meus livros continuam valendo, como sabem os acadêmicos que me atribuíram o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra".

“Sem amor também não se vive.”

“Não existe metro nem fita métrica para medir a felicidade.”

“O amor é inconsútil, não tem medida.”

“A diversidade dos desejos não pode ser ignorada.”

“Assim a vida vai, entre os revolucionários que gostam de mudanças, e os conservadores que não gostam delas.”

“Estamos chegando demasiado perto da beira do precipício.”

____________________________________

Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História.

 

Figura:

https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=imagem+de+marina+colasanti#vhid=