quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Meu último artigo de 2025: Homenagem ao compositor Hermeto Pascoal

 


 





Hermeto Pascoal foi uma figura significativa na história da música brasileira, brasileiro que nasceu em 22 de junho de 1936,  em Lagoa da Canoa, que na época pertencia ao distrito de Arapicara. Ele se destacou na história da música brasileira. Era reconhecido principalmente por suas habilidades em orquestração e improvisação, além de ter sido produtor musical e colaborador de diversos álbuns nacionais e internacionais. Conhecido como "O Bruxo", Pascoal frequentemente fazia música com objetos não convencionais, como bules, brinquedos infantis e animais, bem como teclados, acordeão de botões, melódica, saxofone, violão, flauta, voz, vários metais e instrumentos folclóricos. Talvez por ter crescido no campo, usava a natureza como base para suas composições, como em sua Música da Lagoa, em que os músicos borbulham água e tocam flautas imersos em uma lagoa: uma emissora de televisão brasileira de 1999 o mostrou solando a certa altura, cantando em um copo com a boca parcialmente submersa na água.

Por ser albino, Hermeto não trabalhou na roça desde sua infância porque não podia se expor ao sol. Ainda quando criança ele era fascinado pelos sons da natureza. Fazia instrumentos como um pífano que fez de um cano de mamona ou jerimum, tocava com a água de um lago ou tirava sons de sobras de material de ferreiro de seu avô. Quando tinha aproximadamente oito anos ele começou a tocar o acordeão de 8 baixos de seu pai. Passou depois a tocar com seu irmão mais velho em festas, revezando com o irmão no acordeão e no pandeiro.

Quando mudou-se para Recife em 1950 foi trabalhar na Rádio Tamandaré. Foi convidado, com intervenção do músico Sivuca, para fazer parte da Rádio Jornal do Comércio. Lá tocou no trio Mundo Pegando Fogo. O diretor da rádio, alegando que Hermeto "não dava para a  música” o mandou para a Rádio Difusora de Caruaru. Lá ele ficou por três anos. Sivuca o elogiou para o diretor dessa rádio e Hermeto voltou para a Rádio Jornal do Comércio. Em 1954 casou-se com Ilza da Silva, sua companheira por 46 anos e com quem teve seis filhos. Por esse tempo começou a tocar piano e foi tocar na Boate Delfim Verde. Depois foi para João Pessoa e ficou quase um ano tocando na Orquestra Tabajara.

Hermeto foi para o Rio de Janeiro em 1958 para tocar acordeão no Regional de Pernambuco do Pandeiro, na Rádio Mauá. Também tocou piano no conjunto do violinista Fafá Lemos e no conjunto do Maestro Copinha, no Hotel Excelsior.

Em 1961 Hermeto foi para São Paulo e lá formou o grupo Som Quatro. Nessa época passou a focar nos instrumentos de sopro, principalmente a flauta. Gravou com esse grupo um LP. Integrou o grupo Sambrasa Trio e gravou um disco por esse grupo, com uma composição sua de nome Coalhada.

Em 1966 , tempo que se destacavam os programas musicais de Tv, surge o Quarteto Novo, com Hermeto no piano. O grupo foi inovador com uma sonoridade refinada, com participação em grandes festivais de música e programas da TV Record. O grupo acompanhou Edu Lobo na vitoriosa canção Ponteio, no Terceiro Festival de Música Popular Brasil. Hermeto nesse período ganhou prêmios como arranjador. Em 1967 gravou o LP Quarteto Novo, no qual ficaram registradas suas composições O Ovo e Canto Geral, com Geraldo Vandré.

Tendo sido convidado por Flora Purim e Airto Moreira para ir aos Estados Unidos em 1969, lá Hermeto gravou com eles dois LPs, como compositor, arranjador e instrumentista. Nesse tempos nos EUA Pascoal conheceu o músico Miles Davis, gravando com ele as músicas Nem Um Talvez e Igrejinha.

Em 1973 Hermeto gravou no Brasil o LP A Música Livre de Hermeto Pascoal, com músicos seus conhecidos. Em 1976, de volta aos EUA, gravou o . álbum Slaves Mass (Missa dos Escravos). Nesse ano participa do álbum ImyraTayra, Ipy - Taiguara, de Taiguara. O álbum embora lançado, foi recolhido por ordem do regime militar.

