quinta-feira, 25 de junho de 2020

O filósofo italiano Vico
















Em  23 de junho de 1668 nascia o filósofo humanista, retórico, historiador e jurista Giambattista Vico, em Nápoles, Itália. Ele foi um precursor da epistemologia construtivista. A partir do século XIX, suas ideias passaram a influenciar filósofos e cientistas sociais. 


Era o sexto de oito filhos. Seus pais eram Antonio Vico e Candida Masulio. Quando criança já demonstrava um vasto intelecto e tinha muita sede de conhecimento. A livraria de seu pai contribuiu muito para sua educação. E aos sete anos caiu de uma escada da livraria, fraturando o crânio. O médico que o atendeu pensou que se ele sobrevivesse poderia ter sérias sequelas que poderiam afetar sua capacidade congnitiva. Porém, após três anos sua saúde recuperou-se e ele aos dez anos entrou na escola. Após um tempo, ele passou a estudar por conta própria. Sentiu dificuldades materiais na sua infância e até a vida adulta teve momentos ligados à pobreza;


Com 16 anos, assumiu a defesa em um julgamento que envolvia o seu pai, sendo bem sucedido. Mas não quis seguir a carreira na área jurídica, pois considerou sua sáude fraca e não se sentiu atraído pelo ambiente de tribunal. Mas percebeu na jurisprudência um caminho para um novo entendimento da Humanidade. 


O bispo de Ischia, reconhecendo o valor de Vico no ensino da jurisprudência, recomendou-o ao marquês de Vatolla. Lá Vico por nove anos aproveitou para ter mais conhecimentos frequentando a grande biblioteca do castelo de Vatolla. Vico então leu muitos autores antigos como Cicero, Boccacio, Virgílio, Dante Alighieri,Horácio e Petrarca. Gostava de textos de Platão, porém não gostava de ler os epicuristas, que para ele "ensinavam uma moral de solitários". Na filosofia de Descartes embora tenha percebido as bases das ciências emergentes, fez suas críticas a esse autor. 


Teve constantes dificuldades financeiras, realizando alguns trabalhos de elogios sob encomenda. Foi indicado para professor de retórica da Universidade de Nápoles em 1697. Casou-se  em 1699. Mas sua esposa tinha muito pouca instrução e com ela teve vários filhos.Ela não teve muita habilidade para cuidar dos filhos. Vico por sua vez dedicava muito carinho aos filhos, embora um deles tenha lhe dado muito desgosto.



Vico publicou a obra A Antiga Sabedoria dos Italianos em 1710. Procurou por meio dela apresentar a sabedoria de sábios jônios e etruscos, fazendo uma análise filológica das palavras latinas.


Em 1725 escreveu Ciência Nova, procurando estabelecer um estatuto científico para o estudo da História. Em 130 e 1744 o autor reeditou a obra com revisões. Nessa obra Vico procura explicar a possibilidade de um entendimento científico para a História. Procurou criar um princípio universal de História para todos os povos em todos os tempos. Essa obra a partir do século XIX passou a ser um clássico da teoria da História. Na época que Vico viveu o racionalismo e o iluminismo não davam muita importância para a História.



Ele refletia sobre religião e política de modo conservador, usando teorias do passado, com uma linguagem bem teológica. A História para ele é uma evolução de acontecimentos levando a uma razão esclarecida e as verdades da História, da poesia, da pedagogia, do Direito, da arte e da moral não podem ser demonstradas por meio de evidências racionais. Dizia que o método cartesiano não pode garantir a verdade dos nossos conhecimentos. Para ele razão e geometria não conseguem explicar as questões humanas, embora funcionem bem com números e grandezas. 

Vico em suas críticas dizia que os filósofos e historiadores daqueles tempos estavam fazendo da História uma invenção, uma ilusão para exaltar nações ou personagens históricos. Para ele a História é uma criação do Homem e tem que ter uma ligação real com o Homem. Dizia também que, como o Homem é livre, a história da Humanidade é o resultado das escolhas dos Homens de cada época.

Ele dividiu a História em 3 períodos, seguindo ideias de Platão: período do deuses (quando os Homens eram ignorantes e insensatos), dos herois (prevalência da  fantasia e da imaginação dos Homens, com possibilidade do uso da força para a estruturação social) e dos Homens, com predomínio da razão.


Para Vico a História é o resultado também das ações divinas mas não de forma direta, para ele a providência divina criou ideais a serem alcançados pelos homens. Ideais como justiça, verdade e o bem são objetivos que o homem tenta alcançar e tenta fazer isso de maneira livre. Vico dizia que com a História se conhece o espírito humano em seu desenvolvimento total:
religioso, jurídico, político, lingüístico, artístico, poético, literário, industrial, científico, filosófico, etc. Dizia que o Homem conhece o mundo físico por meio da experimentação histórica.



No estudo da linguagem, Vico acredita que o modo de falar popular testemunha com mais veracidade os costumes de um povo. Os sistemas de comunicação que perduram em uma determinada língua são a expressão mais fiel da vida dessas pessoas. 


Carlos III, da dinastia dos Bourbon, em Nápoles, indicou Vico como Historiógrafo real. Mas pouco tempo depois disso, Vico teve sérios problemas de saúde, ficando quase  impossibilitado de falar devido a um câncer, sentindo dores. Morreu aos 75 anos em 20 de janeiro de 1744. 


Algumas frases de Vico: 


"O pensar nos dá o conhecimento da nossa existência, mas não nos garante o conhecimento total de quem realmente somos."

"O Homem é o personagem principal da história porque é originalmente um ser sociável e ao se sociabilizar ele cria a história. Além de ser um animal sociável o Homem é livre e por isso a história da Humanidade é o resultado das escolhas dos homens de cada época."


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Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História


 
Figura: https://www.google.com/search?sxsrf=ALeKk01hF71TmELO5MkflnAhEMQ0LzpyXA:1593135676278&source=univ&tbm=isch&q=Imagem+do+filósofo+Vico&client=firefox

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