quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Artigo sobre o escritor Charles Dickens


















O escritor Charles John Huffam Dickens nasceu em Portsmouth, condado de Hampshire, na Inglaterra, em 7 de fevereiro de 1812. Considerando-se a era vitoriana, ele foi o mais popular dos romancistas ingleses dessa época. Adotou o apelido de Boz quando começou a sua atividade literária. É notável sua contribuição para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa. Entre suas obras mais importantes podem ser citadas David Copperfield e Oliver Twist. 


Quando ele tinha cinco anos, sua família mudou-se para o condado de Kent. Sua mãe ensinou-lhe inglês e latim e ele era ávido leitor, em especial em relação às novelas de Tobias Smollett e Henry Fielding. “Dom Quixote”, “Robinson Crusoé” e “As mil e uma noites” foram alguns dos livros lidos por ele na infância. Tinha uma memória apurada, que o ajudou mais tarde na composição de personagens e enredos, com base em pessoas e acontecimentos marcantes em sua vida. 


Graças a uma boa condição financeira de sua família, pôde frequentar por três anos uma escola particular. Mas quando seu pai foi preso por dívidas, a situação da família ficou ruim, o que fez com que a mesma mudasse para um bairro popular em Londres, tendo que ser vendidos bens pessoais como talheres de prata e a biblioteca familiar para pagar despesas. 


Aos doze anos passou a trabalhar em uma empresa onde era produzida graxa para sapatos. Com o dinheiro que ganhava como trabalhador, ajudava no sustento de sua família. Quando seu pai recebeu uma herança, a situação melhorou, porém sua mãe não o tirou imediatamente da fábrica, fato esse que deixou ressentimentos no futuro escritor. Essa experiência, vivenciando as condições dos trabalhadores, o marcou e influenciou em obras escritas por ele. 


Na adolescência, após ter deixado o trabalho na fábrica, ele trabalhou em um escritório. Apesar de não gostar do trabalho em tribunais, chegou a ser por pouco tempo estenógrafo em um tribunal.


Por volta de 18 anos Dickens apaixonou-se por Maria Beadnell, filha de um banqueiro. Porém os pais da moça não aprovaram o romance, por causa do histórico dos pais dele. Tendo Maria se desinteressado dele, o mesmo passou um ano para superar a desilusão. 


Trabalhou em jornal, primeiro como cronista judicial e tempos depois relatando debates parlamentares e cobrindo campanhas eleitorais. Durante sua carreira como escritor, ele continuou por anos a escrever para jornais. 


Começou a se destacar como escritor depois dos vinte anos com Os Documentos Póstumos do Clube Pickwick e na mesma época, em 2 de abril de 1836, casou-se com Catherine Hogarth. Dessa união nasceram dez filhos.


Tendo conseguido sucesso com Pickwick, consegue publicar, em 1838, “Oliver Twist”, romance divulgado em folhetins semanais, no qual pela primeira vez Dickens chamava a atenção para os males sociais da era vitoriana.


Esteve nos Estados Unidos em 1842. Essa viagem foi descrita na sua literatura de viagens American Notes. Apesar de ter sido bem recebido inicialmente, logo após houve menos interesse por ele por causa de críticas suas a editores desse país que ele acusou de imitar a literatura inglesa. 


Publicou, em 1843, “Canção de Natal”, o seu mais famoso livro de Natal e em 1845 foi publicado outro livre de grande sucesso sobre o Natal :“O Grilo na lareira”. 


Viajou para a Itália, tendo ficado em Gênova por um ano.E foi à Paris em 1845. Lá conheceu os maiores escritores franceses da época: Vitor Hugo, George Sand, Théophile Gautier e Alphonse de Lamartine.


Descreveu, em 1848, o ambiente existente nos transportes ferroviários da Inglaterra da Revolução Industrial em sua obra “Dombeyand Son”. E em 1849 publicou “David Copperfield”, o mais popular de seus romances. 