Criou um grupo fixo em 1977 com os músicos Nenê (Realcino Lima Filho) – Bateria;Pernambuco – Percussão; Itiberê Zwarg – Baixo;Rose Marie Pidner- Percussão e voz;Jovino Santos Neto – Teclados;Cacau de Queiroz - Saxofones e flautas;Nivaldo Ornelas - Saxofones e flautas. Com esse grupo criou os álbuns Trindade (1977), Zabumbê-bum-á (1978) e Montreux ao vivo (1979).Em 1978 Hermeto e seu grupo participou do I Festival Internacional de Jazz, em 1978, em São Paulo, contando com a participação de ChickCorea, John Mc Laughlin e Stan Getz.

Em 1979 Hermeto participou do Festival de Montreux, na Suiça, com seu grupo e foi muito elogiado. Desse evento surgiu o álbum duplo Hermeto Pascoal Montreux ao vivo, com participação do músico Nivaldo Ornellas. Também No mesmo festival Hermeto teve um importantíssimo papel na apresentação de Elis Regina. Os dois se uniram na execução de clássicos como Rebento, Águas de Março,Garota de Ipanema e Asa Branca. Após a morte da cantora, o evento foi registrado no disco de 1982:  Elis Regina - Montreux Jazz Festival 1979. Após esse festival, o grupo de Hermeto seguiu para o Japão onde se apresentou no festival Live Underthe Sky, com a participação de Sadao Watanabe.

Hermeto e seu grupo foram se apresentar na Argentina em 1979 e no sul do Brasil. Junto com o grupo estava também o músico Dizzy Gilespie. Além desses eventos, o grupo de Hermeto se apresentou em festivais pelo Brasil, como em Guarujá (1980). Em 1981 o grupo lançou Cérebro Magnético e se apresentou pela Europa. Em 1982 dois músicos saem do grupo e são substituídos. Nesse anos é lançado pelo grupo o LP Hermeto Pascoal & Grupo.e em 1984 gravou o LP Lagoa da Canoa. Em 1986 o grupo lançou o LP Brasil Universo. Hermeto também compôs a Sinfonia em Quadrinhos, com apresentação com a a Orquestra Jovem de São Paulo. Foi para Copenhague e lançou a Suite Pixotinha.

Outros LPs lançados: Só Não Toca Quem Não Quer, de 1987, homenageando jornalistas e radialistas como reconhecimento pelo seu apoio ao longo da carreira; o LP duplo Por Diferentes Caminhos, de 1989; Festa dos Deuses (1992) , gravado com seu grupo. Nesse ano se apresentou na Alemanha, Suíça, Dinamarca, Inglaterra e Portugal. Apresentou uma sinfonia em março de 1995 no Parque Lúdico do SESC, em São Paulo. Ainda em 1995 foi para a Argentina onde se apresentou para duas mil crianças. Seu grupo apresentou-se dentro de uma piscina montada no palco.

Hermeto registrou uma composição por dia de 23 de junho de 1996 a 22 de junho de 1997. As composições citadas são parte do Calendário do Som, livro de 414 páginas lançado em 1999, para homenagear todos os aniversariantes do mundo.

Trabalhos finais:

1999: CD Eu e Eles, primeiro disco do selo MEC, no Rio de Janeiro. Em 2003 lançou, com seu grupo, o CD Mundo Verde Esperança. Eem março de 2004 estreou no Sesc Vila Mariana a sua mais nova formação: o duo Chimarrão com Rapadura (gaúcha com alagoano), formado por Hermeto e Aline Morena. Em 2004 apresentou-se em Londres. No mesmo ano realizou espetáculos no Japão. Em 2005 gravou o CD e o DVD Chimarrão com Rapadura com Aline Morena, além de realizar duas grandes turnês com seu grupo por toda a Europa. Realizou os projetos: Hermeto Pascoal e GrupoHermeto Pascoal e Aline MorenaHermeto Pascoal SoloHermeto Pascoal e Big Band e Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica. Em 2010 lançou o CD Bodas de Latão, em duo com Aline Morena, comemorando sete anos de união na vida e na música.Lançou álbum duplo em 2017: No mundo dos sons, em julho, e outro disco em outubro, dessa vez com uma big band

Em 13 de setembro Hermeto Pascoal faleceu aos 89 anos , no Hospital Samaritano no Rio de Janeiro.

