sexta-feira, 10 de abril de 2020

O New Deal e a crise econômica atual devido ao Novo Corona Vírus
















Estamos vivendo a época de uma pandemia. Esta pandemia causa muito temor devido a tantas mortes que tem ocorrido em diversos países. Mas além da questão da doença em si, há os efeitos econômicos e financeiros. Milhões de pessoas poderão perder seus empregos e empresas estão sentindo muitas dificuldades, parte delas podendo ter que fechar. Governos pelo mundo estão tendo de implementar medidas econômicas em relação a trabalhadores, pessoas carentes, pequenas e médias empresas para que a situação não chegue a um caos e a problemas muito maiores. 

Assim, pensando nesta questão econômica, é que faço aqui a relação com um plano que foi usado para recuperar a economia dos Estados Unidos nos anos 30 devido à Grande Depressão: O New Deal

O New Deal, que traduzindo para a língua portuguesa quer dizer novo acordo, foi um conjunto de programas promovidos pelo governo do presidente Franklin Delano Roosevelt entre 1933 e 1937 para recuperar e reformar a economia dos Estados Unidos, assim como fornecer apoio para os mais afetados pela grave crise econômica desencadeada com a Quebra da Bolsa de NovaYorque em 1929. Na época muitas empresas faliram, fazendeiros ficaram arruinados e milhões de trabalhadores ficaram desempregados. Quando houve a quebra da Bolsa, o presidente Hoover, que seguia muito o liberalismo clássico (que era contra a intervenção do Estado na Economia), acreditava que a crise seria superada a partir do próprio mercado, porém não se viu isso acontecer.  

Um dos motivos da crise foi a desigualdade econômica nos Estados Unidos, com grande parte da população não tendo poder aquisitivo para comprar mais, o que proporcionava uma limitação no consumo e o enorme aumento da produção não tinha como ser consumida, o que fez produtos encalharem e os preços das mercadorias caírem. 

Na realização do plano, houve influências da teoria econômica de John Maynard Keynes, economista britânico que dizia que há a necessidade da mediação econômica do Estado para existir o bem-estar da população, o que o liberalismo seria incapaz de concretizar. O presidente Roosevelt chamou para elaborar o New Deal um grupo de renomados economistas inspirados em Keynes, para reduzir o desemprego por meio de um conjunto articulado de investimentos estatais e privados.


As principais medidas do New Deal foram

-Grandes investimentos em obras públicas (usinas, hidrelétricas, barragens, pontes, hospitais, escolas, aeroportos etc), em um valor de 4 bilhões de dólares, gerando empregos;

-Destruição de estoques de certos gêneros agrícolas para reduzir a quantidade com a finalidade de baixar os preços;

-Controle de preços e da produção, com o objetivo de prevenir uma superprodução de produtos industriais e agrícolas;

-Redução da jornada de trabalho para gerar empregos;

-Criação de um salário mínimo, do seguro-desemprego e seguro-aposentadoria (para maiores de 65 anos);


-Controle sobre bancos e instituições financeiras e econômicas;
-Incentivo ao mercado consumidor;

-Concessão de subsídios e crédito agrícola a pequenos produtores familiares;

-Apoio na criação de sindicatos de trabalhadores com o fim de aumentar o poder de negociação dos trabalhadores e facilitar a defesa dos novos direitos instituídos.

-Desvalorização do dólar para tornar as exportações mais competitivas.

Conforme o professor universitário Flávio Limoncic da UFRJ: "O New Deal iniciou a tensa construção do pacto entre Estado, trabalho organizado e capital, ou regulação fordista keynesiana do capitalismo que [...] fundamentaria o peculiar Estado de Bem Estar americano e o longo período de prosperidade que se estenderia até fins dos anos 1960." E ainda: "A regulação fordista keynesiana baseava-se em um pacto segundo qual o Estado assumia papéis keynesianos, de forma a tornar-se um demandador da indústria privada e um fornecedor de salários indiretos, com o objetivo de universalizar o consumo; o capital repassava ganhos de produtividade do trabalho aos salários (relação salarial fordista), buscando assim assegurar a estabilidade do sistema e, por fim, os sindicatos aceitavam a ordem capitalista, em troca de sua incorporação ao mundo do consumo".

O New Deal realizou reformas na economia buscando criar condições para formar uma poupança interna e conseguir a recuperação da rentabilidade dos investimentos. Procurou-se tomar providências para sanear o sistema financeiro, regular a produção agrícola e para evitar que pessoas mais pobres perdessem suas casas hipotecadas.

