A linda valsa de breque “Rosa”,
composta em 1917, é uma criação de Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha,
um compositor brasileiro muito talentoso. O título original era ”Evocação”. A
música foi composta em três partes, conforme a regra e a tradição do chorinho.
Pixinguinha foi o responsável pela primeira gravação em solo de flauta (disco
Odeon 121.365, lançado em 1917), com acompanhamento de Tute e um cavaquinho não
identificado. Anos depois, ela recebeu letra só para primeira e segunda partes.
E foi dessa forma que ela foi gravada e regravada muitas vezes. Mais
recentemente, houve uma regravação na versão original, em três partes, sem
letra, para o box “Choro Carioca, Música do Brasil” lançado pela gravadora
Acari.
A letra depois acrescentada é de Otávio
de Souza, um mecânico do Engenho de Dentro, bairro carioca. Ele morreu novo e
nunca mais criou uma obra assim, considerada uma obra prima. Uma versão diz que
Pixinguinha estava bebendo em um bar quando Otávio de Souza se aproximou para
contar que tinha feito uma letra em sua mente para a valsa “Rosa”. Pixinguinha
ouviu e impressionou-se. Essa versão foi dada por Pixinguinha, que em seu
depoimento ao MIS-RJ, afirmou que a autoria da letra seria de um
mecânico do Méier, de nome Otávio de Souza.
Pesquisadores duvidaram e lançaram a
suspeita de que a letra – por seu estilo rebuscado e parnasiano – seria de
Cândido das Neves, parceiro de Pixinguinha em “Página de dor” e outras músicas.
No entanto, há estudiosos que destacam que o autor foi mesmo Otávio de
Souza. Para esses, o estilo da letra de “Rosa” é mais de acordo com um poeta
menor que se encantou com os volteios de Cândido das Neves e copiou assim seu
estilo, sem ter o mesmo talento.
Os versos na letra idealizam uma amada
apreciando e tornando-a perfeita em seus versos, “como: “divina e graciosa”,
“alma da mais linda flor”, entre outros. O “eu lírico” da
canção pede perdão à idealizada e amada mulher, nos últimos versos da
letra, por amá-la loucamente, lamentando a incerteza da reciprocidade do amor
que tem à moça, chegando a imaginar “conduzi-la ao pé do altar” para provar seu
amor, agradecendo a Deus por desejos e beijos realizados.
Abaixo a letra de “Rosa”:
“Rosa”
Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
O teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu
Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer.
Para ouvir:
ROSA com ORLANDO SILVA, edição MOACIR SILVEIRA - Bing video
Rosa - Pixinguinha - Bing video
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Márcio José Matos Rodrigues-Professor
de História
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