quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Poesia Tormenta











Tormenta


Senhores de ternos engomadinhos
De olho na bolsa.
Chora a moça
Em Brumadinho.
Não há mais a roça,
Quantos perdidos
Na lama grossa.
Irmãos e maridos,
A mãe lamenta
Pelo filho querido.
O clamor que vem de Mariana
Aumenta!
Tragédia desumana!
Um vale de lágrimas
Um mar de indignações.
Toca uma música fúnebre,
Nações,
Fazem indagações.
Até quando o povo aguenta?
Já houve muitas lições,
O país não pode continuar
Em câmara lenta.
Moça toma um ar
Calma,
Senta.
Reza pelas almas,
Há de passar esta tormenta!
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Márcio José Matos Rodrigues


domingo, 27 de janeiro de 2019

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto











No dia 27 de janeiro se comemora o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.  A criação desta data foi uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da resolução 60/7, em  Assembleia Geral, em 1 de novembro de 2005, na 42ª sessão plenária desta organização.


É uma data dedicada a homenagear milhões de pessoas mortas nos campos de concentração da Alemanha Nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. 


Escolheu-se o dia 27 de janeiro porque foi a data, em 1945, que aconteceu a libertação do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, considerado o principal do regime nazista.


Holocausto, também conhecido como Shoá (em hebraico), está relacionado à catástrofe, destruição. Hoje em dia quando se fala do Holocausto a maior referência é o assassinato em massa de milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial pelos nazistas que elaboraram um programa sistematizado de extermínio étnico, que aconteceu na Alemanha e em territórios ocupados pelos alemães durante a guerra. 


Os nazistas assassinaram pessoas que tinham alguma deficiência mental ou física;   grupos sociais que eram considerados “inferiores”, segundo o nazismo, como judeus, homossexuais, Testemunhas de Jeová, poloneses e ciganos. Também houve perseguição a comunistas e socialistas (que foram presos, torturados e muitos foram mortos) e assassinatos de prisioneiros de guerra soviéticos. A maioria dos mortos eram judeus, que foram terrivelmente perseguidos nos países ocupados pelos nazistas. A estimativa é de que seis milhões de judeus tenham sido assassinados durante o Holocausto. 


Cerca de quarenta mil instalações na Alemanha, assim como nos territórios ocupados pelos nazistas, foram utilizadas para concentrar, manter, explorar e matar judeus e outras vítimas.


A perseguição aos judeus ocorreu em etapas. Primeiramente houve a exclusão dos judeus por meio de leis discriminatórias (Leis de Nuremberg) nos anos 30, quando os nazistas passaram a governar a Alemanha. Houve a pressão para judeus alemães deixarem a Alemanha. Em 1938, com a "Noite dos Cristais", milhares de judeus foram presos e houve uma série de violências contra eles. 


Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, os judeus começaram a ser isolados em guetos que ficavam superlotados  e com a invasão da União Soviética, iniciaram-se chacinas por parte de grupos de extermínio comandados pela SS. Em 1942 os judeus, ciganos e outros grupos passaram a ser cada vez mais confinados em campos de concentração. Os judeus eram selecionados (uma parte ia para grupos de trabalho onde ficavam esgotados fisicamente e a grande maioria morria em pouco tempo devido às condições terríveis a que eram submetidos e outros iam direto para as câmaras de gás). Havia ocasiões em que os judeus iam direto para as câmaras de gás. Muitos morriam nos trens, antes de chegarem nos campos. Outros foram submetidos a experiências por médicos alemães e muitos morriam por causa dessas experiências. Havia também a morte por fome, agressões e doenças.


Nos julgamentos de Nuremberg, depois da guerra,  membros da alta direção nazista foram condenados por crimes de guerra e atrocidades. Vários deles tiveram responsabilidade em crimes contra os judeus.


Na União Europeia passou a vigorar uma lei a partir de 2007, que pune com prisão quem negue o Holocausto e em 2010 criou uma base de dados europeia com a finalidade de pesquisar e unificar arquivos sobre o genocídio ocorrido na Segunda Guerra Mundial. E em 27 de janeiro foi criado o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto.


Que esta data sirva de reflexão para os povos do mundo inteiro para que se busque lutar contra genocídios e atos de tortura e perseguição de povos e indivíduos e que se procure um melhor diálogo entre nações e grupos sociais, procurando-se construir regimes democráticos e mais humanizados, com mais justiça social, mais respeito e menos violências. 


