domingo, 21 de julho de 2019

Artigo em homenagem a uma grande cantora brasileira: Nara Leão













Quero homenagear aqui uma grande cantora da música brasileira, Nara Leão. Ela nasceu em 19 de janeiro de 1942 na cidade de Vitória no Espírito Santo e era filha de Jairo Leão, um advogado descendente de portugueses dos Açores e de Altina Lofego, uma professora descendente de italianos  da região de Basilicata.  Nara mudou-se para o Rio de Janeiro quando tinha um ano com sua irmã mais velha Danuza Leão e seus pais. 


Na infância era muito tímida e começou a ter aulas de violão aos 12 anos. Aos 14 anos foi estudar violão na academia de Carlos Lyra e Roberto Menescal, em Copacabana. Aos 18 anos (1960),  já era professora na academia. 


Nara fazia reuniões no apartamento de seus pais (na Avenida Atlântica, em Copacabana) e aí, em 1957, nasceu a Bossa Nova. Nessas reuniões participavam pessoas destacadas e ligadas ao gênero, como Roberto Menescal, Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli.


Começou a participar de shows em universidades e boates. Ficou tão ansiosa em um de seus primeiros shows, que se apresentou de costas para o público. 


Houve a reaproximação de  Carlos Lyra e inicia-se assim seu interesse pelo samba de morro, influenciada por Lyra.


Em 1963 participou ao lado de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra na comédia Pobre Menina Rica. O cronista Sérgio Porto atribuiu a ela o título de musa da Bossa Nova. Sua consagração acontece com a apresentação do espetáculo Opinião, que fazia críticas à repressão dos militares que tinham dado um golpe em 1964.   Teve de se afastar por problemas na voz e Maria Bethania a substituiu no teatro.  


Nara vai se engajando mais em atividades políticas e passa a ser cantora de canções de protesto nos anos 60, simpatizando com ações dos Centros Populares de Cultura da UNE, que foram extintos pelo regime militar. Nessa época, em 1964, grava seu primeiro disco, com seus primeiros sucessos nacionais, entre eles o samba Diz que fui por aí, composto por Zé Keti e Hortêncio Rocha.  O lançamento desse disco surpreendeu por causa do resgate de músicas de sambistas como Cartola e Nelson Cavaquinho. Passou a se apresentar na televisão e em boates do Rio de Janeiro como cantora solo. De início foi criticada quando rompeu com a Bossa Nova, mas depois, devido ao seu talento, passou a ser bem aceita pelo público.


Ela interpretou  A Banda, de Chico Buarque, em 1966, no Festival de Música Popular Brasileira. A música foi a vencedora no Festival.


Nara Leão também interessou-se pelo movimento Tropicalista e participou do disco-manifesto Tropicália ou Panis et Circensis, de 1968.


Namorou com Roberto Menescal de 1957 a 1958, amigo dos tempos de escola. Teve seu primeiro emprego como secretária de redação do "Tabloide UH", no jornal Última Hora, que era propriedade de Samuel Weiner, que era casado com a irmã de Nara. Depois de meses Nara chegou a ser repórter do tabloide. Como funcionária do jornal conheceu o redator Ronaldo Bôscoli, que era envolvido com música e os dois começaram a namorar. Foi nesse período que Nara começou a despontar como cantora. E em 1960 Nara terminou o namoro com Bôscoli porque ele se envolveu com a cantora Maysa. Nesse mesmo ano conheceu o cineasta moçambicano Ruy Guerra e com ele namorou, tendo eles se casado em 1962. 


Em 1965, ano em que já estava bem conhecida por sua bela voz e por suas opiniões críticas sobre questões sociais e políticas, ela se divorcia de Ruy Guerra. Tira férias e passa a viajar, indo para Nova York e países europeus. Nessa ocasião fez terapia e cursos direcionados à música e teatro. Gravou na época discos, fez shows e foi apresentadora de programas de tv. 

