terça-feira, 7 de março de 2017

As mulheres e a Segunda Guerra Mundial



Considerando-se que no dia 08 de março se comemora o Dia Internacional da Mulher, resolvi escrever este artigo relacionando a mulher com a Segunda Guerra Mundial, pois as mulheres durante essa guerra passaram a participar mais do trabalho nas fábricas,em diversas funções, o que influenciou para que depois do conflito elas  tivessem mais espaço na sociedade. Também estiveram diretamente na guerra como enfermeiras; serviços administrativos; auxiliares em centros de controle anti-aéreo; pilotando aviões; sendo agentes secretas, agindo em movimentos de resistência e  até mesmo como combatentes,em especial no exército da União Soviética (URSS). 

Além das atividades nas indústrias,nas forças armadas e nos movimentos de resistência, as mulheres muitas vezes sofreram violências brutais, sendo agredidas, violentadas, exploradas sexualmente e escravizadas, assim como perdiam entes queridos em ataques aéreos e invasões de exércitos, tinham de suportar a perda de maridos e filhos servindo nas tropas em combate e passavam privações várias.

Na Grã-Bretanha, com a mobilização de 5, 5 milhões de homens, a força de trabalho passa a ser decisiva para que o país se mantenha nesse período difícil, sendo que de início a introdução da mulher de forma maciça no mercado de trabalho causou diferentes reações, porque muitos havia o temor masculino de que após a guerra a força de trabalho feminina permaneceria ativa e acabaria tirando trabalho dos homens.

Do mesmo modo que na Inglaterra, houve outros países como a URSS, o Canadá e os Estados Unidos que adotaram o trabalho feminino na construção de aviões, navios, produção de armas e outras atividades civis e militares. Assim, em 1942, 6 milhões e 769 mil mulheres estavam envolvidas no esforço de guerra na Grã-Bretanha.

Uma das primeiras forças aéreas a admitir mulheres foi a Força Aérea Canadense, tendo sido criada a Força Aérea Feminina Auxiliar do Canadá em 1941. No mesmo ano o Canadá criou o Serviço Feminino Armado Canadense e em 1942 criou a Reserva Feminina Real do Canadá. As mulheres assumiam funções administrativas, o que liberava os homens para lutar. Infelizmente as militares  recebiam uma remuneração menor que os homens.

Também mulheres soviéticas se destacaram nas forças armadas, sendo um bom exemplo a se falar o  das chamadas "bruxas da noite", batizados assim pelos seus inimigos alemães porque atacavam sempre à noite e costumavam bombardear descendo com o motor quase desligado para não serem notadas atacando assim de surpresa. Realizaram mais de 30.000 missões de ataque.

Em relação ao trabalho das enfermeiras, vários exércitos as tinham para atender seus soldados feridos, inclusive a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Cito um trecho  publicado em http://henriquemppfeb.blogspot.com.br: "Os hospitais  de campanha não atendiam somente aos brasileiros e americanos; o socorro era prestado a civis e prisioneiros.Também tiveram problemas com os uniformes; os primeiros deles foi ainda no Brasil. Os uniformes que mandaram confeccionar eram de tão má qualidade e malfeitos que não concebe que tivessem sido feitos para uma representação feminina junto a tropas estrangeiras. As primeiras fardas que receberam eram de brim chamado "Zé Carioca", o mesmo usado para macacões dos mecânicos. O alfaiate escolhido é especialista em fardas para cozinheiros e chofer de praça. Entrando na guerra muito depois das americanas as brasileiras se portaram à altura de suas colegas que lá estavam há dois anos. Inteligentes, adaptando-se rapidamente às exigências da técnica de enfermagem em plena campanha de guerra. À instabilidade oriunda da frente pelos exércitos em luta, mostraram-se resistentes fisicamente diante das longas horas de trabalho, muitas vezes dobrando os seus serviços no desconforto do meio que viviam."

Entre as espiãs destacaram-se mulheres inteligentes e corajosas como  a polonesa Krystyna Skarbek que foi uma das primeiras mulheres a servir como agente britânica na Segunda Guerra Mundial. Primeiro foi enviada para a Hungria para operar uma rede de espionagem que contrabandeava relatórios de inteligência de guerra e protótipos de armas para o Reino Unido e trabalhou junto a agentes e grupos de resistência na Polônia, sendo capturada pela Gestapo. Conseguiu fugir e depois foi enviada pelo Serviço Secreto inglês para a França onde atuou com resistentes franceses.

Uma outra espiã famosa foi a neozelandesa Nancy Wake, que  era jornalista em sua terra natal. Depois de casar com um francês, se mudar para a França e ver esse país ser ocupado por nazistas, ela decidiu que seu novo trabalho seria  contra os interesses de Hitler.  Nancy se juntou à Resistência Francesa e trabalhou ajudando soldados britânicos a escapar de volta ao Reino Unido. Chegou a ser capturada em 1940, porém enganou seus captores e escapou. Chegou a ter um prêmio alto por sua cabeça. Voltou à Inglaterra e foi enviada para a França para coordenar ataques da resistência para o dia D. Sobreviveu à guerra e foi condecorada pelo Reino Unido, França e Estados Unidos. E vários outros exemplos de mulheres assim poderiam ser citados.