Foram implementadas nas indústrias o método fordistas de produção, a linha de montagem, que possibilitou a redução de custos e o aumento da produtividade, proporcionando uma queda de preços. As empresas privadas passaram a ter um controle maior pelo poder federal e foram criadas diversas autarquias públicas. 

Os bons resultados obtidos com o New Deal possibilitou na ocasião um fortalecimento do Partido Democrata, com um predomínio político do partido entre as décadas de 30 e 60. Mas o presidente Eisenhower, republicano (muitos adeptos do Partido Republicano criticavam o New Deal) expandiu algumas políticas de Roosevelt, em especial as voltadas para a seguridade social.

Há historiadores que até hoje apontam a importância do New Deal para reerguer a economia dos Estados Unidos naquela época, tirando o país  da recessão. Ressaltam a implementação de regulamentações governamentais que incentivaram novos negócios, em especial pequenas empresas e controlando melhor o sistema financeiro, proporcionando também menos desigualdade social e dando mais assistência aos mais pobres e aos mais idosos. Os críticos dizem que, apesar de ter havido sucessos com o New Deal, ele não foi realmente capaz de resolver determinados problemas internos como a pobreza e grande desigualdade, mesmo tendo realizado mudanças na economia, que se fortaleceu. Tais autores afirmam que o aumento da produção industrial durante a Segunda Guerra Mundial é que foi um motor maior de desenvolvimento econômico para o país. 

As políticas econômicas de vários países europeus capitalistas foram influenciadas pelo New Deal. Eram as políticas de bem-estar social (Welfare State). Com tais políticas o Estado proporcionava uma melhor distribuição de renda, criando infraestruturas necessárias a uma vida menos difícil para a maioria da população, como por exemplo nas áreas de educação e saúde. Porém, a partir dos anos 70 do século XX, depois de várias crises no capitalismo, governos começaram a mudar as políticas econômicas, que antes tinham a influência do economista Keynes e passaram a adotar medidas ligadas ao chamado neoliberalismo econômico.

O Brasil na época no início dos anos 30, quando os Estados Unidos estavam em profunda crise econômica, era governado por Getúlio Vargas. Ele implementou medidas de ordem política e social que tiveram influências do New Deal. Vargas admirava aspectos de Roosevelt e esse também tinha uma admiração por medidas econômicas e sociais tomadas por Vargas no seu governo. Disse Roosevelt certa vez em novembro de 1936: "Despeço-me esta noite com grande tristeza. Há algo, no entanto, que devo sempre lembrar. Duas pessoas inventaram o New Deal: o Presidente do Brasil e o Presidente dos Estados Unidos".

Vê-se com o New Deal, em uma época de grave crise econômica e social, ações do governo dos Estados Unidos para levantar a economia e melhorar a situação dos trabalhadores. Foi preciso sair de um modelo baseado grandemente no liberalismo econômico para dar uma função de mais poder ao Estado em políticas econômicas e sociais. 

Não pretendo aqui dizer que deve-se implementar um projeto inspirado em todas medidas do New Deal, pois temos agora uma realidade específica em um outro tempo. Porém há algumas semelhanças nas dificuldades, como os problemas sociais em consequência da parada de atividades econômicas. Em virtude disso é que o Estado tem que se fazer mais presente realizando ações de amparo à população mais atingida e aos pequenos produtores. 

A crise atual pode nos estar ensinando que deve-se analisar melhor o papel do Estado brasileiro na implementação de melhores condições para o povo, em relação ao desenvolvimento social, à melhoria das condições de saúde e à proteção aos mais fragilizados e carentes. 

O modelo intensamente baseado nas ações neoliberais de outras nações não é capaz de dar conta de resolver determinados problemas sociais que atingem o povo brasileiro, pois é um modelo que beneficia em uma proporção muito maior ao grande capital. É preciso repensar e reformular o que está existindo em termos de governo. Claro que a maioria da população não quer corrupção e quer o desenvolvimento econômico do país. Porém não se deve negligenciar aspectos importantes como o bem estar dos mais necessitados, a valorização do meio ambiente e a manutenção de direitos trabalhistas e sociais. A crise atual provocada por esta pandemia deve suscitar o debate e a meu ver uma mudança nos rumos políticos e econômicos do Brasil.
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Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História



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