A seguir alguns trechos de livros que falam sobre a perseguição aos judeus e outros povos, como também procuram relatar fatos terríveis durante o governo nazista, como o Holocausto: 


"Dados os antecedentes, é razoável perguntar em que sentido o anti-semitismo pode ser visto como algo "central" do nazismo. A chave, acredito, é o próprio Hitler. Parece haver poucas dúvidas quanto o caráter central da preocupação judaica em sua própria visão de mundo. Os judeus não apenas aparecem em praticamente tudo o que diz respeito a Hitler como estão mesmo na base de sua concepção do processo histórico_ a ideia de luta. Adotando a perversão mais crua da visão darwiniana habitual, Hitler via a história como uma grande arena na qual os povos estavam permanentemente em uma competição implacável. Esses confrontos não eram limitados, como as competições esportivas ou a guerra bastante ritualizada do século XVIII. Hitler acreditava que, assim como os indivíduos, as nações precisavam lutar desesperadamente por sua própria existência. (...)  Hitler sempre apresentou os judeus como os inimigos mais terríveis e determinados dos alemães, assim como de todas as outras nações..." (Michael R. Marrus- A Assustadora História do Holocausto").


"Os primeiros campos de concentração mal eram "campos", mas locais temporários que os nazistas usaram para manter seus inimigos políticos logo após a nomeação de Hitler. Foram resultado de iniciativas locais e não de uma "ação centralmente conduzida" pelo governo de Hitler. No princípio, ninguém parece ter imaginado que os campos de concentração se tornariam uma parte permanente da ditadura, e eles foram montados em construções como velhos alojamentos militares e castelos, ou então eram apenas seções especiais em casas de correção ou prisões. As autoridades regionais criaram tais "campos" para lidar com a inundação de prisioneiros, mas as SA e os nazistas irascíveis os usaram para espancar comunistas e outros inimigos...." (Robert  Gellately- Apoiando Hitler, Consentimento e Coerção na Alemanha Nazista).


"Em suas políticas antijudaicas (assim como na política externa), durante a década de 30, os nazistas foram contidos por certas realidades práticas, entre as quais os efeitos potencialmente adversos de medidas anti-semitas sobre a economia alemã e a possível reação hostil de outros países. Havia também restrições a política eugênica, entre as quais destacava-se a probabilidade de oposição pública à eutanásia institucionalizada. Foi a guerra que libertou os nazistas de todas as restrições à violência e proporcionou a cobertura necessária para implementar, primeiro, o programa de matar os deficientes,e depois a "solução final", a destruição física dos judeus" (Roderick Stackelberg-A Alemanha de Hitler, Origem, Interpretações, Legados).


"Além disso, naquela noite de 14 de setembro, eles se empenharam em elaborar duas leis antissemíticas que, aliás, havia meses vinham sendo preparadas pela burocracia ministerial, mas agora, por decisão espontânea de Hilter, seriam promulgadas pelo Reichstag a fim de imprimir um rumo inteiramente novo ao evento. Tratava-se, por um lado, de uma lei de cidadania destinada a despojar os judeus alemães do status de cidadãos investidos de direitos iguais; por outro, daquela que depois ficou conhecida como Lei de Proteção do Sangue Alemão, que proibia o casamento e as relações sexuais entre judeus e não judeus..." (Peter Longerich-Joseph Goebbels, Uma Biografia). 


"Os judeus sem dúvida ocuparam um lugar especial na demonologia política do Terceiro Reich. Mas havia inquietantes indícios de que eles constituíam apenas um dos alvos étnicos do regime-embora o mais urgente. Outros já haviam sido abordados na matança de deficientes mentais e físicos, essas "vidas indignas de serem vividas". E durante a guerra foram emitidas instruções para que os ciganos fossem tratados "como judeus" em muitas áreas da Europa ocupada(...) Havia também indicações de que a SS pretendia se voltar contra alguns eslavos quando tivesse dado cabo dos judeus. Heydrich havia previsto o exílio para a Sibéria dos milhões de tchecos que não pudessem ser assimilados. Isso claramente significava a morte de todos. Os mais eminentes cientistas raciais da Alemanha já discutiam "o extermínio do povo russo"...." (Mark Mazower-O Império de Hitler).


"A cultura polonesa foi esmagada, milhares de profissionais e intelectuais foram detidos, aprisionados e fuzilados, e a numerosa população judaica foi agrupada e confinada em guetos abarrotados e insalubres, enquanto os ocupantes nazistas resolviam o que fazer com eles." ( Richard Evans-Terceiro Reich). 