Para encerrar, vou citar alguns trechos do historiador Max Hastings em sua obra "Inferno, O Mundo em Guerra, 1939-1945":

"A mobilização das mulheres foi um fenômeno social essencial na guerra, mais generalizado na União Soviética e na Inglaterra".

"Muitas moças sofriam, porém, quando jogadas num mundo fabril vergonhosamente chauvinista, dominado pelos homens".

Referindo-se às trabalhadoras nos Estados Unidos: "Todas as operárias, porém, recebiam salários muito menores, numa média 31,50 dólares por semana, enquanto os homens ganhavam 54,65 dólares".

Sobre mulheres que serviram como soldadas na URSS:  "Muitas mulheres em uniformes eram exploradas sexualmente de maneira impiedosa".

Sobre mulheres trabalhadoras na URSS: "As mulheres que trabalhavam em campos e fábricas na ausência de homens sofriam fome crônica e eram com frequência convocadas a tarefas além de sua capacidade física".

"Todos os países beligerantes empregavam mulheres como enfermeiras, num papel que muitas julgavam compensador".

"Se a guerra expandiu de forma dramática as oportunidades e as responsabilidades das mulheres em algumas sociedades, também intensificou sua exploração, principalmente sexual, num mundo governado pela força".

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Márcio José Matos Rodrigues - Professor de História



quinta-feira, 2 de março de 2017

Imigrantes nos Estados Unidos - Parte 1: Os Irlandeses



Nesta época se debate muito a questão dos imigrantes mexicanos e de outros países nos Estados Unidos. Em virtude disto, resolvi escrever alguns artigos falando sobre povos que emigraram de seus países para o país norte-americano, em especial no século XIX e nos primeiros anos do século XX. Quero ressaltar a importância destes povos, a razão da partida e as dificuldades que passaram. Vou começar pelos irlandeses.

Há cerca de 10.000 anos começaram a chegar os primeiros humanos à Irlanda. Por volta de 300 a. C, os celtas chegaram vindos da Europa continental. A língua oficial da República, o irlandês, deriva da língua celta. No século V os missionários cristãos chegaram na Irlanda e o cristianismo substituiu a religião pagã por volta de 600 d. C.

No final século VIII e durante o século IX os vikings começaram a invadir e fundaram Dublin em 988, que é hoje a capital da Irlanda. Mas anos depois os vikings foram derrotados por um rei irlandês. No século XII chegaram os normandos (descendentes dos vikings que haviam se estabelecido no norte da França e conquistaram a Inglaterra em 1066), que construíram cidades muradas, castelos e igrejas, desenvolvendo também o comércio e a agricultura.

Quando Henrique VIII era rei da Inglaterra, ele fez que o Parlamento Irlandês o declarasse rei da Irlanda em 1541. A partir daqueles tempos até o fim do século XVII, o sistema agrícola implantado pelos ingleses causou a chegada de colonos protestantes ingleses e escoceses. Começaram aí os conflitos religiosos.

No século XVII houve a imposição das leis penais. Essas leis ditavam a retirada de poder dos católicos, negando-lhes o direito à empréstimos ou a posse de terras acima de um determinado valor, o clero católico foi declarado ilegal, foi proibida a educação superior e a profissionalização. No século XVIII houve um abrandamento no cumprimento das leis penais, mas em 1778 os católicos detinham somente cerca de 5% das terras na Irlanda.

Em 1798, sob influência da Revolução Francesa,  houve uma rebelião contra a Inglaterra, com os rebeldes sendo apoiados pela França. Mas a rebelião falhou e em 1801 foi aprovada a Act of Union (Lei da União), unindo politicamente a Irlanda à Grã-Bretanha.

Em 1829, o líder irlandês Daniel O'Connel lutou pela aprovação da lei de Emancipação Católica no parlamento em Londres e conseguiu eliminar a proibição total de voto para os católicos.

Durante o período colonial, no século XVII, de 50.000 a 100.000 irlandeses, mais de 75% deles católicos, emigraram para as colônias inglesas na América. No século XVIII, mais 100.000 católicos irlandeses chegaram. Irlandeses que trabalhavam sob o sistema de servidão formavam o grupo mais comum.

A partir da década de 1820 já havia uma forte crescimento imigratório de irlandeses para os Estados Unidos, mas o auge da imigração foi durante a Grande Fome de 1845-1849. Nessa época, houve uma praga que arrasou as plantações de batata, o principal produto agrícola que servia de alimento à população irlandesa. Cerca de um milhão de pessoas morreu de fome e mais de um milhão teve de emigrar para sobreviver, a maioria para os Estados Unidos. As condições dos navios eram terríveis e os índices de mortalidade entre os viajantes chegavam a 30%.