 _______________________________________

Márcio José Matos Rodrigues


segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Entrevista com Luiz Carlos Mantovani Néspoli, Superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP)

 



O Blog do MJRodrigues realizou uma entrevista com o superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Luiz Carlos Mantovani Néspoli (Branco). Luiz Mantovani é engenheiro Civil /Escola Politécnica-USP, com curso de Administração de Empresas/FGV-SP (administração para executivos), é superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), desde 2012. Sua carreira foi desenvolvida desde 1975 nas áreas de planejamento, projeto, operação e gestão de transporte, trânsito e mobilidade urbana. Atuou no setor público no Metrô/SP, EMTU/SP, EMPLASA/SP e na CET/SP.

 

A seguir a entrevista com Luiz Mantovani.

 

1-  Como surgiu a ANTP? Quais as atividades e objetivos da ANTP? Pode fazer um relato de como surgiram os congressos e como foi o desenvolvimento dos mesmos até a atualidade?

Resposta.: A ANTP é uma entidade privada, sem fins lucrativos. Foi criada em 30 de junho de 1977, com o objetivo permanente de defesa do transporte público de qualidade, mobilidade urbana sustentável e qualidade de vida urbana. A maneira de atuar da ANTP é criar oportunidades para geração e disseminação de conhecimento na área de mobilidade urbana em todos os seus aspectos. Com esse propósito, cria em 1978 dois grandes eixos de atuação: a Revista dos Transportes Públicos, hoje na sua 157ª edição, e o Congresso Brasileiro de Mobilidade Urbana, hoje já na sua 24ª edição. Ao longo dos seus 48 anos, procurou contribuir para a criação de políticas públicas, como a criação do ônibus tipo Padron, o Vale Transporte, e a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Nosso acervo digital conta com mais de 6 mil documentos digitalizados e totalmente disponíveis na biblioteca virtual no site da entidade

 

2-    Quais os problemas mais sérios de mobilidade na atualidade no Brasil e como resolver estes problemas?

Resposta : Ao longo dos 48 anos de existência da ANTP, evoluímos muito na mobilidade urbana no país. Acho que podemos ver o copo meio cheio e não meio vazio. Hoje o país fabrica ônibus muito melhores do que no passado, já vemos muitos ônibus elétricos nas ruas, avançamos bastante na prioridade do ônibus na via pública com a construção de faixas exclusivas e corredores em muitas cidades brasileiras, como também evoluímos muito na implantação de sistemas de maior qualidade como o BRT. Mas é necessário muito mais para que tenhamos um transporte público de qualidade: mais prioridade na via, renovar a frota de ônibus (a idade média é muito alta e a frota ainda tem muitos ônibus do tipo Euro 3, muito poluentes), descarbonizar a mobilidade urbana, ampliar a infraestrutura para mobilidade ativa (andar a pé, acessibilidade e bicicleta). 

Vencemos o tabu do subsídio, e o país conta hoje com quase 400 cidades que aportam recursos de custeio para o transporte público. Mas, vivemos um momento agudo de crise de demanda (perda de passageiros ao longo das últimas duas décadas), de crise de financiamento do custeio (o transporte público não se sustenta apenas com tarifa paga pelos passageiros). Por isso é fundamental que o Marco Legal do Transporte Público avance no Congresso Nacional, dispositivo que moderniza e torna transparente a contratação do transporte público, que traz possibilidade de novos recursos para infraestrutura e custeio, e inova na governança, trazendo de volta o Governo Federal como ente com responsabilidade sobre o transporte público.

 

3-    Em relação ao meio ambiente e à mobilidade, o que está sendo feito no Brasil para redução de   emissão de gases de efeito estufa?  O que precisa ser feito?

Resposta.: Em 2023, a ANTP lançou o Caderno Técnico nº 29 – Rotas Tecnológicas de Descarbonização do Transporte Público no Brasil, documento que expõe e discute todas as possibilidades de energia. Estamos avançando bastante na implantação do ônibus elétrico à bateria. Cita-se a cidade de São Paulo que hoje já tem 1.000 veículos rodando nas linhas de ônibus da cidade. Mas, o esforço de ampliar a frota descarbonizada ainda depende de linhas de financiamento e barateamento do ônibus novo, já que custa cerca de três vezes mais do que um similar a diesel Euro 6. As cidades estão criando planos de negócios peculiares para tentar introduzir o ônibus descarbonizado em suas redes de transporte público, para que o passageiro não arque com o peso da transição energética. Reduzir poluição, seja local (material particulado principalmente) ou de efeito estufa (CO2), que é de interesse de toda a sociedade – nacional e mundial, não pode ser arcado apenas pelo passageiro. Deve ser um projeto de Estado.