"Empunhando bastões, aos berros de Schneller!" (Mais rápido!), os Kapos e guardas uniformizados da SS conduziam as mulheres em grupos de cinco, lado a lado, por um corredor de lama cercado por fossos profundos e altas cercas de arame farpado. Levadas a uma construção remota feita de tijolos na periferia do campo, as mulheres entraram numa longa sala com janelas, onde receberam ordens de se despir para a "desinfecção (...)  Depois de totalmente nuas, as recém-chegadas eram conduzidas por um corredor até uma sala pequena, onde dedos habilidosos examinavam bocas e outros orifícios em busca de tesouros ocultos (...) De cabeça baixa, soluçavam ao verem seus cachos tão preciosos  e bem cuidados serem cortados e recolhidos em sacas. Sem cabelo, símbolo integral de feminilidade, aquelas mulheres sentiam-se degradas e escravizadas, passando a mão pela careca desconhecida (...) O choque do ar frio na cabeça e nos corpos nus dificultava a respiração. Sem conseguir olhar nos olhos umas das outras, as mulheres foram enfileiradas em grupos de cinco para serem vasculhadas numa degradação completa. Encolhidas de medo naquele chão de terra e lama, elas sentiam que o mundo saíra do eixo, pois a vida que conheciam lhes fora para sempre arrancada"        ( Wendy Holden-Os Bebês de Auschwitz). 



"Em julho de 1938, 6.166 pessoas estão presas em Dachau. Quatro meses depois, essa população explode com a chegada de aproximadamente dez mil judeus presos durante a Noite dos Cristais, de 9 para 10 de novembro de 1938. O campo está saturado, mas a situação se normaliza provisoriamente com a partida dos judeus, que, sob ameaça, aceitam emigrar e são espoliados, ou dos que são transferidos a Buchenwald" (Guillaume Zeller-O Pavilhão dos Padres).
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Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História.

Figura: Wikipedia












quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Benjamim Franklin











Em 17 de janeiro de 1706, em Boston, na colônia de Massachusetts,nascia Benjamin Franklin, uma figura de destaque na história dos Estados Unidos e mundial. Foi jornalista, editor, autor, filantropo, político, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, inventor e enxadrista. Calvinista, foi um dos líderes da Revolução Americana. Realizou experiências com a eletricidade e o primeiro embaixador dos Estados Unidos na França. Foi o primeiro ministro dos correios (Postmaster General) dos Estados Unidos. 


Foi o 17 º filho de seu pai, um comerciante de velas de cera e de sabão que casou duas vezes. Ele aprendeu a ler sozinho e com oito anos foi para a escola.Tendo deixado os estudos com dez anos, começou a trabalhar como aprendiz do seu irmão James, que era um impressor de um jonal chamado “The New England Courant”. Benjamim tornou-se colaborador e tornou-se editor, escrevendo cartas sob um pseudônimo. Discutiu com seu irmão e fugiu, indo parar em Nova Iorque e depois chegando em Filadélfia, em outubro de 1723. Tendo encontrado trabalho como impressor foi, no entanto, convidado a ir a Londres. Desiludido com a proposta de trabalho que havia lhe sido feita lá voltou a trabalhar como compositor tipográfico.  Thomas Denham, um mercador, o convenceu a regressar à Filadélfia, onde lhe foi dada uma posição em uma empresa. 


Tornou-se proprietário de uma oficina gráfica, em 1729, e iniciou a publicação do jornal “The Pennsylvania Gazette”, que seria mais tarde o Saturday Evening Post.


Devido às atividades e à influência de Benjamin Franklin, a Filadélfia passou a ser a cidade líder das colônias inglesas. Tornou-se maçom e com outros maçons juntou recursos em 1731,sendo construída a primeira biblioteca pública da Filadélfia. A partir do sucesso da criação dessa biblioteca, foram abertas outras em mais cidades e Franklin percebeu a importância disso na luta das colônias na defesa de seus direitos. 


Começou a publicar em 1732 o famoso Almanaque do Pobre Ricardo, com o qual ganhou popularidade nos Estados Unidos. Tornaram-se conhecidos provérbios desse almanaque em vários países. 


Em 1758 Franklin imprimiu O sermão do pai Abraão, considerado o texto mais famoso de literatura na América no tempo colonial. 