Muitos cidadãos irlandeses, que tiveram sua estrutura familiar abalada pelo caos da Grande Fome, em décadas posteriores acabavam migrando para os Estados Unidos. A maioria desses imigrantes se instalava na parte nordeste, principalmente nos grandes centros urbanos, onde criavam suas próprias comunidades. E no início da imigração, os imigrantes católicos sofriam preconceito.


Muitos irlandeses desempregados ou muito pobres viviam em condições precárias nas cidades dos Estados Unidos. Eram os mais pobres de todos os grupos de imigrantes que chegaram aos Estados Unidos no século XIX. Mas por volta de 1900, mesmo havendo muita pobreza entre os trabalhadores imigrantes irlandeses de cidades como Chicago e Boston e Nova York, no geral, muitos imigrantes já tinham emprego e renda igual à média americana. Depois de 1945, os irlandeses católicos consistentemente ascenderam ao topo da hierarquia social, graças principalmente à sua elevada taxa de graduação em faculdade.


A pobreza de muitos  irlandeses e seus descendentes nos séculos XIX e início do XX influenciou na participação de alguns deles em gangs, ficando alguns deles famosos como George “Bugs” Moran, filho de um irlandês e de uma polonesa, chefe de uma gang e que enfrentou Al Capone em Chicago nos anos 20 do século XX.

A participação irlandesa na cultura, na política e na economia dos Estados Unidos é muito significativa e um dos presidentes desta nação era descendente de irlandeses: John Kennedy. E um dos outros destaques foi Henry Ford, um famoso industrial.

Abaixo cito uma parte de um  texto sobre a Grande Fome, de Mark Thornton, que defende que a maior responsável pela morte de tantos irlandeses foi muito mais a política econômica inglesa que a praga (um fungo) que atingiu as batatas:  

"Há teorias que dizem que os ingleses propositadamente geraram a grande fome irlandesa.  Como aquela era uma era de revoluções, e dado que havia suspeitas de que os irlandeses estavam tramando mais uma revolta, trata-se de uma teoria relativamente factível.

No entanto, a questão da culpa não é tão importante quanto a questão da causa.  O que é realmente importante é que a grande fome irlandesa originou-se de grandes erros econômicos.

 A Irlanda foi devassada pelas forças econômicas originadas por um dos mais poderosos e agressivos Estados que o mundo já conheceu.  Sua população sofreu não por causa de um fungo (cujos cientistas ingleses insistiam ser apenas umidade excessiva), mas sim por causa da colonização, da espoliação, da servidão, do protecionismo, dos preços artificialmente altos sustentados pelo governo, do assistencialismo estatal e de insensatos programas de obras públicas."



              Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Os Zé Pereira, Os ranchos, os cordões, os blocos e as escolas de samba


Vou falar um pouco de algumas manifestações culturais do Carnaval que não pude abordar em meu artigo anterior por causa do espaço.

Zé Pereira
Para alguns estudiosos esse era o nome ou apelido dado ao cidadão português José Nogueira de Azevedo Paredes. Ele, em 1846, criou a figura do "Zé Pereira", no Rio de Janeiro. Era um tocador de bumbo que pode ter sido o primeiro a introduzir o hábito português de animar a folia carnavalesca ao som de bumbos, zabumbas e tambores de forma anárquica pelas ruas. Embora não exista mais, o Zé Pereira deixou como sucessores a cupica, o tamborim, o reco-reco, o pandeiro e a frigideira que são instrumentos que acompanham os chamados "blocos de sujos" e que também estão presentes em escolas de samba.

Segundo algumas pesquisas, em alguns lugares de Portugal houve também os "Zé Pereiras", assim mesmo chamados e, portanto, o português que o teria introduzido pode ter repetido um nome que já existia em Portugal.

Ranchos:
A partir da chegada da Corte de Portugal no Brasil começaram a surgir novos costumes no Carnaval. Um desses costumes era imitar o desfile de carruagens enfeitadas pelas ruas, ocupadas por pessoas usando máscaras e fantasias vindas de Paris.

O rancho era uma modesta agremiação de carnaval formada por pessoas de origem humilde e fez sua primeira aparição no carnaval carioca em 1873. Os ranchos existiam antes dessa data por influência religiosa, pois desfilavam em comemoração aos festejos natalinos no dia 6 de Janeiro (Dia de Reis). Pessoas fantasiadas de pastores e pastoras, percorriam a cidade cantando e pedindo agasalhos em casas de famílias e criaram um gênero musical chamado de marcha-rancho.