 

4-  Em relação à questão da tarifa 0 quais as possibilidades de implantação em todas as cidades brasileiras? Qual a importância desta questão?

Resposta: De fato, muita gente da população está hoje alijada do uso de transporte motorizado em face da tarifa estar acima da renda necessária. A tarifa-zero tem esse condão de ser uma política de inclusão social, permitindo o acesso ao direito à cidade para todos os brasileiros. O índice de mobilidade urbana no país é de 1,6 viagens por habitante, enquanto em cidades mais desenvolvidas em países ricos é de 4. Portanto, oferecer condições para que as pessoas possam se movimentar mais, deve ser um objeto. Mas temos que ter claro que o processo não pode ser abrupto, pois os recursos necessários são elevadíssimos. 

A ANTP propõe como ponto de partida a modicidade tarifária (ou seja, tarifas reduzidas para todos) com inclusão social (gratuidades para a população de mais baixa renda). Mesmo assim, isso requer ainda bastante recurso, que deve vir também de outras fontes, como dos orçamentos federais e estaduais (hoje os municípios já estão subsidiando), mas também de recursos extraordinários da sociedade, porque o transporte público de melhor qualidade e universal contribui para economia das cidades.

A tarifa-zero é mais facilmente implantada em cidades pequenas, onde o equilíbrio entre oferta e demanda é mais facilmente gerenciada. Nas redes mais complexas, é importante alertar para que decisões não sejam isoladas de uma cidade apenas (caso de regiões metropolitanas e aglomerados urbanos), nem tão pouco por um único sistema. Nas cidades onde há metrôs e ferrovias, por exemplo, o cuidado é maior ainda, já que estes sistemas não tem condições de aumentar a oferta em horários de pico (não é possível colocar mais trens em circulação na mesma via).

 

5-  Como o senhor considera a participação de diversos segmentos sociais, técnicos, empresariais e acadêmicos no recente congresso promovido pela ANTP? Esta participação tem aumentado nos congressos?

Resposta: As características dos congressos da ANTP são sua abrangência e diversidade de temas. A mobilidade urbana envolve a participação de muita gente, muitos setores, muitas organizações. Diferentemente de outros congresso em que se organiza em torno de um setor, ou de um tema do momento, os congressos da ANTP buscam abordar todos os temas e dar espaço para uma grande diversidade de ideias e experiências.

Não foi diferente no Arena Antp 2025. Foram 42 painéis temáticos, com a participação de mais de 200 palestrantes, que representavam mais de 60 entidades públicas, privadas, de organizações não governamentais e acadêmicas.

Ao lado das conferências, uma grande feira de exposições de cerca de 8 mil metros quadrados, com exposição de fabricantes, fornecedores de tecnologias, entidades de fomento e órgãos públicos.

Outro diferencial do congresso da ANTP é a abertura que dá para autores de artigos técnicos apresentarem suas ideias e experiências. Recebemos 148 artigos técnicos (já depositados no acervo técnico digital da ANTP) e 102 autores estiveram presentes para fazer a apresentação nas arenas do congresso.

Recebemos ao longo dos três dias mais de 5.500 visitantes.

Em março de 2026, vamos lançar a Revista dos Transportes Públicos nº 158 com a resenha de tudo que aconteceu no 24º congresso da ANTP.

 

6-    Quais as propostas da ANTP para a melhoria do transporte público no Brasil?

Resposta: Resumidamente:

·    Aprovação do Marco Legal do Transporte Público* pelo Congresso Nacional;

·    Financiamento do custeio por todos os entes federados, e também por recursos extra tarifários.

·   Ampliação a infraestrutura viária para dar prioridade ao transporte publico sobre pneus ou VLTs. Isso envolve recursos de financiamento, mas, sobretudo, decisão dos prefeitos.

·     Ampliação da rede metroferroviária onde a demanda exigir este modo de transporte;

·   Maior transparência nos contratos de concessão e maior transparência nos dados e informações que devem ser públicos.

·        Modicidade tarifária para recuperar demandas que saíram do transporte público e inclusão de setores da sociedade hoje alijados do transporte público.

