sábado, 11 de maio de 2019

Artigo sobre Maio Amarelo 2019








 

 


No mês de maio comemora-se o Maio Amarelo. O objetivo é alertar sobre o número de mortos e feridos no trânsito no mundo, procurando incentivar todos os segmentos da sociedade na busca da humanização do trânsito.


A cor escolhida foi o amarelo porque simboliza a sinalização e a advertência no trânsito. E o mês de maio foi escolhido porque em 11 de maio de 2011 foi decretado pela ONU a Década de Ação para Segurança no Trânsito. Vários países adotam esta campanha anualmente, inclusive o Brasil. Este ano o tema é : "No trânsito o sentido é a vida".


Infelizmente, no Brasil ainda há muitos acidentes e também muitos mortos e feridos devido a estes acidentes. É preciso cada vez mais reduzir os números de acidentes e para isto é preciso que a população tome consciência dos riscos e sobre a necessidade de prevenção. O fator humano é grandemente responsável pela ocorrência de acidentes (outros fatores dizem respeito ao veículo, à situação das vias etc). Comportamentos perigosos tem que ser evitados. É necessário que as pessoas sejam mais cuidadosas, menos egoístas, menos individualistas e vejam mais o trânsito de uma forma coletiva. Quantas pessoas ficam incapacitadas devido a acidentes de trânsito? Quantos morrem? E quais os impactos sobre as famílias das vítimas?


Os mortos, feridos e mais os danos materiais representam uma custo muito alto em bilhões de reais para o país. Quantos estão nos hospitais que ficam cheios com tais vítimas (o que sobrecarrega mais o sistema de saúde)? Quantos ao morrerem deixaram de contribuir com sua vitalidade, sua capacidade, seus conhecimentos? E o sofrimento dos sequelados? 


Segundo o site agência Brasil em 2018, observou-se uma redução das mortes por acidente de trânsito em seis anos, de 2010 a 2016. Mas ainda conforme o site, o país  está longe da meta estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que estabelece um como meta a redução de 50% no número de vítimas em dez anos, a partir de 2011. Considerando-se todas as cidades do Brasil, 37.345 mortes no trânsito foram registradas em 2016 (dados disponíveis no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde). Em 2014 foram 43.870 óbitos.


Como meta o Brasil tem de ficar com número menor que 19 mil vítimas fatais por ano em 2020. Complementando, o site afirma que: "Além das mortes, 600 mil pessoas ficam com sequelas permanentes todos os anos em decorrência de acidentes de trânsito" e ainda: "Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que o Brasil aparece em quinto lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito, atrás somente da Índia, China, Estados Unidos e Rússia". Outro destaque apontado pelo site é  que no Brasil, em relação aos leitos hospitalares do SUS, mais de 60% deles são ocupados por vítimas de acidentes de trânsito e que tais acidentes resultam em custos por ano de cerca de 52 bilhões de reais.


Assim, para ajudar a refletir, vou buscar a filosofia, mais especificamente o filósofo Kant quando fala do Imperativo Categórico para ajudar numa reflexão sobre o trânsito. O que é o Imperativo Categórico? Como ele pode contribuir para esta reflexão?


Bem vamos lá! O Imperativo Categórico é, segundo a visão de Kant, é "o dever de toda pessoa agir conforme princípios os quais considera que seriam benéficos caso fossem seguidos por todos os seres humanos". Se é desejado que um princípio seja uma lei da natureza humana, deve-se colocá-lo à prova, realizando-o para consigo mesmo antes de impor tal princípio aos outros. Em suas obras, Kant afirma que é necessário tomar decisões como um ato moral, ou seja, sem agredir ou afetar outras pessoas.


 Para Kant a Humanidade progride e o progresso humano só pode ser um aperfeiçoamento moral. O progresso se apresenta como passagem do estado de tutela à maioridade: o aprendizado da razão. Sendo assim, o imperativo categórico é uma lei baseada na razão, porque Kant acreditava que a moral só poderia ser guiada pela razão e não por inclinações como a felicidade, o amor-próprio e outras. O imperativo categórico é para ele uma lei moral e a sociedade humana precisa da moral pra viver civilizadamente.


Segundo tal conceito,  o valor moral de uma ação deriva-se de sua máxima e não por suas consequências. Ou seja, para determinar a moralidade de uma ação devemos considerar os motivos do agente e não as consequências da ação promovida por ele. Exemplificando, no trânsito não se deve ir acima do limite de velocidade porque pode ser multado e sim porque é imoral correr tanto, pois tem que se estar  pensando numa lei universal, um princípio. Pois, além de ser fundamental o não prejuízo de outra pessoa, é importante que a conduta de quem exerce a ação tenha uma preocupação moral intrínseca, que seja independente de punição ou qualquer outro tipo de prejuízo. Não dirigir em alta velocidade deve ser um dever, sendo responsável com sua vida e a do próximo. É uma consciência moral.


Independentemente de punição, a motivação para ação tem que ser a preocupação moral e não o receio de uma eventual multa.


Está faltando mais responsabilidade individual e social, assim como consciência de coletividade por parte de muitas pessoas. Isto diz respeito não só ao trânsito, mas em outros aspectos da nossa sociedade. Que esta campanha do Maio Amarelo de 2019 possa sensibilizar a população e que haja cada vez mais esforços dos órgãos responsáveis para termos um trânsito mais seguro em busca de se alcançar a meta de menos acidentes, não só para 2020, como também permanentemente, tirando o país desta colocação de ser um dos que mais tem ocorrências em acidentes fatais. 


Deixo aqui esta frase de Kant: 


"É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da Humanidade".

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Márcio José Matos Rodrigues-Psicólogo e Professor de História.



Figura: https://www.google.com/search?q=figura+de+trânsito&tbm
 











terça-feira, 7 de maio de 2019

Poesias de autores famosos falando sobre mãe











Para o Dia das Mães, escolhi alguns poemas de autores famosos.




MÃE...
São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais...
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena
Confessam mesmo os ateus
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!

Mário Quintana



Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drumond de Andrade



Minha mãe sempre diz: Não há dor que dure para sempre!
Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!
E apesar de saber de tudo isso. Por que algumas dores duram tanto?
Por que alguns sentimentos (diga-se de passagem os mais ridículos) demoram tanto a passar?
Por que olhar pra ele reaviva esperanças perdidas e suscitas lágrimas quentes até então contidas?
Por que o cérebro ainda não inculcou no coração que esquecer faz bem a saúde?
Por que tudo não pode ser como um bonito filme francês?


Chico Buarque




O amor de mãe por seu filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece lei ou piedade, ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho.


Agatha Christie




No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do quintal: Meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pra dentro.


Manoel de Barros





O tempo tenta sequestrar meu sorriso, mas resisto como uma criança com medo da mãe ao ralar o joelho. Engulo o choro, para não doer mais.


Clarice Lispector





Minha Mãe

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fronte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: - Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão, que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu.

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Dize que eu parta, ó mãe, para a saudade.
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.


Vinicius de Moraes

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Márcio José Matos Rodrigues 



Figura: https://www.google.com/search?q=figura+de+m%C3%A3e&client