No início do século XX, os ranchos, desfiles de máscaras e fantasias estavam já estabelecidos no Rio de Janeiro pelas sociedades carnavalescas. Havia bailes de carnaval depois dos desfiles em clubes considerados finos, frequentados pela elite brasileira. E os pobres então brincavam em outros bailes como nas festas na Praça Onze, no bairro do Estácio.

Cordões
Criados no final do século XIX, incluíam a utilização da estética das procissões religiosas e mais as manifestações populares como a capoeira e os zé pereiras. Eram grupos de foliões mascarados, guiados pelo som do apito de um mestre e que dançavam pela rua ao sol de um conjunto de percussão. O primeiro cordão foi "Os Invisíveis", mas depois surgiram outros como o "Rosas de Ouro". A compositora Chiquinha Gonzaga compôs para ele a música Ô Abre Alas. Começou a haver uma disputa, às vezes acirrada, entre os cordões e houve também repressão policial com a justificativa de que havia violência no desfile dos cordões.

Segundo a historiadora Rosane Bardanachvili:

"Apesar dos preconceitos, os cordões também eram vistos como guardiões das tradições. Suscitavam ainda um misto de pavor e curiosidade;de rejeição e admiração. Assim, se fossem organizados e “civilizados” poderiam cumprir o papel que deles se esperava."

E ainda:
"Se muitas vezes o carnaval popular cedia às expectativas da elite não significava uma simples submissão ao gosto da cultura dominante. Era assim que os populares podiam continuar nas ruas, mostrando a irreverência, a crítica, o deboche, a brincadeira e a alegria."

Blocos
Enquanto o rancho era uma espécie de cordão mais organizado, que tinha a presença de mulheres e com instrumental mais variado, como violões, cavaquinhos, clarinetes e flautas e já com a presença do porta-estandarte (que seria depois copiado pelas escolas de samba) , os  blocos, que também surgiram no século XIX,  tinham caráter mais improvisado, sem coreografia ou enredo definido. Eram apenas grupos de amigos que queriam sair cantando e dançando pelas ruas. Esses grupos todos, cada um com sua característica, seriam a semente da qual brotaria a Escola de Samba.

Escolas de Samba:
Segundo algumas fontes, a primeira escola de samba foi a Deixa Falar (hoje em dia Estácio de Sá), em 1929. Os integrantes passaram a escolher todo o ano um tema que definiria as fantasias e a música. O anteriormente chamado Carnaval dos Pobres foi ganhando simpatia do resto da sociedade, até mesmo de intelectuais e artistas que começavam a se interessar pela cultura popular.

Getúlio Vargas, nos anos 30, querendo mostrar seu interesse pelas camadas populares, reconheceu o desfile das escolas de samba e procurou dar uma estrutura melhor . A partir daí o evento foi passando pelas mudanças até o momento que conhecemos agora, sendo que no século XX escolas de samba surgiram não só no Rio de Janeiro como em outras partes do país. É interessante ressaltar que Getúlio aproveitou nos anos 40, por meio do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), para estabelecer uma política cultural que buscava usar ideologicamente o samba e as escolas de samba a favor do tipo de sociedade que acreditava ser melhor para o Brasil, reforçando a sua imagem de líder populista e nacionalista.


Márcio José Matos Rodrigues - Professor de História


Imagem do Site: http://bit.ly/2lhDm4U

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Carnaval


A palavra carnaval  tem origem no latim "carna vale" e que significa dizer "adeus à carne". Isso se deve ao fato de preceder a Quaresma, período em que a Igreja Católica recomenda que os fiéis façam jejum e penitência.  Na verdade, o carnaval possui influências antigas. Entre essas influências estão as festividades gregas ao deus Dionísio,os bacanais e as Saturnálias na Civilização Romana.

Em relação aos bacanais, o culto à Baco, foi introduzido na Etrúria, antiga região na Península Itálica. O culto que já era conhecido na Magna Grécia, era celebrado durante à noite, admitindo-se homens e mulheres, dando origem a excessos de libertinagem. Foi da Etrúria que os mistérios dionísicos chegaram à Roma. Primeiro os cultos eram só para mulheres, mas depois homens e mulheres se entregavam a todos os excessos do vinho e à promiscuidade, possuídos pelo furor de Baco.

As Saturnálias era um  festival romano em honra ao deus Saturno (Cronos para os gregos), que ocorria no mês de dezembro, no solstício de inverno. Na comemoração as pessoas dançavam, usavam máscaras e pulavam para o alto. Tinham início com grandes banquetes e sacrifício. Durante estes festejos os escravos se comportavam temporariamente como homens livres; elegia-se, à sorte, um princeps — uma espécie de caricatura da classe nobre — a quem se entregava todo o poder.

Na verdade a conotação religiosa da festa prevalecia sobre aquela social e de classe. O princeps vinha geralmente vestido com uma máscara engraçada e com cores chamativas, dentre as quais prevalecia o vermelho (a cor dos deuses). Saturno para os romanos teria ensinado aos agricultores como cultivar e as Saturnálias tinham a ver com a fertilidade da terra, a plantação e as colheitas.