 

7-    Sobre os deslocamentos feitos à pé e por meio de bicicletas o que ainda precisa ser feito em nosso país para melhorar? Qual a importância destes deslocamentos para melhorar a qualidade de vida?

Resposta: É necessário criar, e ampliar, a infraestrutura de ciclovias e ciclofaixas, mas também de estacionamento. A bicicleta não polui, vai bem em até 6 km. Ao lado disso, é fundamental sua instalação em cidades ou setores da cidade que tem mais vocação para o seu uso. Não basta colocar a infraestrutura em pé, é fundamental o incentivo ao uso.

 

8-    O que é preciso para tornar o transporte público mais utilizado por brasileiros de classes mais altas e para que pessoas que deixaram de utilizar voltem a usar?

Resposta: Estudos já indicaram que não basta a melhoria do transporte público para atrair setores mais ricos da sociedade. Isso só será possível cobrando dos automóveis o que de fato eles custam. Os automóveis usam gratuitamente o espaço viário, sobretudo para estacionar gratuitamente. O financiamento indireto ao uso do automóvel é conhecido de todos que estudam o tema. A sociedade brasileira, como indica o sistema de informações da ANTP, investiu 4 vezes mais na infraestrutura do transporte individual motorizado do que para o  transporte público. Saímos de um carro para cada 9 habitantes no início dos anos 1990, para um carro para cada 2 habitantes em 2025. Por esta razão o uso do transporte por este meio deve ser precificado e esse recurso deve ser direcionado para a melhoria do transporte público.

 

9-    Em relação a uma legislação mais justa e abrangente para a mobilidade no Brasil, o que tem sido feito pelos legisladores e como a ANTP tem se posicionado?

Resposta: A ANTP fez parte do Fórum Consultivo do Ministério das Cidades e ao lado de outras entidades propôs o Projeto de Lei do Marco Legal do Transporte Público, uma lei que será o divisor de águas na gestão do transporte público no país.

 

10- No que consiste a proposta de premiação de  “Boas Práticas” com o prêmio Plínio Assmann?

Resposta: O Engenheiro Plinio Assmann foi o fundador da ANTP. Como profissional, tem uma lista grande de contribuição, mas foi como presidente do Metrô de São Paulo que mostrou toda a sua capacidade de gestor público quando implantou as primeiras linhas de metrô na cidade. Foi presidente da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) e também Secretário de Transportes do Estado de São Paulo. Plinio Assmann faleceu neste ano de 2025. Em sua homenagem, a ANTP lançou no Arena Antp 2025, o Prêmio Plínio Assmann de Boas Práticas em Mobilidade Urbana, que premiará as melhores práticas que estão sendo organizadas no Portal Boas Práticas da ANTP.

Em agosto de 2026, será feita a primeira cerimônia de premiação. Ao longo do ano, a ANTP anunciará as regras de participação.

 

 

*Marco Legal: “Trata-se do Projeto de Lei nº 3278/2021, cujo Relator no Senado Federal foi o Senador Veneziano Vital do Rego. O PL encontra-se na Câmara Federal, sob relatoria do Deputado José Prianti. O Marco Legal altera a Lei 12.587 no que diz respeito à regulamentação do transporte, aborda todos os aspectos envolvidos no planejamento, produção, operação e financiamento do transporte público. Destaca-se a previsão da União participar do custeio do transporte público. Outros aspectos importantes são os direitos dos usuários e a transparência total das informações e dados”.(Explicação dada pelo entrevistado).

 


quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Trabalhos sobre trânsito com alunos de três escolas em setembro e outubro de 2025



O tema da Semana de Trânsito de 2025 foi "Desacelere, seu bem maior é a vida". O tema reflete a preocupação com a segurança viária e a paz no trânsito. Várias ações foram realizadas para se realçar a necessidade de se conscientizar sobre a prevenção de conflitos e sinistros no trânsito. 

Há alguns anos tenho desenvolvido como professor atividades com meus alunos visando a questão da paz no trânsito. Também em 2025 haverá em novembro a COP 30 na cidade brasileira de Belém do Pará e o trânsito também tem relação com o meio ambiente .

Desde 2024 tenho procurado em setembro e início de outubro incentivar meus alunos a fazerem trabalhos voltados tanto para a questão da segurança no trânsito como também em relação ao trânsito e o meio ambiente.