Começou a namorar o cineasta Cacá Diegues no fim de 1966. Em 1967 casou-se com com ele. No final desse ano foi a Paris cantar e quando voltou ao Rio fez curso de teatro e participa como atriz no cinema. Em 1968 apresentou musicais em teatro de Ipanema, envolve-se mais na política, inclusive em protestos contra a ditadura.


Ela e Caetano Veloso participam em 1969 do filme dirigido pelo marido de Nara, Os Herdeiros. Sentindo-se ameaçada pelo regime militar, diminuiu seus shows e vai para Portugal cantar. Mas incomodada com a insistência de fãs, passou a se sentir cansada. Ainda em 1969 dá entrevistas em Londres afirmando que iria terminar sua carreira de cantora. Ao voltar ao Brasil teme ser presa e vai morar com o marido em Paris. Decidindo voltar a cantar, faz shows pela Europa em 1970. E em 28 de setembro de 1970 nasce a primeira filha de Nara com Cacá. Em 17 de janeiro de 1972, já morando de novo no Rio de Janeiro, nasce o filho Francisco. No mesmo ano fez um dos papeis principais em um  filme de Cacá Diegues, Quando o Carnaval Chegar. Mas com o nascimento do filho, reduz suas atividades como cantora. 


Participou de mais alguns filmes em 1973, fazendo também pequenos shows. Volta então a estudar e termina o Ensino Médio. Gravas discos e participa em festivais em 1974.  Passou no vestibular nesse ano em Psicologia. Mas não concluiu o curso. 


Em 1975 lançou um disco e ganhou o troféu de Melhor Cantora do Ano. E em 1977 lançou novos discos, participando de espetáculos pelo Brasil, apresentando-se em rádios e Tv, inclusive fora do Brasil. Também nessa época escreve e compõe melodias. Nesse ano divorcia-se de Cacá Diegues. Tendo passado a morar sozinha com os filhos, sentiu-se muito deprimida, mas tratando-se com terapia, voltou com intensidade à música, tendo muito sucesso. Em 1978 fez shows nacionais e internacionais.


Em 1979 sentiu-se mal e ficou internada e nos anos 1980 viajou pelo Brasil e outros países fazendo shows, com muito sucesso. Participou na época de atividades em prol da eleição direta para presidente. Tendo em 1986 sua saúde piorado, com fortes dores de cabeça e esquecimentos, sua carreira como cantora foi afetada, o que a entristeceu. Foi então que foi descoberto que ela estava com um tumor no cérebro. Não sendo possível operar, ela passou a tomar medicações contínuas. Passou então a ficar em repouso, em companhia de seu namorado Marco Antonio Bompet, de seu produtor e da sua irmã. 


 Com melhoras em sua saúde fez shows em casas noturnas do Rio em 1987 e 1988. Fez sua última apresentação no Pará, em 1989. Quando retornou ao Rio tinha dores fortes que não passavam com os remédios. Entrou em coma e faleceu em 7 de junho. Ao longo de sua carreira lançou mais de 20 discos.


Abaixo uma das canções que Nara cantava: 


Estrada do Sol


É de manhã, vem o sol mas os pingos da chuva que ontem caiu
Ainda estão a brilhar, ainda estão a bailar ao vento alegre que nos traz esta canção


Quero que você me dê a mão
Vamos sair por aí sem pensar no que foi que sonhei, que sofri, que chorei
Pois a nossa manhã só nos fez esquecer
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol


É de manhã, vem o sol mas os pingos da chuva que ontem caiu
Ainda estão a brilhar, ainda estão a bailar ao vento alegre que nos traz esta canção


Por aí, sem pensar no que foi que sonhei, que sofri, que chorei
Pois a nossa manhã só nos fez esquecer
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol


Quero que você me dê a mão
Vamos sair por aí sem pensar no que foi que sonhei, que sofri, que chorei
Pois a nossa manhã só nos fez esquecer
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol


É de manhã...

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Márcio José Matos Rodrigues


Figura: https://www.google.com/search?q=imagem+de+Nara+Le%C3%A3o&client

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