Com  a ascensão do cristianismo, essas festividades correram o risco de acabar. A Igreja quis cancelar as Saturnálias, mas sem desagradar completamente a seus fiéis. Então, no ano 325, ficou decidido que os 40 dias antes da Páscoa deveriam ser guardados apenas para orações e jejuns - intervalo de tempo que ficou conhecido como Quaresma. As festividades foram movidas para antes do início desse período. Por isso o carnaval é uma festa móvel. A Igreja foi forçada a consentir com a prática de certos costumes pagãos, muitos dos quais, cristianizados. O carnaval acabou sendo permitido, o que serviu como “válvula de escape”, diante das exigências que eram impostas aos medievos no período da Quaresma.

Na Idade Média, o carnaval passou a ser chamado de “Festa dos Loucos”, porque o folião perdia completamente sua identidade cristã e se apegava aos costumes pagãos. Tudo passava a ser permitido na “Festa dos Loucos”, com a abolição de todos os constrangimentos sociais e religiosos. Havia várias licenciosidades, que eram, geralmente, associadas à veneração aos deuses pagãos. Era um período em que a vida das pessoas tornava-se visivelmente ambígua, pois a vida oficial – religiosa, cristã, casta, disciplinada, reservada, etc. – unia-se com a vida não-oficial – a pagã e libertina.

No Brasil, a origem do carnaval brasileiro é totalmente européia. A comemoração carnavalesca data do início da colonização, sendo uma herança do entrudo português e das mascaradas italianas.

Somente muitos anos mais tarde, no início do século XX, foram acrescentados os elementos africanos, que contribuíram de forma definitiva para o seu desenvolvimento e originalidade.

O "entrudo" desembarcou na cidade do Rio de Janeiro, em 1641. O termo, derivado do latim "introitus" significava "entrada", "começo", nome com o qual a Igreja denominava o começo das solenidades da Quaresma. No entanto, as festividades do entrudo já existiam bem antes do Cristianismo, eram comemoradas na mesma época do ano e serviam para celebrar o início da primavera.

O entrudo era uma brincadeira de rua muitas vezes violenta. Era comum os escravos molharem-se uns aos outros, usando ovos, farinha de trigo, polvilho, cal, goma , laranja podre, restos de comida, enquanto as famílias brancas divertiam-se em suas casas derramando baldes de água suja em passantes.

Com o passar do tempo e devido a insistentes protestos e às proibições que passaram a ser impostas, o entrudo civilizou-se, adquiriu maior graça e leveza, substituindo as substâncias nitidamente grosseiras por outras , como os limões de cheiro (pequenas esferas de cera cheias de água perfumada) ou como os frascos de borracha ou bisnagas cheias de vinho, vinagre ou groselha. Estas últimas foram as precursoras dos lança-perfumes introduzidos em 1885.

No tocante à música, tudo ainda era muito precário; o entrudo não possuía um ritmo ou melodia que o simbolizasse. Apenas a partir da primeira metade do século XIX, com a chegada dos bailes de máscaras nos moldes europeus, foi que se pôde notar um desenvolvimento musical mais sofisticado.

O uso de máscaras a partir de 1834 se acentuou no Brasil. As fantasias apareceram logo após o surgimento das máscaras. O primeiro baile de máscaras provavelmente foi o realizado no Hotel Itália no Rio de Janeiro em 1840, por iniciativa dos proprietários italianos. Começou a haver uma diferenciação social entre os participantes do carnaval de salão, mais de classe média e a festa de rua ao ar livre e popular. Ainda no século XIX surgiram os ranchos, os cordões e as marchinhas e no século XX surgem as escolas de samba.

Em várias partes do país na passagem do século XIX para o XX surgiram diferentes manifestações culturais envolvidas com o carnaval, como o frevo em Pernambuco e os Afoxés na Bahia. O samba surgiu em 1910 e passou a ser cada vez mais presente no carnaval.

O carnaval no Brasil, portanto, tem origens europeias e se misturou com outros aspectos como as influências culturais africanas. É uma grande festa, que possui seu lado comercial (venda de máscaras, fantasias, bebidas, turismo etc), como também representa uma ampla mostra da cultura brasileira, uma forma de reduzir as pressões do cotidiano, de ironizar o poder, de soltar o corpo e de se exprimir culturalmente, embora alguns excessos que ainda acontecem sejam reprováveis, como certos atos de descontrole emocional  ou agressividade que podem resultar em violência.

Com este artigo pretendi fazer um histórico do carnaval, ressaltando suas origens e algumas características, mas decerto é um tema amplo para ser desenvolvido em poucas páginas e sempre há muito mais a falar.