A seguir destacarei os trabalhos que foram realizados recentemente em 2025 :


1- Trabalhos na escola Acy de Barros com as turmas do EJA no turno da noite:

Turma 101- Dia 03 de setembro de 2025:

Foram realizados trabalhos sobre a bicicleta como meio de transporte, o patinete e sobre táxi/uber/mototáxi/moto-uber:










Turma 102-Dias 3 e 5 de setembro de 2025:

Foram realizados trabalhos sobre o pedestre, a bicicleta elétrica, o patinete, o uber/táxi/mototáxi e ubermoto e sobre ônibus ecológico .








Turma 104-Dia 5 de setembro de 2025: 

Foram realizados trabalhos sobre bicicleta, ônibus ecológico e uber/táxi/mototáxi.






Turma 201-Dia 5 de setembro de 2025: 

Foram realizados trabalhos sobre patinete,bicicleta e transporte hidroviário (sem foto)





Turma 202-Dia 5 de setembro de 2025: Patinete; uber/táxi e mototáxi;ônibus ecológico; bicicleta.








2- Trabalhos na escola Paulo Fonteles com  duas turmas do EJA e quatro do primeiro e segundo anos regulares no turno da noite. Trabalhos sobre bicicleta; uber/táxi e mototáxi; pedestre; ônibus ecológico; patinete e transporte hidroviário.



















3- Trabalhos na escola Santa Luiza de Marilac (Uma turma de terceira etapa e outra turma de quarta etapa). Trabalhos sobre bicicleta; uber e mototáxi; pedestre e patinete.














terça-feira, 30 de setembro de 2025

O Fim da Segunda Guerra Mundial

 



Há oitenta anos terminava a Segunda Guerra Mundial com a rendição do Japão. Em 2 de setembro de 1945 o Japão se rendeu oficialmente aos Aliados. A Alemanha, outro país importante do Eixo, tinha se rendido em 8 de maio aos aliados ocidentais e dia 9 de maio à União Soviética. Hitler, o maior líder nazista, estava morto desde 30 de abril e Mussolini, o líder fascista italiano (a Itália fascista também fizera parte do Eixo), foi executado por guerrilheiros italianos em 28 de abril do mesmo ano. Era o fim de uma guerra terrível iniciada oficialmente em primeiro de setembro de 1939, quando a Alemanha invadiu a Polônia.

O grupo militar nacionalista que governava o Japão iniciou sua participação na Segunda Guerra Mundial em 7 de dezembro de 1941, quando atacou Pearl Harbor, uma base naval dos Estados Unidos  no Havaí. Houve formidáveis combates aéreos e navais, assim como sangrentas batalhas terrestres em ilhas do Pacífico e no continente asiático de 1942 até a rendição japonesa em 1945.

No primeiro semestre de 1945 houve as últimas batalhas em ilhas do Pacífico entre Estados Unidos e Japão, com as derrotas desse país em Iwojima e Okinawa. E em agosto do mesmo ano, os Estados Unidos usaram duas bombas atômicas em Hiroshima e Nagazaki no Japão, em 6 e 9 de agosto e em 08 de agosto a União Soviética tinha atacado com um forte exército as tropas japonesas que ocupavam parte da China.

Apesar das duas bombas atômicas e da invasão soviética do norte da China, atacando as forças japonesas ali presentes, a rendição japonesa não foi imediata, pois grupos ultranacionalista japoneses não concordavam com os termos impostos pelos Aliados. Muitas das cidades japonesas, incluindo Tóquio, estavam devastadas por bombardeios, já havia dificuldades graves na fabricação de armamentos, a aviação tinha sido quase toda destruída e a marinha estava muito enfraquecida, sem condições de opor-se às esquadras aliadas e havia o risco iminente de haver uma terrível escassez de alimentos se a guerra continuasse.

Após vários debates entre líderes políticos e militares e com a intervenção do Imperador Hirohito , em 14 de agosto o Japão concordou em se render e a rendição foi assinada em 2 de setembro de 1945, a bordo do cruzador Missouri e na presença do general americano Douglas MacArthur, terminando completamente a Segunda Guerra Mundial. A derrota na guerra foi lamentada na época por muitos japoneses e houve por algum tempo antes da rendição oficial alguns focos de resistência à decisão de se render. Foi a decisão tomada pelo Imperador, apoiando os anseios de grupos políticos que desejavam a paz, que superou a vontade de grupos ultra nacionalistas

 

Segundo Sérgio Barcellos (História Secreta da Rendição Japonesa de 1945):

 “ É impressionante a história do que ocorreu no Japão naquele quente agosto de 1945. A Segunda Guerra já acabara em maio na Europa com a derrota completa da Alemanha, e tudo levava à certeza mundial de estar selada a derrota japonesa, de que era só uma questão de tempo. Mas no Japão não. Levantou-se o caráter nacional em toda a sua força terrível: “”Rendição é pior que a morte. Mais digno de nós é morrermos todos”.