Foi fundador da Universidade da Pensilvânia e da sociedade filosófica americana, com fins científicos. Começou então a pesquisar sobre Estática, sobre o qual se ocupou juntamente com outros temas científicos e políticos até a sua morte. Aprendeu diversas línguas e tocava vários instrumentos.


Possuindo uma riqueza considerável após vender seu negócio, pôde ter mais tempo livre para os estudos, fazendo descobertas sobre eletricidade, como a identificação de cargas positiva e negativa, demonstrando que os raios são um fenômeno de natureza elétrica.


É muita famosa a experiência que Franklin descreveu, de fazer voar uma pipa no momento de uma tempestade, em outubro de 1752. Entre suas invenções estão o para raios, um aquecedor, lentes bifocais e criou o corpo de bombeiros norte-americano. 


Com Franklin foram estabelecidas duas áreas importantes das ciências naturais: eletricidade e meteorologia. 


Em 1751, ele foi um dos que tiveram a iniciativa para estabelecer o hospital da Pensilvânia, que seria o primeiro hospital a ser criado na futura nação que passou a se chamar de Estados Unidos da América. 


Liderou em 1754, a delegação da Pensilvânia ao congresso de Albany, um encontro de várias colônias, que tinha sido requerido pela associação comercial inglesa para melhorar as relações com os índios na defesa diante dos franceses. Ideias de Franklin sobre a colaboração entre as colônias foram importantes, pois partes desse plano foram encontrados mais tarde nos artigos da Constituição Americana. 


Embora tenha tido seus méritos como administrador na política, Franklin usou de sua influência para favorecer familiares. Uma grande ação dele no serviço público foi a reforma do sistema postal. Teve reconhecidos os seus esforços como estadista graças aos seus serviços diplomáticos.


Quando esteve em Londres, fez oposição à Lei do Selo. Teve sua popularidade afetada pelo favorecimento a um amigo com o cargo de agente fiscal nas colônias. 


Deborah, sua mulher por 44 anos, morreu em 1774.Teve uma vida romântica agitada enquanto esteve por nove anos no exterior.


A sua participação em disputas entre os colonos e a Coroa da Inglaterra o colocou contra esta e também contra o seu filho, partidário dos ingleses. Em 1775 foi eleito membro do congresso continental e assistiu a redação da Declaração da Independência dos Estados Unidos, tendo sido um dos autores do documento, assim como Thomas Jefferson e Samuel Adams. Tentou, sem obter êxito convencer os canadenses a entrarem na guerra como aliados das 13 colônias. 


Em dezembro de 1776 foi para a França (onde ficou até 1785) como emissário de seu país. Era muito respeitado na sociedade parisiense. Conheceu Marat, Brissot e Robespierre, líderes do movimento que aconteceria anos depois chamado de Revolução Francesa. Franklin foi bem sucedido na condução dos negócios dos Estados Unidos na França, incluindo a aliança militar e foi participante ativo no Tratado de Paris em 1783 (acordo de paz com a Inglaterra). Fez parte com Thomas Jefferson e Samuel Adams, do comitê que redigiu e assinou a Declaração de Independência (1776).


Já na América, em 1785, Franklin foi eleito presidente da Pensilvânia. Participou da eleição de George Washington como o primeiro presidente do país, que em abril de 1789assumiu o poder .


Lutou pela abolição da escravatura, tendo sido presidente da sociedade que visava a libertação dos escravos. Morreu em 17 de abril de 1790, na Filadélfia. Na época, tinha 84 anos, sofria de gota e outras doenças. 


Frases de Benjamim Franklin:

“Deus ajuda os que se ajudam a si mesmos.”

“Deitar cedo e acordar cedo tornam o homem sadio, rico e sábio.”

“Nunca deixes para amanhã o que podes fazer hoje”.

"Toma conselhos com o vinho, mas toma decisões com a água.”

“Neste mundo nada pode ser dado como certo, à exceção da morte e dos impostos.”

"Não tema os erros. Você conhecerá o fracasso. Continue a sua busca".

“Se um homem pudesse ter metade dos seus desejos realizados, teria mais aflições do que prazeres”. 

“Escreve as ofensas na areia e os benefícios no mármore.”

“Cuidado com as pequenas despesas: uma fenda diminuta pode fazer afundar um grande navio.”

Obras de Benjamim Franklin:

Experiências e Observações Sobre Eletricidade (1751)

Autobiografia (publicada postumamente, em 1791)

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Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História.

Figura: Wikipédia.