Márcio Rodrigues-Professor de História e Psicólogo.


sábado, 4 de fevereiro de 2017

As Muralhas de Adriano e de Antonino, o Muro de Berlim e o Muro do México


Escrevo este artigo fazendo alguns comentários sobre as muralhas romanas de Adriano e Antonino, o Muro de Berlim e  o Muro do México.

Em primeiro lugar as duas muralhas romanas que foram construídas no século 2 D.C (anos 122 e 142) pelos imperadores Adriano e Antonino para defender a fronteira nos limites da atual Escócia contra as tribos dos chamados povos pictos. O Império Romano tinha se expandido, com grande parte da atual ilha da Grã Bretanha conquistada.

Os romanos se julgavam uma civilização superior e os povos fora do Império eram considerados bárbaros. Segundo alguns autores, as muralhas estavam longe de serem inexpugnáveis e serviram mais como marcos limítrofes da expansão romana. Conquista era uma diretriz da Civilização Romana, por novas terras, mais riquezas e escravos.

O Muro de Berlim foi  construído na Guerra Fria, no início dos anos 60 do século XX, para impedir a fuga de alemães orientais para Berlim Ocidental capitalista. Era um sistema fortificado com muro e 
torres com guardas armados com metralhadoras e cercas elétricas.  

O fim do muro se deu em 1989 com o colapso de países comunistas do Leste da Europa. Pouco tempo depois houve a unificação da Alemanha.

O muro entre México e os Estados Unidos constitui atualmente uma parte do sistema controle e vigilância dos Estados Unidos da fronteira. A extensão do muro entre México e Estados Unidos é de aproximadamente 1.130 quilômetros, cerca de um terço da fronteira entre os países.

Os maiores objetivos são impedir a entrada de imigrantes ilegais e dificultar o tráfico de drogas.

Não há uma uniformidade no muro, pois em alguns pontos é uma “parede” simples, não muito alto. Em outros lugares, entretanto, ele é formado por dois muros e um espaço entre eles por onde passam veículos militares e de fiscalização, possuindo também algumas torres de observação e militares prontos para atirar.

Agora o presidente Trump mandou continuar a construção do muro e quer cobrar o custo do México. Tem-se observado no decorrer da história entre os países que os Estados Unidos tem tido muitas vantagens à custa do México, que perdeu um imenso território no século XIX, sofreu intervenções militares no início do século XX e na segunda metade do século XX passou a haver a presença das empresas "maquiladoras" que dão emprego, porém usam mão de obra barata dos mexicanos e não oferecem boas condições de trabalho.

É de se destacar os violentos carteis de drogas  do México  que tem como um grande mercado os Estados Unidos. Os consumidores de drogas deste país alimentam em grande parte a exportação das drogas pelos cartéis, que se valem da pobreza de muitos mexicanos. Para piorar, Trump quer dificultar a exportação de carros do México para os Estados Unidos e rever o NAFTA.

Considerar uma simples política de fechamento de fronteiras como a política ideal é negar a responsabilidade que os Estados Unidos possuem na questão social do México. É fazer, sob um certo ângulo, como os alemães orientais, que fecharam a passagem de uma forma arbitrária (embora naquele caso a intenção fosse de não deixar seus cidadãos passarem para outro lado) e, por outro lado, agir com a prepotência romana contra os "bárbaros".

A ação dos Estados Unidos como pretenso civilizador do mundo, o que se explica na sua "Doutrina do Destino Manifesto" do século XIX, se parece com a idealização romana de alargar sua forma civilizatória e também com a própria ideia hebraica de "povo escolhido por Deus".

É preciso que a política externa dos Estados Unidos tenha uma visão mais ampla em relação ao México e outras questões e o comportamentos e atitudes de seu atual presidente tem forte influência quanto à forma como esta política tem agido ultimamente.

     Márcio José Matos Rodrigues - professor de História




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A Questão México - Estados Unidos

Tem-se falado ultimamente em alguns aspectos envolvendo o México e os Estados Unidos. Entre estes aspectos podem ser citados os Tratados Comerciais (TPP e NAFTA) e a construção de um muro separando os dois países.

Na verdade, há todo um histórico envolvendo as duas nações, desde o surgimento das duas como países independentes, os Estados Unidos no século XVIII e o México no início do século XIX.

Quando os Estados Unidos foram formados, após a independência em relação à Inglaterra, seu território estava restrito a uma faixa de terra no leste da América do Norte. Mas após alguns anos, começou uma política expansionista, invadindo terras indígenas e adquirindo territórios de nações europeias, isto é, Inglaterra, França e Espanha.

Após conflitos iniciais com a Inglaterra, houve a negociação de alguns territórios ao norte, tendo a Inglaterra preservado o Canadá. Em relação à França, a grande região da Lousiana foi vendida por Napoleão Bonaparte. Na ocasião, começou a haver interesses de expansão dos Estados Unidos em direção a territórios espanhois na América do Norte. De início o interesse era na região texana, mas houve um acordo e a Espanha acabou negociando a Flórida. Também houve na época o início de uma colonização americana no Texas. Vale lembrar que a Espanha apoiou a independência das 13 colônias em relação à metrópole inglesa, o que facilitou o entendimento.