Em 1844 viaja à Itália, estabelecendo-se em Gênova, de onde só retornaria um ano depois. Em 1845, Dickens viajou a Paris, onde conheceu os maiores escritores franceses da época: Vitor Hugo, George Sand, Théophile Gautier e Alphonse de Lamartine.


Em 1850, fundou uma revista semanal, Household Word, na qual foram publicados em folhetins alguns de seus romances. 


Em 1858, ele divorciou-se de sua esposa, numa época em que o divórcio era condenado moralmente pela sociedade vitoriana. Houve boatos de que, enquanto ele esteve casado, teve um caso amoroso com sua cunhada Georgina, que ajudava a irmã na criação dos filhos. Georgina ficou com Dickens mesmo após a separação de sua irmã, cuidando de seus sobrinhos. 


O escritor vivenciou um acidente em 9 de junho de 1865, quando os seis primeiros vagões do trem em que estava caíram de uma ponte. Não tendo o vagão onde estava ele sido afetado, procurou ajudar os feridos antes da chegada do socorro e ainda conseguiu salvar manuscrito inacabado de um romance que estava escrevendo. Na ocasião estava com Ellen Ternan com quem viveu até o final da vida, ainda que não casado oficialmente. 


O acidente deixou marcas em Dickens, que passou a escrever menos. Nos seus últimos anos vivo dedicou-se a leituras em público de obras suas, o que se tornou muito popular, pois o autor tinha um jeito especial de ler, com seu tipo de interpretação e de narrar, o que arrancava em algumas ocasiões gargalhadas ou mesmo lágrimas das pessoas que assistiam. Mas o esforço decorrente dessas apresentações cansavam o escritor que veio a falecer devido a um AVC, em 9 de junho de 1870, em Higham,  Inglaterra,  aos 58 anos de idade.


Tendo sido sepultado na “Esquina dos Poetas”, na Abadia de Westeminster, está gravada em sua sepultura: “Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos, com sua morte, um dos maiores escritores da Inglaterra desapareceria para o mundo".


Comentários finais

Segundo biógrafos, Dickens tinha interesse pelo sobrenatural e superstições, dormia sempre virado para o norte, porque acreditava que sua criatividade seria estimulada e também participou de um grupo de estudos paranormais. Tinha epilepsia e essa experiência com a doença lhe foi útil para falar dela nos romances “Oliver Twist” e “A casa soturna”, nos quais havia personagens epilépticos. 


Sobre o contexto social que influenciou o escritor em suas obras, é relevante destacar que a cidade de Londres tinha mais de um milhão e meio de habitantes. O crescimento demográfico da cidade dava-se pela alta migração de camponeses empobrecidos que para lá rumavam no decorrer da Revolução Industrial e a indústria têxtil era o lugar para onde muitos se dirigiam a procura de empregos. O teórico revolucionário Engels apesar de reconhecer a importância de Dickens, o criticou por não ter tido uma postura revolucionária. Segundo Engels: “As suas personagens, quando melhoram de vida, devem essa melhoria às circunstâncias e acasos da vida, mais que à sua luta pela justiça social”. 


Mesmo tendo suas limitações segundo seus críticos, é notório em Dickens o desejo de que houvesse melhorias na sociedade exploradora que havia, como ficava claro na existência de condições insatisfatórias dos orfanatos, nas péssimas condições dos trabalhadores de fábricas, na situação psicológica ruim de muitas escolas e no ambiente cruel de prisões. É possível que o escritor tenha tido influência no fechamento das prisões de Marshalsea e da Prisão de Fleet. Também usou de sarcasmo com a aristocracia britânica por meio de simbolismos em suas obras literárias.


Citações:

Em Oliver Twist: “Nunca devemos envergonharmo-nos das nossas próprias lágrimas.”


Em “Um conto de duas cidades”: “Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos; aquela foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez, foi a época da crença, foi a época da descrença, foi a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero; tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante de nós…”

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Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História.


Figura: https://www.google.com/search?q=imagem+de+Charles+Dickens&client

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