E ainda o mesmo autor: “As semanas agitadíssimas antes da rendição japonesa, que marcou o fim do vasto império asiático, estão entre os eventos mais dramáticos da moderna história da Humanidade(...)” “(...) Entre o horror da explosão da primeira bomba atômica, que varreu Hiroshima do mapa em 6 de agosto de 1945, seguida pela declaração de guerra da então União Soviética, em 8 de agosto, e a segunda bomba atômica, um dia depois, em Nagasaki, o Japão viveu uma comoção interna só comparável às grandes tragédias gregas. Nela, sua elite militar, altamente treinada, continuava insistindo no juramento que fizera de vencer ou perecer no processo(...)”

E Lester Brooks, jornalista, soldado e diplomata. que serviu com o general MacArthur nas Filipinas e no Japão diz em sua obra História Secreta da Rendição Japonesa de 1945: “Do ponto de vista de Togo (ministro das relações exteriores) e dos ministros civis do Gabinete, estava óbvio que levaria tempo para convencer os comandantes das tropas de que a rendição era o desejo genuíno do Imperador e a legítima ordem das autoridades militares. Estava previsto serem enviados os irmãos de Hirohito para áreas remotas a fim de transmitir a palavra do Imperador, assegurando que a rendição era autêntica. Acreditava-se que isso seria necessário por causa dos problemas técnicos da transmissão via rádio e da conveniência de fazer chegar pessoalmente a verdade sobre a rendição por intermédio da mais alta autoridade disponível.”

Lester Borooks descreveu em seu livro o discurso que o imperador Hirohito que foi transmitido por rádio a seus súditos:

 “Aos nossos bons e leais súditos, depois de refletir profundamente sobre a tendência geral que se observa no mundo e sobre as reais condições prevalecentes hoje em Nosso Império, decidimos solver a presente situação recorrendo a uma medida extraordinária. Determinamos ao Nosso Governo que comunicasse aos Estados Unidos, à Inglaterra, à China e à União Soviética que Nosso Império aceita as disposições de sua Declaração Conjunta.

 A guerra já dura quase quatro anos. Malgrado o melhor de si que todos deram... a situação da guerra evolveu não necessariamente a favor do Japão, e a tendência geral do mundo voltou-se contra os interesses do país. Além do mais, o inimigo começou a empregar uma nova bomba terrivelmente cruel, cujo poder de destruição é realmente incalculável, cobrando a vida de muitos inocentes. Se continuássemos lutando, resultaria não apenas um colapso final e a obliteração da nação japonesa, mas levaria também à total extinção da civilização humana. Sendo essa a realidade, como vamos salvar os milhões de Nossos súditos? Ou explicar-nos perante os venerados espíritos sacrossantos de Nossos Antepassados Imperiais?

 ...Pensar naqueles que...tombaram nos campos de batalha, que morreram nos seus postos...ou... encontraram morte prematura,...em todas as famílias enlutadas... doi em Nosso coração noite e dia. ... Os feridos vítimas da guerra... objetos de Nossa profunda solicitude. A privação e o sofrimento a que Nossa Nação será submetida daqui por diante serão certamente grandes.... No entanto, está de acordo com o ditame do tempo e do destino que Tenhamos resolvido abrir o caminho de uma grande paz para todas as gerações vindouras, suportando o insuportável e tolerando o intolerável.

Conseguindo preservar e manter a estrutura do Estado Imperial, Nós estaremos sempre convosco, bons, e leais súditos, confiando em vossa sinceridade e integridade. Evitai o mais estritamente manifestações de emoção que possam gerar complicações desnecessárias, bem como contendas entre irmãos e atritos que criem confusão, capazes de vos levar a perder a confiança no mundo... Cultivai os caminhos da retidão, fortalecei a nobreza de espírito e trabalhai resolutamente para que possais assegurar a glória inerente ao Estado Imperial e manter a paz e o progresso no mundo.

_________________________________________

Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História