Com a independência do México, começaram a haver conflitos de interesses. Se de início houve um governo mexicano de estilo mais federalista, o que era mais favorável aos colonos americanos,depois a situação começou a mudar com um processo de centralização que era mais desconfiado em relação a essa colonização estrangeira. E ao mesmo tempo havia ainda combates entre expedições espanholas recolonizadoras e forças nacionais mexicanas. Esses fatos aconteceram durante a década de 20 do século XIX. Destacou-se como líder mexicano contra as invasões espanholas o general Santa Ana.

Nos anos 30  foi a França a potência invasora que reclamava o não cumprimento de um acordo comercial. Nesse tempo os Estados Unidos proclamava sua "Doutrina Monroe": "A América para os americanos", contrapondo-se às intervenções europeias e também implicitamente querendo dizer que os Estados Unidos passariam a ser a potência dominante em toda a América.

Há de se destacar que em 1829 milícias americanas atacavam propriedades mexicanas no Texas e no mesmo ano houve a oferta pelo embaixador dos Estados Unidos de compra do território por até 5 milhões de dólares, o que foi rejeitado pelo governo mexicano.

Os atritos envolvendo o Texas acabaram gerando uma guerra, primeiro com a destruição em 1836 pelo exército mexicano do Forte do Alámo, ocupado por colonos americanos e mais tarde com a derrota mexicana dias depois por forças armadas dos colonos na batalha de San Jacinto, o que levou à independência do Texas.

Em 1845, o governo dos Estados Unidos declarou que o Texas seria anexado, o que provocou reação do governo mexicano, que ainda não concordava com a perda daquele território. Iniciou-se em 1846 uma série de batalhas na Guerra Mexicano-Americana, que terminou definitivamente em 1848, com a derrota do México que foi obrigado a vender por cerca de 15 milhões de dólares grande parte de seu território (que corresponde atualmente aos atuais estados de Califórnia, Nevada, Texas, Utah, Novo México a áreas do estados de Arizona, Colorado e Wyoming). Na ocasião, ficou famosa a chamada "Doutrina do Destino Manifesto" que defendia o direito "civilizador" dos Estados Unidos sobre outros povos.

Em 1853, devido aos interesses estadunienses em construir um ferrovia, o governo mexicano foi induzido a vender por cinco milhões de dólares mais uma parte de seu território(compra de Gadsden).

É interessante que os resultados da aquisição de novos territórios acabaram influenciando na Guerra de Secessão dos Estados Unidos de 1861-1865, pois a maioria dos novos territórios não adotaram a escravidão, o que afetou no equilíbrio de poder entre os estados.

Os Estados Unidos apoiaram o governo mexicano durante a invasão francesa nos anos 60 do século XIX, quando foi formado um império europeu no México. Mas também ampliaram investimentos, principalmente quando o general Porfírio Diaz abriu o México ao capital estrangeiro, o mesmo Porfírio que teria dito em uma ocasião: "Pobre México! Tão distante de Deus, tão perto dos Estados Unidos".

Durante os anos de 1914-1917 houve intervenções militares dos Estados Unidos no México, ficando famosas as ações de guerrilha  de Francisco Villa ("Pancho Villa"). Era a época da doutrina do "Big Stick" ("Grande Porrete").

Já mais recentemente, destaca-se a expansão industrial mexicana ao norte, com empresas dos Estados Unidos se instalando na região (as empresas maquiladoras), influenciando por um lado na economia mexicana, com novos empregos (e as empresas americanas se beneficiam com os baixos salários), mas por outro lado, inchando cidades mexicanas na área. E aumentou muito também a imigração clandestina de mexicanos nos Estados Unidos à procura de novas oportunidades.

O aumento dos imigrantes provocou um reforço da fiscalização de fronteira, com o início da construção de sistema de vigilância que começou em 1994 e  que já abrangia cerca de um terço da fronteira. A problemática se acentua com a vontade de Trump  em aumentar a parte murada e cobrar as obras do governo mexicano.

Vê-se assim toda uma história de expansionismo dos Estados Unidos em relação ao México. Os dois são grandes parceiros comerciais. Mas como ficará o México com a desistência dos Estados Unidos em relação ao Tratado do Pacífico (já que Trump já anunciou a saída) e a proposta de revisão do NAFTA (acordo entre México, Estados Unidos e Canadá) e mais a questão do muro?

Se a nova relação entre os dois países piorar, poderá haver aumento da  pobreza mexicana e os carteis de drogas poderão se fortalecer. Seria bom Trump ser mais flexível.


