segunda-feira, 30 de abril de 2018

Dia do Trabalhador: Algumas reflexões sobre a situação do trabalhador












Neste dia primeiro de maio comemora-se internacionalmente o Dia do Trabalhador. É uma data histórica em que se deve relembrar grandes conquistas dos trabalhadores desde o século XIX e também para se refletir sobre o trabalho na atualidade.

A segunda fase da Revolução Industrial  tinha começado na Inglaterra na segunda metade do século XVIII e no decorrer do século XIX espalhava-se para outros países da Europa, chegando até aos Estados Unidos e também ao Japão. Foi nessa fase que os trabalhadores começaram na Inglaterra e depois na França a se organizar contra a grande exploração das empresas industriais. O movimento cartista na Inglaterra após anos de luta conseguiu algumas vitórias importantes e os sindicatos começaram a ser formados. Mas a luta dos operários ingleses, franceses, norte-americanos, entre outros, foi dura. Manifestações eram reprimidas, com trabalhadores presos, espancados e até mesmo mortos no confronto com policiais e seguranças dos capitalistas. Nos Estados Unidos até mesmo a máfia se infiltrou nas questões trabalhistas do século XX.

Foi graças aos primeiros movimentos, aos primeiros sindicatos e às primeiras lutas que direitos começaram a ser conquistados em relação à jornada, aos salários, à questão do trabalho infantil etc. Greves foram organizadas e partidos de orientação trabalhista começaram a aparecer. Visando aumentar a produtividade e os lucros,os modelos taylorista e fordista formaram métodos de controle do trabalho à custa da saúde física e mental dos trabalhadores. Exemplos deste controle são mostrados em filmes como: "A Classe Operária vai ao Paraíso" e "Tempos Modernos".

No Brasil, no início do século XX, os anarquistas passaram a liderar movimentos por direitos dos trabalhadores e greves de diversas categorias aconteceram. Durante os anos 20, 30 e 40, os partidos europeus ligados às ideologias do fascismo e do nazismo tiraram a liberdade sindical e passaram a ter um controle estatal severo sobre os trabalhadores. Na URSS, nascida por meio de uma luta de soldados, camponeses e operários, o Estado Stalinista passou a controlar com mãos de ferro a sociedade e os trabalhadores foram submetidos a um modelo excessivamente centralizador e autoritário. No Estado Novo de Vargas, que imitava certos aspectos do fascismo, os sindicatos brasileiros foram dominados pelo governo e uma legislação trabalhista foi criada.

Depois da Segunda Guerra Mundial, as multinacionais europeias e principalmente dos Estados Unidos foram se expandindo ainda mais pelos continentes. O Japão a partir dos anos 60 passou a ser uma outra potência capitalista e suas empresas também se instalaram em outros países. No Brasil as empresas de tais países se fizeram presentes e hoje são responsáveis pela fabricação de muitos produtos. Elas representam o poder do poderoso capital internacional. 


Mais recentemente, temos uma China de partido socialista que se desenvolve economicamente ao custo da exploração considerável de seus trabalhadores industriais. O capitalismo estatal chinês está em competição com os Estados Unidos. E as ideias neoliberais que nas últimas três décadas tem se disseminado pelo mundo pregam uma intervenção mínima do Estado em relação à proteção dos direitos dos trabalhadores, o que está de acordo com o grande capital. 


As novas tecnologias, com a automação cada vez maior,  tem tirado empregos e a fusão de multinacionais tem provocado o aviltamento de salários e desemprego na busca por mais lucros.  Esta busca por mais lucros muitas vezes tem piorado as relações nas empresas e causado um aumento do desgaste físico e psicológico dos trabalhadores, o que no Brasil se agrava com as intenções do governo federal de retirar direitos adquiridos dos trabalhadores e de aumentar a terceirização, assim como há a  desvalorização dos servidores públicos, que tem visto seus salários perderem o poder aquisitivo diante de uma inflação que pelos números oficiais se apresenta controlada, mas que na verdade atinge desfavoravelmente o nível de vida da população,  que tem que pagar impostos variados e enfrentar também dificuldades decorrentes da situação nacional repleta de casos de corrupção, com consequências negativas como  o sucateamento da máquina estatal (hospitais públicos com inúmeras dificuldades, rodovias problemáticas, sistema de segurança fragilizado etc).

Assim, espera-se que, apesar das diversas dificuldades que os trabalhadores atualmente enfrentam,  novos tempos possam surgir. No entanto para que a mudança aconteça é preciso que os setores populares se organizem em busca de uma sociedade melhor, na qual os direitos dos trabalhadores sejam assegurados, que  encontrem mais prazer no trabalho e a população possa ter uma qualidade de vida melhor.

A seguir um trecho das autoras Rosângela Moraes e Rosa Acevedo Marin, autoras do artigo: O trabalho e a automação no pólo industrial de Manaus: relatos de prazer-sofrimento de operadores", do livro de 2007: "Atores sociais, trabalho e dinâmicas territoriais" (organizadores Edna Castro, Thomas Hurtienne, Ligia Simonian e Norbert Fenzl).

"O trabalho na atualidade apresenta uma nova morfologia, incluindo múltiplas possibilidades. Observa-se que a redução do emprego no padrão de acumulação fordista corresponde à intensificação do trabalho, bem como a sua precarização. Quanto mais se aprofunda a investigação do contexto de transformações do mundo de trabalho, mais se percebe o agravamento das condições subjetivas de trabalho, o que demanda políticas públicas que reduzam os riscos e promovam a saúde dos trabalhadores".

E ainda:

"As novas configurações do mundo do trabalho tem exigido cada vez mais tempo e energia dos trabalhadores. O estudo da relação subjetiva com o trabalho mostra que, mesmo nos outros espaços da vida, permanecem as preocupações relativas ao trabalho. Assim, os elementos psíquicos e sociais da vida fora do tempo e local de trabalho encontram-se eivados de referências a tal atividade, que se torna central no plano psíquico e também nos planos social e econômico.

Cito também um trecho de outra obra: "Qualidade de Vida no Trabalho",  especificamente sobre um texto de Kátia Barbosa Macedo e Ana Magnólia Mendes.

"Para Freud, o trabalho é concebido como "estruturante psíquico", o que significa se constituir como um caminho para a construção de pessoas livres e realizadas e não aprisionadas em si mesmas. Conforme essa concepção, o trabalho, quando realizado de forma adequada, pode gerar satisfação e prazer, pois representa uma possibilidade de a pessoa se realizar e poder, através da sublimação, administrar seus impulsos de agressividade e tensão".

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Márcio José Matos Rodrigues-Psicólogo e Professor de História.

Figura: Google

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