terça-feira, 9 de julho de 2019

Artigo: A invasão da Sicilia pelos Aliados na Segunda Guerra Mundial



















O mês de julho de 1943 na Europa durante a Segunda Guerra Mundial teve dois grandes acontecimentos muito importantes, a Batalha de Kursk (ocasião em que os alemães tiveram grandes perdas materiais e humanas, além de perda de territórios ocupados, o  que enfraqueceu consideravelmente o esforço de guerra alemão no leste da Europa) e a invasão da ilha da Sicília, pertencente à Itália, que na época vivia sob regime fascista com a ditadura de Mussolini. Essa invasão veio debilitar ainda mais a força militar fascista italiana, que vinha perdendo territórios na África e que agora estava sob a séria ameaça de invasão de seu território europeu, como também a Itália passava por bombardeios aliados e Mussolini via seu apoio político ir se deteriorando.


Hitler  temia a derrota da Itália e a perda de poder de Mussolini, um aliado seu no Eixo. O temor de Hitler era justificado, pois a Itália já não vinha se mostrando capaz de uma resistência mais forte e se a Itália caiísse nas mãos aliadas a própria Alemanha correria sérios riscos. Tal receio alemão provocou o envio de reforços que deveriam lutar na frente oriental contra os soviéticos, o que enfraqueceu a tentativa alemã de barrar os avanços russos, principalmente após a derrota em Kursk.


Em janeiro/fevereiro de 1943, na Conferência de Casablanca, Roosevelt, presidente dos Estados Unidos e Churchill, primeiro ministro inglês, decidiram atacar a Sicília, encorajados pelas vitórias contra as forças nazi-fascistas no norte da África. Os britânicos faziam questão de atacar a Itália, cujo povo já estava  na sua maioria cansado da guerra. Com a queda da Itália, seria enfraquecida a própria Alemanha e o Mediterrâneo ficaria aberto para uma operação livre dos navios aliados e seriam criados em território italiano bases aéreas para atacar a Alemanha. 


Assim, em 3 de julho iniciou-se um bombaredeio das forças inimigas na Sicília e na madrugada do dia 10 de julho de 1943, as forças aliadas cujos principais componentes eram da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos (mas também participaram outros países, como o Canadá) iniciaram a invasão na chamada Operação Husky. As ações na Sicilia durariam de 10 de julho a 17 de agosto de 1943. Entre os comandantes aliados havia o general de blindados Patton, dos Estados Unidos e o marechal inglês Montgomery, que lutaram na África do Norte derrotando as forças do general Rommel. Do lado do eixo havia generais como os alemães Kesselring (que se destacou por sua liderança inteligente na guerra em solo italiano contra os aliados) e Von Senger, assim como o italiano Gozzoni. 


É de ressaltar que os Aliados tinham conseguido despistar que a invasão seria na Sicília e os alemães haviam mandado reforços para outras regiões, o que beneficiou o desembarque aliado. Mas os Aliados encontraram dificuldades como fortes ventos que atrapalharam pilotos de aviões, o que causou o pouso de parte dos paraquedistas no mar e o fato desse estar agitado, o que prejudicava os navios na hora do desembarque. Havia também problemas de informações sobre a região (como na questão da geografia local).

De início os Aiados atacaram com 160 mil soldados. Para enfrenta-los o Eixo dispunha de 230 mil soldados italianos e 60 mil alemães. Os Aliados contavam inicialmente com 600 tanques e o Eixo com 260 tanques. Mais tarde, durante a luta, os Aliados chegaram a 467 mil combatentes. Os comandantes alemães e italianos pensaram, antes de haver o desembarque aliado, que o mau tempo os favorecia e tinham uma falsa sensação de segurança. Os alemães tinham a seu favor o terreno acidentado que ajudava a defesa e  sua experiência em combate. E a malária estava infestando a ilha. 


A operação começou com um desembarque anfíbio e também houve lançamento de paraquedistas. Após seis semanas de combates intensos no solo, os Aliados conseguiram em agosto de 1943 expulsar da Sicília as forças terrestres, aéreas e navais do Eixo. No total de perdas,  130 mil italianos, 37 mil alemães e 31 mil soldados aliados foram mortos ou feridos.


Os efeitos das derrotas italianas na Sicília levaram o Grande Conselho Fascista a forçar Mussolini a pedir demissão e ele foi preso no mesmo dia que perdeu o governo. No dia 26 de julho o governo foi assumido pelo marechal Pietro Badoglio. Esse governo começou a negociar secretamente com os Aliados, havendo na Itália forças armadas alemães. E em 3 de setembro Montgomery começou a invasão da parte continental da Itália e o governo italiano decidiu render-se aos Aliados. Mussolini foi resgatado de uma prisão por um comando alemão e foi designado por Hilter líder de um estado “fantoche” sob tutela dos nazistas no norte da Itália. A guerra continuaria, pois as tropas alemães ( e unidades remanescentes fascistas que se aliaram aos alemães) enfrentaram os Aliados. A guerra só terminaria na Itália em abril de 1945. 

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Márcio José Matos Rodrigues-Professor de História.




figura :https://www.google.com/search?q=imagens+da+invasão+da+sicilia+na+segunda+guerra+mundial
 




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