Márcio José Matos Rodrigues - professor de História


domingo, 29 de janeiro de 2017

Dia da saudade



Dia 30 de janeiro é comemorado o Dia da Saudade.  A palavra saudade é utilizada em relação ao sentimento de falta de algumas pessoas, objetos, lugares ou acontecimentos vividos e segundo certas fontes, a expressão apareceu entre os portugueses que vinham para o Brasil no período colonial e sofriam ao se lembrarem de sua terra, sua casa e familiares que ficaram em Portugal.

Saudade tem sido  fonte de inspiração de escritores, compositores, poetas. Sentir saudade é normal, mostra por exemplo sentimento, consideração, por quem morreu e  tínhamos uma  importância afetiva; por alguém que está distante;  nossa relação emocional com lugares, como quando ficamos longe da terra onde nascemos e nos criamos ou de fatos, como  antigos encontros familiares, quando muitos entes queridos estavam presentes, inclusive os que já morreram.

O que não deve haver é uma saudade obsessiva, exagerada, como um luto interminável ou a infelicidade persistente por não poder voltar mais a determinada ocasião ou lugar, pois certas coisas passam e não tem mais volta, embora permaneçam vivas na lembrança, o que é compreensível, desde que não de uma forma torturante. Pode-se lembrar com ternura certos aspectos do passado, sem necessariamente ficar preso a ele.

Podemos também ter saudade de quem está distante, em outro lugar;  da cidade querida que pode-se ver algum dia. Portanto, tendo saudade e a esperança ao mesmo tempo de que o que nos motivou a saudade será ou poderá ser reencontrado. Quando há o reencontro, ainda que por pouco tempo, aí se diz que se  "matou a saudade".

Viver de nostalgia, como os que ficam sempre querendo que a realidade retorne a um ponto que existiu no passado, com um saudosismo inútil, uma apego extremado a algum tipo de sociedade que existiu, mas que não é mais possível agora, não é algo bom e pode gerar conflitos internos e até mesmo sociais, se um grupo teimar em querer fazer voltar o tempo, tentando impor uma forma de viver antiga, de uma maneira irreal.

Podemos tomar como exemplo alguns  que valorizam demais uma Belém de uma outra época e que acham que era bem melhor naqueles tempos e que gostariam que se voltasse àquela época. Seria possível fazer  Belém voltar exatamente ao que foi? E certas pessoas podem estar valorizando somente certos aspectos que elas gostavam. Mas será que tais aspectos eram prazerosos a todos? Será que estas pessoas que valorizam tais momentos não estão deixando de considerar outros que tenham sido ruins?

Portanto, nada de mal em sentir saudade, mas sem exageros, sem perder o senso de realidade. Sou tunante, tenho às vezes saudade dos momentos que presenciei quando a Tuna foi campeã nacional por duas vezes. Sei que o contexto era outro e creio que para a Tuna voltar a trilhar um caminho de grandes glórias terá de batalhar muitíssimo. Não vivo daquele passado, embora me alegre quando me lembro e gosto de ver fotos antigas que mostram aquelas conquistas, assim como acho importante o clube lembrar os bons momentos, mas desde que também procure ir construindo um novo tempo glorioso, por mais difícil que possa ser, ainda que não se consiga ter exatamente a mesma grandeza de outrora.

Também sou torcedor do Fluminense e gosto de lembrar do inesquecível time dos anos 80. Hoje os tempos são diferentes e torço sempre por novas conquistas. Tenho uma certa saudade de ver aqueles gols memoráveis de jogadores tricolores daqueles tempos como os do saudoso Assis. Um time como aquele para mim foi único na história tricolor e me marcou. Outros torcedores tricolores podem ter como referência de maior grandeza outros times de sucesso em outras décadas. Para mim a lembrança mais forte é a dos anos 80.  Gosto de vez em quando me lembrar, porém não me prendo na saudade daquela era de glórias, pois outras glórias vieram depois e com certeza outras virão, pois se em alguns momentos o clube enfrenta dificuldades sérias, tenho fé que passado um tempo conseguirá superá-las.

Fico pensando em alguns momentos como será a saudade dos refugiados de guerras. Com certeza tem saudade de tempos em que conseguiam viver em seus locais de origem e com suas famílias sem ficar temendo bombardeios ou chacinas. Mas não tem evidentemente nenhuma saudade de ver suas cidades e suas terras arrasadas. Agora eles buscam tempos melhores, mesmo que em lugares desconhecidos, estranhos e passando dificuldades várias.

Viva o "Dia da Saudade". Que haja saudades que nos toquem,  sem necessariamente nos dilacerar, nos lembrando que somos humanos, que temos sentimentos, que nos importamos com quem fez diferença em nossas vidas, que valorizamos certas coisas que  são significativas para nós e que podem ter nos deixado marcas positivas que nos fizeram crescer e ser quem nós somos.

Para terminar, um poema:

Saudade

na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.

Via você no ontem, no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento.

Que saudade...


Mario Quintana
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Márcio José Matos Rodrigues - Professor de História e Psicólogo